A disputa pelo governo de Minas Gerais começou oficialmente neste domingo (16/8), quando terminou o prazo para que partidos e coligações registrassem seus candidatos na Justiça Eleitoral. Ao todo, 11 nomes chegam à largada pelo Palácio Tiradentes, todos com vices definidos.

O desenho final da eleição, porém, é resultado de uma campanha que começou marcada por incertezas, desistências, alianças frustradas e reviravoltas, que alteraram o cenário construído ao longo do ano.

Até as 19h deste sábado, as legendas puderam formalizar as candidaturas. Depois do encerramento do prazo, novos nomes não poderão ser incluídos na disputa, salvo as hipóteses de substituição previstas na legislação eleitoral.

O número de candidatos reflete a fragmentação do cenário político mineiro. Estão no páreo o atual governador, Mateus Simões (PSD); os ex-prefeitos de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e Patrus Ananias (PT); o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos); o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe (PL); o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB); além de Túlio Lopes (PCB), Ben Mendes (Missão), Rafael Duda (PSTU), Henrique Áreas (PCO) e Indira Xavier (UP).

Uma eleição desenhada aos poucos

O cenário que chega ao início oficial da corrida é diferente daquele imaginado no começo do ano. Uma das principais indefinições envolveu Rodrigo Pacheco (PSB). Ex-presidente do Senado, ele era o nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para disputar o governo de Minas e passou meses no centro das articulações entre partidos de esquerda e de centro. Pacheco chegou a trocar o PSD pelo PSB, mas anunciou em maio que não concorreria ao Palácio Tiradentes. A decisão obrigou o grupo lulista a reorganizar a estratégia eleitoral no estado.

Na sequência, o PT tentou construir uma aliança em torno de Alexandre Kalil, repetindo a parceria de 2022, quando o ex-prefeito disputou o governo com apoio dos petistas. A composição não avançou. Kalil manteve uma candidatura independente tanto do campo lulista quanto do bolsonarista e fechou acordo com o PSDB para ter Carlos Mosconi como vice.

Sem Pacheco e sem um acordo com Kalil, o PT também chegou a conversar com Gabriel Azevedo. As negociações, contudo, não prosperaram, e a legenda decidiu lançar candidatura própria. A escolha recaiu sobre Patrus Ananias, que inicialmente pretendia disputar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados.

A composição petista ainda passou por outra rodada de negociações. Áurea Carolina (Psol) ficou com uma das vagas ao Senado, Marília Campos manteve o projeto de disputar o Senado e Jarbas Soares, do PSB, foi escolhido como vice de Patrus.

Apesar da definição, a federação Psol-Rede protagonizou uma nova reviravolta poucos dias depois de a aliança ser acordada. A direção estadual havia aprovado apoio a Kalil por 4 votos a 3, mas a decisão foi anulada pelas executivas nacionais dos dois partidos, que determinaram o apoio da federação a Patrus. A Rede, no entanto, ficou autorizada a manter informalmente o apoio a Kalil.

Cleitinho e a novela da candidatura

Outra das principais marcas da disputa foi a indefinição em torno de Cleitinho Azevedo. Líder nas pesquisas, o senador passou por uma sequência de anúncios, recuos e conflitos com a direção nacional do Republicanos até ter sua candidatura confirmada.

Depois de faltar à convenção partidária, Cleitinho anunciou que concorreria ao governo, contrariando a direção nacional da legenda. Dias depois, em razão da morte do irmão Matheus Azevedo, comunicou que desistiria da disputa. Menos de 24 horas depois, voltou atrás e pediu que o partido reconsiderasse a decisão.

Inicialmente, o pedido foi rejeitado, mas no fim, o Republicanos reabriu as negociações e confirmou o senador como candidato ao governo. A indefinição também teve efeito sobre o campo conservador. O PL, que aguardava uma definição sobre Cleitinho para tentar construir uma composição, decidiu lançar candidatura própria e escolheu Flávio Roscoe para disputar o governo.

Ruptura na base de Simões

No grupo governista, o principal episódio foi a ruptura entre Mateus Simões e Marcelo Aro (PP). Aro, que era cotado para disputar o Senado na chapa de Simões, passou a defender uma candidatura própria ao governo após discordar da composição da chapa e da presença de Carlos Viana no grupo.

A tentativa de reunir PL, Republicanos e a Federação União Progressista em torno de Aro, porém, não avançou. Na reta final das convenções, a Federação União Progressista voltou à aliança com Simões, que teve Danilo de Castro (União Brasil) confirmado como vice. Sem apoio partidário suficiente para sustentar a candidatura ao governo, Aro desistiu da disputa e voltou a concorrer ao Senado - desta vez em campanha avulsa, mas com o apoio de Cleitinho.

Quem disputa o Palácio Tiradentes?

Alexandre Kalil (PDT) — Empresário e ex-presidente do Atlético foi prefeito de Belo Horizonte entre 2017 e 2022. Foi eleito em 2016 com 52,98% dos votos no segundo turno e reeleito em 2020, no primeiro turno, com 63,3%. Em 2022, disputou o governo de Minas com apoio do PT e foi derrotado por Romeu Zema no primeiro turno.

Alexandre Kalil

Leandro Couri/EM/D.A. Press

Ben Mendes (Missão) — Empresário, advogado e jornalista. Formado em Direito pela PUC Minas, atua na defesa do consumidor em Minas. Além disso, cursa Medicina na PUC Minas e passou pelo internato em hospitais como o Júlia Kubitschek e o Instituto Raul Soares.

Ben Mendes

Reprodução/Redes Sociais

Cleitinho Azevedo (Republicanos) — Senador, iniciou a carreira política como vereador de Divinópolis em 2016. Em 2018, foi eleito deputado estadual e, quatro anos depois, chegou ao Senado. Sua atuação parlamentar é marcada por pautas relacionadas à transparência, combate à corrupção e privilégios.

Cleitinho Azevedo

Jefferson Rudy/Agência Senado.

Flávio Roscoe (PL) — Empresário do setor têxtil e presidente licenciado da Fiemg. Começou a trabalhar na empresa da família e acumulou experiência em diferentes áreas da indústria antes de assumir a gestão do negócio. À frente da Federação, conduziu um período de reestruturação e expansão dos investimentos em educação, tecnologia e inovação.

Flávio Roscoe

Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press – 10/7/25

Gabriel Azevedo (MDB) — Advogado, jornalista, publicitário e professor de Teoria da Constituição e Teoria Geral do Estado. Foi vereador e presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte no biênio 2023-2024. Candidato à Prefeitura de Belo Horizonte em 2024, recebeu 133.728 votos. É mestre em Direito pela Faculdade Milton Campos e em cidades pela London School of Economics and Political Science.

Gabriel Azevedo

Jair Amaral/EM/D.A Press

Henrique Áreas (PCO) — Militante do PCO há quase 20 anos e integrante do Comitê Central da legenda, atua na área cultural e coordena o Grupo por Uma Arte Revolucionária e Independente. É formado em Política pela Unicamp e trabalhou nos Correios, onde também foi diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios.

Henrique Áreas

Reprodução

Indira Xavier (UP) — Auxiliar de escritório, tem mais de 20 anos de militância em movimentos estudantis, populares, sindicais e de defesa das mulheres. Foi candidata da UP à Prefeitura de Belo Horizonte em 2024 e já havia disputado o governo de Minas em 2022. Atua na Casa de Referência da Mulher Tina Martins.

Indira Xavier

Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press

Mateus Simões (PSD) — Advogado, professor e atual governador de Minas, Simões foi eleito vice-governador em 2022 e assumiu o governo após a saída de Romeu Zema para disputar a Presidência. Antes disso, foi vereador de Belo Horizonte e secretário-geral do governo estadual.

Mateus Simões

Alexandre Guzanshe/EM/D.A. Press

Patrus Ananias (PT) — Advogado, professor e pesquisador, Patrus foi vereador e prefeito de Belo Horizonte. Em 2002, elegeu-se deputado federal e, durante o primeiro governo Lula, comandou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, onde participou da implementação do Bolsa Família. Também foi ministro do Desenvolvimento Agrário no governo Dilma Rousseff.

Patrus Ananias

PAULO SÉRGIO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Rafael Duda (PSTU) — Trabalhador da mineração, é diretor licenciado do Sindicato Metabase Inconfidentes desde 2012. Teve atuação no movimento estudantil da UFMG, onde foi coordenador do Diretório Central dos Estudantes, e participa da Central Sindical e Popular Conlutas em Minas Gerais.

Rafael Duda

Luiz Santana/ALMG

Túlio Lopes (PCB) — Professor e historiador, tem especialização em História e Culturas Políticas, mestrado e doutorado em Educação. Atuou no movimento estudantil e sindical e foi presidente da Associação dos Docentes da UEMG.

Túlio Lopes

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Gladyston Rodrigues/EM/D.A>Press

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