Produtora do filme de Bolsonaro só foi registrada após contrato com Vorcaro
Dado sugere a regulamentação da empresa apenas para a produção do filme, que teve investimento de mais de R$ 60 milhões do ex-dono do Banco Master
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Dados da Agência Nacional do Cinema indicam que a produtora Go Up Entertainment Ltda, responsável pelo filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), "Dark Horse", só foi regulamentada no sistema federal após ter firmado contrato milionário com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, investigado por fraudes milionárias.
A empresa foi registrada como CNPJ em dezembro de 2021, na subclasse de “estúdios cinematográficos” quanto às suas atividades. No entanto, foi cadastrada na Ancine apenas em 9 de julho de 2025. O dado foi divulgado pelo O Globo, confirmado pelo Estado de Minas e sugere a regulamentação da empresa apenas para a produção do filme.
O cadastro na Ancine é necessário para poder registrar obras audiovisuais, enviar relatórios de comercialização, apresentar projetos de fomento, dentre outros.
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Antes do “Dark Horse”, nenhum outro filme havia sido registrado pela empresa, bem como pela dona da empresa, Karina Ferreira da Gama, ou outros CNPJs dela, Go7 Assessoria e ONG Instituto Conhecer Brasil.
Mensagens divulgadas pelo site The Intercept Brasil mostram que o registro oficial se deu apenas após contrato de investimento na casa dos milhões de Vorcaro para financiamento do filme.
Em um áudio, enviado em novembro de 2024, o senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) cobra uma transferência de R$ 134 milhões do ex-banqueiro para o patrocínio do filme. O investigado chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção, valor que supera os custos de filmes que venceram o Oscar, como "Ainda Estou Aqui" e “Conclave”.
Já em dezembro de 2024, o deputado federal Mário Frias (PL), que é registrado como produtor-executivo do filme, enviou um áudio agradecendo Vorcaro pelo investimento que viabilizaram o filme e chamando-o de irmão. No entanto, quando o áudio de Flávio foi divulgado, Frias afirmou que “não há um centavo do Master” no filme e que, se houvesse, “não haveria problema” porque “trata-se de uma relação estritamente privada entre adultos capazes, sem um único real de dinheiro público envolvido”.
Posteriormente, ele voltou atrás e disse que Vorcaro ou o Master não são signatários de relacionamento jurídico, e que o contrato é firmado com a Entre Investimentos e Participações. No entanto, a Entre mantinha parceria com outros empreendimentos ligados a Vorcaro.
Investimento milionário
Em entrevista à TV Globo e ao Globonews, Karina afirmou que o orçamento já utilizado no filme é de US$ 13 milhões – o que equivale a aproximadamente R$ 65,65 milhões. Com isso, o montante transferido pelo empresário representa cerca de 92% do orçamento atual da produção. Segundo a produtora, todos que estavam à frente da produção tiveram que buscar novos investidores após a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
Dentre os investimentos feitos no filme, está a contratação do ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em “A Paixão de Cristo”, no papel de Bolsonaro.
A responsável pela produtora ainda argumentou que todo o dinheiro usado no filme veio do fundo Heavensgate, que é sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, que é aliado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). Investigações da Polícia Federal (PF) indicam que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, foi a fonte de recursos para o filme. Outra linha de investigação suspeita que o dinheiro investido pode ter custeado as despesas de Eduardo nos Estados Unidos.
O “Dark Horse” está em fase de pós-produção, com inclusão de efeitos especiais e sonorização. De acordo com a dona da GoUp, o longa ainda precisa de recursos. A previsão de estreia é ainda em 2026, mas ainda não há data exata divulgada.
Ligação provoca queda de Flávio
A ligação de Flávio com Vorcaro em relação à produção do filme foi vista com maus olhos pelo eleitorado. Com a divulgação, as intenções de votos no bolsonarista caíram. Nova pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na terça-feira (19/5) mostra que Flávio caiu 5,4 pontos percentuais nas intenções de voto, totalizando 34,3% das sinalizações de voto e deixando com que o atual presidente pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha ampla vantagem, com 47% das intenções de voto.
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A pesquisa provocou questionamentos da equipe da pré-campanha de Flávio. Horas depois da divulgação da pesquisa, a coordenação jurídica acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar o levantamento, argumentando que a metodologia adotada pelo instituto teria induzido os entrevistados a uma percepção negativa sobre o nome do Partido Liberal.