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Estado de Minas ISOLAMENTO

COVID-19: Kalil decide não retomar reabertura do comércio de BH

Entendimento da prefeitura é que avanço do coronavírus e aumento na demanda por internações na rede pública de saúde impedem flexibilização do isolamento social já a partir da próxima segunda-feira (13)


postado em 09/07/2020 17:26 / atualizado em 09/07/2020 19:08

Belo Horizonte não retomará reabertura do comércio na próxima semana(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Belo Horizonte não retomará reabertura do comércio na próxima semana (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Belo Horizonte não retomará o processo de reabertura do comércio na próxima segunda-feira (13). Segundo apurou o Estado de Minas, o avanço acelerado do novo coronavírus e as crescentes taxas de ocupação de UTIs e leitos clínicos fizeram o prefeito Alexandre Kalil (PSD) optar por manter o cenário atual, em que apenas serviços considerados essenciais podem abrir as portas.

A prefeitura entende que é inviável retomar o processo de reabertura do comércio, mas que também ainda não é a hora de decretar o lockdown (bloqueio total) na capital mineira.

Indicadores epidemiológicos e estruturais da cidade são avaliados diariamente pela administração municipal.

Para tomar a decisão de manter o restante do comércio fechado, Kalil contou com o auxílio dos especialistas que integram o Comitê de Enfrentamento à Epidemia da COVID-19 na capital. O grupo analisou três indicadores: o número médio de transmissão por infectado (Rt) e as taxas de ocupação de UTIs e leitos clínicos.

De acordo com boletim epidemiológico publicado nesta quinta-feira (9) pela administração municipal, 92% das UTIs e 76% dos leitos clínicos específicos para pacientes com COVID-19 estão ocupados. O Rt, por sua vez, só será divulgado nesta sexta-feira.

Decisão

O comitê que auxilia Kalil é chefiado pelo secretário municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto. Também fazem parte do grupo outros três especialistas: o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano; o pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Unaí Tupinambás; e o infectologista Carlos Starling, integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Kalil tem se reunido – virtual ou presencialmente – com os integrantes do comitê ao menos três vezes por semana: às segundas, às quartas e às sextas. Diante da piora nos números, porém, o último encontro desta semana foi cancelado, já que era inviável retomar a reabertura da cidade.

A entrevista coletiva com o prefeito e os integrantes do comitê, marcada para as sextas-feiras, também não ocorrerá.

Prefeito Alexandre Kalil (PSD) decidiu não retomar reabertura do comércio de BH na próxima segunda(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Prefeito Alexandre Kalil (PSD) decidiu não retomar reabertura do comércio de BH na próxima segunda (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Desavenças com a CDL

 

Na última terça-feira, Kalil recebeu na Prefeitura de BH representantes de 70 entidades que lhe entregaram um documento em que manifestam apoio às medidas de isolamento social. No encontro, o prefeito citou uma frase do ex-presidente Juscelino Kubitschek e ironizou o negacionismo científico.

 

"A única coisa que tenho a dizer a todos vocês é que nós tomamos um rumo. Nós acreditamos que a Terra é redonda. Então, o nosso rumo é o rumo da ciência, é o rumo que estes homens (especialistas do Comitê de Enfrentamento à Epidemia de COVID-19 em BH) nos orientaram", disse o prefeito, em referência ao terraplanismo, teoria conspiratória e sem sustento científico de que a Terra é plana.

Em seguida, Kalil fez menção a uma frase dita em 1954 pelo então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek. Na ocasião, JK afirmou: "Deus poupou-me do sentimento do medo".

JK fazia referência às pressões que vinha sofrendo para que não se candidatasse à Presidência da República, cargo para o qual seria eleito no ano seguinte.

"A única contribuição do prefeito é a coragem. Um político uma vez disse: ‘Deus me poupou do sentimento do medo’. Eu recebo duas, três vezes por dia os números das ocupações (de leitos de UTI e de enfermarias), as transmissões (número médio de transmissão do vírus por infectado, o Rt). Então, garanto a vocês que (não abriremos o comércio) enquanto esses números não nos derem a segurança da abertura, da flexibilização dessa cidade", disse Kalil.

 

Nos últimos meses, o prefeito de BH, a exemplo de JK na década de 1950, tem sido pressionado. No caso de Kalil, as cobranças partem dos empresários, que pedem a abertura do comércio em meio à pandemia do novo coronavírus.

E a piora nos números da doença fez o prefeito cancelar uma reunião que teria na última quarta com representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e do Sindicato de Lojistas (Sindilojas) de Belo Horizonte. "Os números não nos permitem nada diferente do que está acontecendo hoje. Então, nós não temos o porquê de fazer uma reunião sem objetivo", argumentou Kalil, na ocasião.

 

A atitude, porém, gerou críticas da CDL, e aumentou a tensão entre as partes. Por meio de nota, a entidade disse que a decisão foi "tomada de forma autoritária e unilateral pela prefeitura". O Sindilojas preferiu não se posicionar.

 

 

Reabertura


Belo Horizonte adotou as primeiras medidas de isolamento social como forma de enfrentar a pandemia em 18 de março. Até 24 de maio, apenas serviços considerados essenciais puderam funcionar. No dia seguinte, voltaram a abrir as portas salões de beleza (exceto clínicas de estética), shoppings populares e alguns setores de comércios varejistas.

A flexibilização foi ampliada entre 8 e 28 de junho, quando cerca de 92% dos empregos da cidade estavam ativos. O avanço desenfreado do vírus, porém, fez com que a PBH optasse pelo retorno à 'Fase Zero' do processo de reabertura do comércio no dia 29, data a partir da qual apenas serviços considerados essenciais puderam abrir as portas.

Segundo boletim epidemiológico divulgado pela administração municipal nesta quinta, BH tem 9.978 casos confirmados do novo coronavírus, dos quais 224 resultaram em mortes. São ainda 6.922 recuperados e outros 2.832 pacientes em acompanhamento.

 


O que é o coronavírus

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp



Como a COVID-19 é transmitida?


A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?



Como se prevenir?


A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê



Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

Vídeo explica porque você deve aprender a tossir



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Mitos e verdades sobre o vírus


Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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