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Estado de Minas POLÊMICA

Ainda fechado, hospital de campanha de BH vira caso de polícia

Governo de Minas usa lei e força policial para retomar a posse do Expominas; concessionária se sente desrespeitada e pode ir à Justiça


postado em 09/07/2020 14:16 / atualizado em 09/07/2020 20:29

Carro do Batalhão de Choque da Polícia Militar é visto na entrada do Expominas nesta quinta-feira(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press)
Carro do Batalhão de Choque da Polícia Militar é visto na entrada do Expominas nesta quinta-feira (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press)
Cercado de controvérsias desde que foi anunciado, em 24 de março, o hospital de campanha de Belo Horizonte virou caso de polícia e deve ganhar os tribunais. Nesta quinta-feira (9), o governo do estado determinou a retomada de posse do Expominas, onde o equipamento foi montado, e para isso usou forte aparato policial, incluindo membros do Batalhão de Choque da Polícia Militar, surpreendendo a empresa que tem a concessão do local até 2038 e que esperava ser melhor tratada, até por estar colaborando com as autoridades.

A intenção do executivo estadual é que os leitos estejam funcionando, em parte, até a semana que vem, quando está previsto o pico da pandemia de COVID-19 em Minas. E garante que irá ressarcir a concessionária pela “continuidade da prestação de serviços essenciais, já executada no local por meio de contrato”.

“A Resolução (Conjunta SEPLAG/PMMG nº 10.197/2020, que viabiliza a retomada da posse, pelo estado, da área do Expominas), define os atos administrativos necessários para a retomada da posse e requisição desses serviços, é justificada pela necessidade da adoção de medidas unilaterais, amparadas pela Lei e pela própria Constituição Federal. As medidas permanecerão em vigor enquanto durar o estado de calamidade pública no Estado de Minas Gerais”, justifica a administração de Romeu Zema.

A nota ressalta que o Expominas é propriedade da Codemge, órgão da administração indireta do estado, e foi cedida à empresa vencedora de licitação em 2018. “Foi levado em consideração ainda, entre outros, o fato de que o uso da área para o objetivo contratual previsto já havia sido totalmente paralisado, a partir de 18 de março de 2020, com a edição, pelo Município de Belo Horizonte, de decretos que suspendem as atividades de shows, exposições e outros eventos para os quais era destinada a área do Expominas, inclusive com requerimento da própria empresa cessionária para a suspensão das obrigações contratuais em razão da pandemia.”

A Nutribom Empreendimentos Ltda, no entanto, se sente desrespeitada. Afinal, diz ter atendido todas as demandas do governo desde que o local foi escolhido para reforçar o tratamento de pacientes infectados pelo novo coronavírus.

“Fomos surpreendidos pela pandemia, como todos no mundo, e logo nos dispusemos a ajudar, recebendo o hospital de campanha de braços abertos. Desde 26/3, quando foi feita a vistoria do local, mobilizamos funcionários e também o pessoal terceirizado, pois era uma novidade que precisava ser enfrentada. Tivemos ótimo retorno da Secretaria de Estado do Planejamento e Gestão (Seplag-MG), da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG), da Polícia Militar (PM). Não foi montado nada tão bom no Brasil. Entendemos que, pela urgência, a questão contratual poderia andar em paralelo com a montagem. Mas isso não ocorreu. Tentamos todas as negociações, mas não obtivemos sucesso. Agora, no último minuto antes da abertura, buscamos uma garantia mínima não só para nós, mas para nossos contratados, e fomos surpreendidos com a requisição do equipamento”, argumenta Márcia Ribeiro, diretora de Negócios e Marketing da empresa concessionária.

Conhecedora da legislação, inclusive no que se refere às prerrogativas do estado em caso de guerra ou epidemia, ela questiona o fato de ter havido o que considera uma mudança no comportamento das autoridades estaduais, às quais acusa de intransigência. “Ficamos entristecidos principalmente por ser um governo (de Romeu Zema, do Novo) que se elegeu prometendo um estado leve, democrático e que iria apoiar a iniciativa privada”, diz a diretora, que lamenta que “empresários dispostos a caminhar com este governo sejam tratados desta forma”.

Uma das reclamações foi a presença ostensiva de policiais militares na manhã desta quinta-feira. Márcia Ribeiro alega que funcionários tiveram a circulação cerceada e até para falar com a reportagem do lado de fora do Expominas, ela teve de ter autorização dos comandantes presentes.

Já o governo de Minas diz que, em razão da urgência da pandemia, o estado, por meio da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão e da Polícia Militar de Minas Gerais, está adotando todas as providências para garantir o funcionamento regular do Hospital de Campanha”.

Segundo a concessionária do Expominas, desde o início da pandemia 21 eventos que ocorreriam no local foram cancelados ou adiados. A empresa diz gastar, no mínimo, R$ 1,1 milhão por mês para manter o equipamento, além de ter pago R$ 92 milhões por ele, “108% de ágio sobre o preço mínimo estabelecido pelo governo”.

O hospital de campanha foi projetado com 768 leitos, quase todos de baixa complexidade. Um dos gargalos é a contratação de profissionais para geri-lo, motivo pelo qual o fgverno de Minas abriu chamamento de organizações sociais de saúde. Parte do investimento foi bancada pela iniciativa privada.
 

CINCO PERGUNTAS PARA...

Otto Levy, secretário de Planejamento e Gestão do Governo de Minas 
 
  
Como foi a negociação para a retomada do Expominas?

A constituição diz que, quando houver interesse público, o Estado pode tomar medidas para que esse interesse público prevaleça. No final, quando o hospital for desmontado, o espaço será retornado à Codemge e ela pode discutir o ressarcimento dos custos que a concessionária tenha tido durante esse período. Não estamos despropriando ninguém. Como não chegou a acordo até esse momento e que as vidas valem mais que o interesse peculiar da concessionária, o Estado resolveu tomar atitude para preservar interesse dos mineiros

Por que foi necessária a presença de muitos policiais no local hoje?

É uma operação normal da PM. Acho que tem a ver que está chegando o momento de fazer com o hospital de campanha seja operado. A Polícia Militar colocou as pessoas lá para tomar conta do espaço com a quantidade necessária".

Como será solucionado o caso?

Essa discussão vai continuar, seja de maneira concessual, ou como se resolve na democracia, ou seja na Justiça. 

Foi estratégia deixar a concessionária até o último instante?

Não foi estratégia. Ficou um processo negocial. Como não se chegou a acordo, estamos tratando do interesse público. Temos um prazo para concluir essa negociação, pois precisamos colocar o hospital de campanha para funcionar. Certos empresários gostam de ganhar dinheiro, apesar de tudo, às custas de oportunidades. Neste momento, o interesse público deve prevalecer. Para ganhar dinheiro, podem aguardar um pouco mais.

Como foi a negociação com os prestadores de serviços no hospital de campanha?

Estamos mantendo com os prestadores de serviços as mesmas condições contratuais com que eles têm com a Nutribom. Não há nenhum custo a mais. Essa era a base que a Codemge gostaria de negociar. A concessionária gostaria de ganhar em cima disso. A gente queria manter os termos com os prestadores de serviços, mas eles queriam manter um preço mais alto


 

O que é o coronavírus


Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp

Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?


Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

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Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

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