CORRIDA PELO PALÁCIO TIRADENTES

Eleições 2026: brigas e reviravoltas antes mesmo do início da batalha em MG

Campanha começa na semana que vem após um longo período marcado por intensas negociações sobre candidaturas, alianças e embates envolvendo antigos aliados

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Líder das pesquisas com uma candidatura marcada por idas e vindas, apoios rompidos e reviravoltas. Esse é o cenário que marca o início das eleições de 2026 em Minas Gerais. Quando as convenções partidárias terminaram, na semana passada, o desenho da corrida pelo Palácio Tiradentes era completamente diferente daquele traçado no início do ano. Candidaturas consideradas prováveis ficaram pelo caminho, alianças dadas como encaminhadas não se concretizaram e partidos que negociavam uma composição terminaram em campos opostos.

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O resultado foi construído ao longo de meses de articulações, em um processo marcado por indefinições, negociações frustradas e mudanças de estratégia. A possível candidatura de Rodrigo Pacheco (PSB), a tentativa de uma frente ampla em torno de Alexandre Kalil (PDT), a aproximação do PT com Gabriel Azevedo (MDB), para no fim a escolha de Patrus Ananias (PT) e a crise envolvendo Mateus Simões (PSD), Marcelo Aro (PP) e Cleitinho Azevedo (Republicanos) alteraram, em sequência, o tabuleiro eleitoral mineiro.

A primeira grande incógnita da eleição mineira foi a possível candidatura de Rodrigo Pacheco (PSB). Ex-presidente do Senado, o parlamentar era o nome favorito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a disputa em Minas Gerais e era visto pelo Palácio do Planalto como o candidato capaz de organizar um palanque competitivo para o petista no segundo maior colégio eleitoral do país.

O desejo de Lula em ter Pacheco na disputa fez com que o senador se tornasse o centro das articulações da esquerda e do centro mineiro durante meses. Filiado ao PSD, Pacheco buscava garantias para entrar na corrida. Entre as condições apresentadas estavam um compromisso público de Lula com a campanha em Minas e a construção de uma aliança ampla, capaz de reunir diferentes partidos da base governista.

Enquanto o senador adiava a decisão, as negociações partidárias ficaram em situação de espera. Partidos de centro e esquerda evitavam avançar em acordos enquanto não sabiam se Pacheco - que uma hora dava sinais positivos, outra hora recuava - seria o nome capaz de liderar a chapa. Nesse período indecisão, o senador também viu o então vice-governador Mateus Simões deixar o Novo e migrar para o PSD. A mudança, oficializada em outubro do ano passado, reduziu o espaço político de Pacheco dentro da legenda comandada por Gilberto Kassab. Em meio às divergências, o senador deixou o PSD e migrou para o PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin.

Após a mudança partidária, a expectativa em torno de sua candidatura continuou. Em maio, porém, Pacheco comunicou que não disputaria o Palácio Tiradentes e encerraria a sua carreira política com o fim do mandato no Senado. A decisão encerrou a principal aposta do Planalto em Minas e obrigou aliados a reconstruírem a estratégia eleitoral.

Sem Pacheco no jogo, ganhou força dentro do PT a ideia de apoiar Alexandre Kalil (PDT), candidato que havia recebido o apoio de Lula na eleição de 2022 para a disputa pelo governo de Minas. Naquele ano, o então governador Romeu Zema foi reeleito no 1º turno. A articulação tinha como uma das defensoras a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT), que via no ex-prefeito da capital um nome capaz de dialogar com diferentes setores do eleitorado mineiro. A proposta era construir uma frente ampla reunindo partidos da base de Lula e legendas de centro.

A composição, porém, não avançou. Kalil manteve uma candidatura distante tanto do campo lulista quanto do grupo bolsonarista. O ex-prefeito resistia a uma aliança que vinculasse sua campanha diretamente ao PT e ao presidente Lula. O cenário ficou ainda mais distante após Kalil fechar acordo com o PSDB - que posteriormente levou a definir o ex-deputado federal Carlos Mosconi como vice. Para setores da esquerda mineira, a presença tucana na chapa inviabilizou uma aproximação. A Federação Psol-Rede, que chegou a dialogar com o ex-prefeito, rejeitou participar de uma aliança que incluísse o partido historicamente associado ao grupo político de Aécio Neves.

Gabriel Azevedo entra no radar

Enquanto as conversas com Kalil não avançavam, outro movimento que acontecia nos bastidores era a possibilidade de aliança com Gabriel Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, candidato pelo MDB. Marília Campos defendeu conversas com o emedebista diante das dificuldades para construir uma aliança com o ex-prefeito da capital. No entanto, outro fator que entrou no cálculo das negociações foi a movimentação de Álvaro Damião (União Brasil).

O prefeito de Belo Horizonte vinha estreitando a relação com o presidente Lula, com quem passou a aparecer em agendas na capital. Nos bastidores, uma das avaliações era de que uma eventual aliança com Gabriel Azevedo poderia criar um problema no futuro: caso não fosse eleito governador, o ex-presidente da Câmara Municipal poderia voltar a disputar a Prefeitura de Belo Horizonte em 2028, em um possível confronto direto com o atual prefeito.

Por fim, as negociações, também não avançaram, até que dentro do PT, e ganhou força a defesa de uma candidatura própria, com um nome identificado diretamente com a legenda. A decisão foi tomada em junho, em reunião que contou com a presença de Lula e das principais lideranças petistas de Minas.

Depois de perder Pacheco, não fechar com Kalil e abandonar as conversas com Gabriel Azevedo, o PT chegou ao meio do ano sem um nome definido para disputar o governo. Marília Campos chegou a ser defendida internamente para a disputa, mas a ex-prefeita de Contagem rejeitou a possibilidade e manteve o projeto de concorrer ao Senado.

A escolha acabou recaindo sobre Patrus Ananias, deputado federal, ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro de Lula. A decisão, porém, não foi imediata. Patrus preferia disputar novamente uma vaga na Câmara dos Deputados. A mudança de posição ocorreu após pressão direta do presidente Lula, que avaliava que o deputado tinha maior capacidade de reorganizar o projeto petista em Minas.

A definição resolveu um dos principais problemas do PT, mas abriu uma nova disputa dentro da chapa: quem ocuparia a segunda vaga ao Senado. De um lado, Áurea Carolina, ex-deputada federal pelo Psol, defendia uma composição com duas mulheres na chapa ao lado de Marília Campos - movimento que, inicialmente, a Marília também se demonstrou resistente por acreditar que ambas dividem o mesmo eleitorado. Do outro, o PSB pressionava pela indicação de Jarbas Soares, ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, como representante da legenda.

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O impasse foi resolvido na reta final das convenções. Áurea Carolina ficou com a segunda vaga ao Senado e Jarbas Soares assumiu a vice-governadoria na chapa de Patrus. O acordo garantiu a permanência do PSB na aliança petista e reproduziu em Minas a lógica da composição nacional entre Lula e Geraldo Alckmin.

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