Flávio Bolsonaro se encontrou com Vorcaro após prisão do banqueiro em 2025
Aliados afirmam que encontro aconteceu para negociar financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro (PL) "Dark Horse"
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O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se encontrou com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, depois que ele foi preso pela Polícia Federal (PF), em novembro de 2025, no âmbito da primeira fase da Operação Compliance Zero.
A Compliance Zero já está em sua sexta fase e apura as irregularidades milionárias da instituição financeira, além de uma organização criminosa suspeita de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos. Última ação sobre o caso prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel, além de outros seis investigados, e cumpriu 17 mandados de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.
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Fontes ligadas a Flávio afirmam que a visita se deu para encerrar as negociações de patrocínio do banqueiro do filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”. A informação é do portal Metrópoles.
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Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira (19/5), Flávio afirmou que visitou Vorcaro um dia após ele ser preso.
“Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história e dizer que, se ele tivesse me avisado que a situação era grave como essa [sic], eu já teria ido atrás de outro investidor há muito mais tempo e não correria riscos”, argumentou. Segundo ele, foi difícil encontrar novos investidores depois da saída de Vorcaro. O encontro com Vorcaro foi depois que o banqueiro passou a usar tornozeleira eletrônica e não poderia sair da cidade de São Paulo.
A popularidade do “filho 01” do antigo presidente caiu depois da divulgação de interações entre ele e o banqueiro. Na última semana, o portal de notícias The Intercept Brasil divulgou mensagens e um áudio do senador cobrando uma transferência de R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar a produção do filme biográfico, que tem um orçamento além de produções hollywoodianas.
Após a divulgação das mensagens, Flávio Bolsonaro confirmou ter recebido o dinheiro de Vorcaro, mas negou ter sido beneficiado diretamente com os valores milionários. Segundo ele, “o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”, sem envolvimento de dinheiro público ou utilização da Lei Rouanet. A produtora do filme, porém, negou que recebeu o dinheiro.
Com a divulgação, as intenções de votos no bolsonarista caíram. Nova pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19/5) mostra que Flávio caiu 5,4 pontos percentuais nas intenções de voto n o primeiro turno, totalizando 34,3% das sinalizações de voto e deixando com que o atual presidente pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha ampla vantagem, com 47% das intenções de voto.
A pesquisa não foi vista com bons olhos pela equipe da pré-campanha de Flávio. Horas depois da divulgação, a coordenação jurídica acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar o levantamento, argumentando que a metodologia adotada pelo instituto teria induzido os entrevistados a uma percepção negativa sobre o nome do Partido Liberal.
Segundo a solicitação, a ordem das perguntas e a vinculação entre o senador, Vorcaro e o Banco Master poderiam comprometer a imparcialidade da pesquisa e influenciar as respostas sobre imagem, rejeição e viabilidade eleitoral do pré-candidato.
Também nesta semana, o senador insinuou estar sofrendo perseguição política e argumentou que “não tem vaidade” de ser presidente, mas que sua candidatura se trata de “uma questão de sobrevivência do país”, seguindo o legado do pai.
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A reportagem procurou a assessoria de Flávio Bolsonaro para esclarecimentos acerca do encontro entre o pré-candidato e o banqueiro e aguarda retorno. O espaço segue aberto para quaisquer declarações.