O senador e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo Bolsonaro Sérgio Moro (PL) afirmou que “o PT tem fetiche por corrupção”. A declaração foi feita em entrevista à Rádio TMC, na manhã desta sexta-feira (22/5), enquanto o senador defendia o pré-candidato ao governo federal do Partido Liberal, Flávio Bolsonaro, de alegações de relação com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Moro, que também é pré-candidato ao governo do estado do Paraná, defendeu que, se pedidos de criação de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) fossem aceitos, as fraudes do Banco Master teriam sido reveladas mais cedo.

Moro afirmou que votou nos pedidos pela instalação da CPMI sobre o Banco Master, assim como afirmou que fez o Flávio Bolsonaro, que disse que “assinou todas porque não tem nada a temer”. No entanto, apesar da mobilização recente, o pré-candidato à Presidência não assinou os primeiros pedidos de investigação apresentados no Congresso Nacional sobre o caso, conforme o Correio Braziliense.

“Eu assinei todas as CPIs do Banco Master querendo que as investigações fossem realizadas. Quem obstaculizou a implementação da CPMI, sempre foi contra a assinatura, foi o PT”, declarou Moro.

Há seis pedidos de abertura de investigação parlamentar na mesa diretora do Congresso Nacional: três da base governista e outros três da oposição. O presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), porém, argumentou na quinta-feira (21) que leria os pedidos quando quisesse e que a abertura de uma Comissão seria de sua escolha. Uma investigação é uma esperança da direita para desviar as críticas ao filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O senador sustentou que o partido do presidente Lula (PT) está com um discurso “diferente”, uma vez que tem histórico de corrupção. Como argumento, ele relembrou sua atuação na CPMI do INSS, classificando o episódio como "o crime mais vergonhoso da história recente do país" por se tratar do roubo de aposentados e pensionistas, além da Operação Lava Jato.

Segundo o parlamentar, o avanço das investigações trouxe à tona suspeitas de envolvimento de "Lulinha", filho do presidente, que possuiria um relacionamento com Marcos Valério, conhecido como Careca do INSS.

Moro afirmou que, apesar dos pedidos de diligências para apurar os fatos, a base governista, orientada diretamente por Lula, blindou o caso para que as apurações não avançassem. Para ilustrar o que chamou de "quadro bastante tenebroso", o senador apontou que o delegado responsável pelo caso do INSS foi recentemente removido e substituído pelo governo sem maiores explicações. 

O senador ainda escreveu nas redes sociais que o PT possui um "fetiche por corrupção" e defendeu que é preciso acabar com a atual gestão, a qual, em suas palavras, "permitiu que a roubalheira voltasse".

A declaração rebate diretamente um ataque recente da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR). Durante ato em Curitiba, a parlamentar afirmou que Moro sofre de uma “crise de identidade” e tem “fetiche no PT”, sob o argumento de que o senador não apresenta propostas para o Paraná e vive focado na sigla e em Lula.

Na ocasião, Gleisi ainda sugeriu que ele dispute a Presidência se quiser o enfrentamento direto, acrescentando críticas à Operação Lava Jato e afirmando que o grupo governista já derrotou o ex-juiz no estado.

Defesa de Flávio

Nos últimos dias, a imagem de Moro concentrado durante fala de Flávio, que se justificou sobre sua relação com Daniel Vorcaro em meio a outros parlamentares do partido, levantou dúvidas sobre o posicionamento do senador. Questionado, ele afirmou que a expressão era apenas uma expressão de atenção. 

Na última semana, o portal de notícias The Intercept Brasil divulgou mensagens e um áudio do senador Flávio cobrando uma transferência de R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master investigado por fraudes financeiras, para financiar a produção de “Dark Horse”, filme biográfico do ex-presidente com orçamento além de produções hollywoodianas.

Após a divulgação das mensagens, Flávio Bolsonaro confirmou ter recebido o dinheiro de Vorcaro, mas negou ter sido beneficiado diretamente com os valores milionários. Segundo ele, “o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, sem envolvimento de dinheiro público ou utilização da Lei Rouanet. A produtora do filme, porém, negou que recebeu o dinheiro.

Do dinheiro acordado, o empresário pagou R$ 61 milhões à produção, que conta com grandes nomes da produção hollywoodiana, como o ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo”, no papel de Jair Bolsonaro. O orçamento utilizado no filme, até o momento, foi de R$ 65 milhões. Com isso, o montante transferido pelo empresário representa cerca de 92% do orçamento atual da produção.

Outra polêmica foi a visita de Flávio à casa do empresário um dia depois que ele foi solto da prisão, em novembro de 2025, quando o investigado usava tornozeleira eletrônica e não poderia sair da cidade de São Paulo. Na ocasião, o senador saiu de Brasília em 29 de novembro, foi a São Paulo, e voltou ainda no dia 29. O pré-candidato alegou, em entrevista coletiva, que o encontro se deu exclusivamente para colocar um ponto final no contrato entre Vorcaro e a produção do “Dark Horse”. 

A viagem foi reembolsada pelo Senado e foi criticada por apoiadores, inclusive o comentarista de direita Rodrigo Constantino, que defendeu que “Flávio Bolsonaro está fazendo de tudo para perder de Lula”.

Impacto no eleitorado

A ligação de Flávio com Vorcaro foi vista com maus olhos pelo eleitorado. Com a divulgação, as intenções de votos no bolsonarista caíram. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na terça-feira (19/5) mostra que Flávio caiu 5,4 pontos percentuais nas intenções de voto, totalizando 34,3% das sinalizações de voto e deixando que o atual presidente pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha ampla vantagem, com 47% das intenções de voto.

A pesquisa provocou questionamentos da equipe da pré-campanha de Flávio. Horas depois da divulgação da pesquisa, a coordenação jurídica acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar o levantamento, argumentando que a metodologia adotada pelo instituto teria induzido os entrevistados a uma percepção negativa sobre o nome do Partido Liberal.

Uma segunda pesquisa, desta vez da Futura/Apex, divulgada nesta sexta-feira, também mostra queda na pontuação de Flávio em um segundo turno. Segundo o levantamento, Lula ampliou vantagem sobre Flávio, com 47,7% das intenções de voto contra o nome do PL, que conquistou 42,2%. O cenário mostra uma queda de 4,7 pontos percentuais em relação à rodada anterior.

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Apesar disso, o PL nega que considera outros nomes para concorrer à presidência da República. Em nota, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que acredita que Flávio voltará a crescer nas pesquisas, com uma “força política e pessoal mais sólida do que nunca”.

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