CASO MASTER

PF rejeita proposta de delação de Daniel Vorcaro no caso Banco Master

Investigadores consideraram informações insuficientes e apontaram falhas nos requisitos de boa-fé exigidos para acordos de colaboração

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A Polícia Federal (PF) rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por considerar que as informações fornecidas não foram suficientes para justificar um acordo de colaboração no âmbito das investigações sobre fraudes envolvendo a instituição financeira.

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Segundo a avaliação de investigadores responsáveis pelo caso, os relatos entregues por Vorcaro não trouxeram elementos considerados relevantes e não avançaram além de provas que já haviam sido reunidas durante as apurações. Formalmente, o ex-banqueiro ainda pode apresentar novos fatos à própria PF ou tentar negociar diretamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR), na tentativa de viabilizar um acordo.

Vorcaro vinha discutindo uma colaboração conjunta com a PF e a PGR. No entanto, segundo uma pessoa diretamente envolvida no caso, sob reserva, os anexos apresentados pelo ex-banqueiro não incluíram fatos que constariam em seus próprios telefones celulares, apreendidos em fases da operação Compliance Zero.

Requisitos

Investigadores também apontam que Vorcaro não teria cumprido os requisitos de boa-fé previstos para acordos de delação premiada. A avaliação é que ele tentou justificar crimes atribuídos a ele, quando as regras da colaboração exigem que o delator admita integralmente os ilícitos de que participou e dos quais tenha conhecimento.

A defesa de Vorcaro sinalizou a investigadores que pretende buscar uma negociação direta com a PGR, sem a participação da PF. Para que isso ocorra, porém, os procuradores teriam de aceitar informações já rejeitadas pela Polícia Federal, além de obter a aprovação do ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

Devolução do dinheiro

Parte dos termos apresentados pelo ex-banqueiro também enfrenta resistência na PGR. Um dos pontos questionados é a proposta de devolução de cerca de R$ 40 bilhões ao longo de dez anos. A PF e a PGR, segundo as apurações, defendem o ressarcimento de R$ 60 bilhões em prazo menor, valor que seria referente a recursos desviados em fraudes no Banco Master.

Vorcaro é apontado como líder do esquema investigado. Os custos da quebra do Banco Master já superam R$ 57 bilhões, segundo dados divulgados. Desse total, R$ 51,8 bilhões correspondem a recursos que deverão ser ressarcidos a clientes pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mantido com aportes do sistema bancário. O valor final das perdas ainda não foi calculado.

Prisão

O ex-banqueiro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro do ano passado, quando tentava embarcar para o exterior no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A PF sustenta que ele tentava deixar o país, enquanto Vorcaro alegou que faria uma viagem para se reunir com investidores interessados na compra do Banco Master.

Ele foi solto dez dias depois, mas voltou a ser preso em 4 de março, em nova fase da operação Compliance Zero. Atualmente, está detido na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.

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Nesta semana, Vorcaro foi transferido para uma cela comum na superintendência da PF, em Brasília. Até então, ocupava a cela preparada para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar. O ex-banqueiro permanece na unidade desde 19 de março, quando comunicou ao ministro relator a intenção de firmar um acordo de delação premiada.

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