CRISE NO PL

Nikolas defende CPMI do Master para evitar ataques somente à direita

Deputado quer investigação de todos os suspeitos de envolvimento com as fraudes do Banco Master para não haver "versões seletivas"

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defende a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), envolvendo colegiado da Câmara e do Senado, para investigar as fraudes do Banco Master.

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Em publicação no X (antigo Twitter), o parlamentar afirmou que espera que a decisão seja tomada pelo presidente do Senado Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) ainda nesta quinta-feira (21/5), durante uma sessão conjunta no Congresso Nacional, como resposta a diversos requerimentos sobre a mesa diretora que pedem a instalação.

Para Nikolas, a investigação parlamentar seria necessária para evitar “vazamentos seletivos” das fraudes da instituição financeira, o que, na visão dele, são “usados convenientemente para atingir um lado político em pleno ano eleitoral”. 

O deputado se refere à recente ligação do senador e pré-candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Mensagens divulgadas pelo Intercept Brasil mostram que o senador cobrou R$ 134 milhões do ex-banqueiro para o financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”. 

Apesar do contrato, Vorcaro pagou R$ 61 milhões à produção, o que configura um financiamento de mais de 90% da produção. Além disso, Flávio também é criticado por ter visitado Vorcaro após a prisão dele em 2025, no âmbito da primeira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

Nikolas defende que é necessária uma investigação pelas instituições competentes de um “conjunto dos fatos” que “permanece sem investigação ampla, oficial e transparente”. “Se há suspeitas, que se investigue tudo. Todos os envolvidos. Todas as relações. Todos os interesses”, escreveu.

O deputado ainda alegou que as informações divulgadas sobre a ligação entre Vorcaro e o bolsonarismo, que encabeça o campo da direita, são “versões seletivas”.

Na última semana, após a divulgação do áudio de Flávio, Nikolas defendeu o senador. Ele disse não acreditar em “condenações precipitadas” e reafirmou alegações do senador de que não havia ilegalidade em sua conduta.

A instalação da CPMI, porém, não deve acontecer, conforme avaliação de parlamentares da direita, esquerda e centro, que alegam que um colegiado não é de interesse parlamentar. No entanto, enquanto a base governista acredita que uma CPMI seria boa para “investigar todos os envolvidos”, ao passo que a oposição quer reverter o desgaste dos áudios com Vorcaro.

Impacto no eleitorado

A ligação de Flávio com Vorcaro foi vista com maus olhos pelo eleitorado. Com a divulgação, as intenções de votos no bolsonarista caíram. Nova pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na terça-feira (19/5) mostra que Flávio caiu 5,4 pontos percentuais nas intenções de voto, totalizando 34,3% das sinalizações de voto e deixando com que o atual presidente pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha ampla vantagem, com 47% das intenções de voto.

A pesquisa provocou questionamentos da equipe da pré-campanha de Flávio. Horas depois da divulgação da pesquisa, a coordenação jurídica acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar o levantamento, argumentando que a metodologia adotada pelo instituto teria induzido os entrevistados a uma percepção negativa sobre o nome do Partido Liberal.

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Apesar disso, o PL nega que considera outros nomes para concorrer à Presidência da República. Em nota, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que acredita que Flávio voltará a crescer nas pesquisas, com uma “força política e pessoal mais sólida do que nunca”.

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