O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que se declara "autoexilado" nos Estados Unidos, afirma que a ligação entre o irmão e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, é um "falso escândalo".
A declaração foi feita no X (antigo Twitter), em compartilhamento de uma publicação de um perfil conservador que destaca que o caso só repercutiu devido à atenção dada por veículos de imprensa de direita e por políticos de direita rivais de Flávio na corrida presidencial de 2026, como o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo).
"O falso escândalo contra Flávio Bolsonaro só explodiu por causa do consórcio liberal e da 'direita permitida'. Eles se aliaram à esquerda em uma narrativa mentirosa, transformando atos legais e normas rotineiras em supostos crimes – exatamente como a esquerda sempre fez contra Bolsonaro", diz a publicação.
O post também ressalta que a repercussão se faz em meio à "mesma fábrica de fake news, só que com novos sócios", o que foi classificado pelo autor como "oportunistas de direita".
Nos comentários, um seguidor ironizou: "São R$ 134 milhões em dinheiro roubado, falso escândalo!". Já outro afirmou que "o bolsonarismo é muito ignorante".
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Ligação com Vorcaro para produção de filme
A popularidade do 01 do ex-presidente caiu depois da divulgação de interações entre ele e o banqueiro. Na última semana, o portal de notícias The Intercept Brasil divulgou mensagens e áudio do senador cobrando uma transferência de R$ 134 milhões de Daniel Vorcaro. O dono do Banco Master é investigado por fraudes financeiras, para financiar a produção de "Dark horse", filme biográfico de Jair Bolsonaro, com orçamento maior ao de produções hollywoodianas.
Após a divulgação das mensagens, Flávio confirmou ter recebido o dinheiro de Vorcaro, mas negou ter sido beneficiado diretamente com os valores milionários. Segundo ele, "o que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai", sem envolvimento de dinheiro público ou utilização da Lei Rouanet. A produtora do filme, porém, negou que recebeu o dinheiro.
Outra polêmica foi a visita de Flávio à casa do empresário um dia depois que ele foi solto da prisão, em novembro de 2025, quando o investigado usava tornozeleira eletrônica e não poderia sair de São Paulo (SP). Na ocasião, o senador deixou Brasília em 29 de novembro, foi a São Paulo e voltou no mesmo dia. O pré-candidato a presidente alegou que o encontro ocorreu exclusivamente para colocar um ponto final no contrato entre Vorcaro e a produção do filme.
A viagem foi reembolsada pelo Senado e criticada por apoiadores, inclusive o comentarista de direita Rodrigo Constantino, que defendeu que "Flávio Bolsonaro está fazendo de tudo para perder de Lula".
Investimento de Vorcaro
O filme é produzido pela Go Up Entertainment Ltda, empresa que só foi regulamentada na Agência Nacional do Cinema (Ancine) após ter firmado contrato milionário, conforme divulgado pelo Estado de Minas. Do total acordado, o empresário chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção do longa, que conta com grandes nomes como o ator Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus em "A paixão de Cristo". Ele atua no papel de Jair Bolsonaro em "Dark horse".
Em entrevista à TV Globo e ao GloboNews, Karina Gama, dona da Go Up, disse que o orçamento já utilizado no filme é de US$ 13 milhões – o que equivale a R$ 65,65 milhões. Com isso, o montante transferido pelo empresário representa 92% do orçamento atual da produção.
A produtora ainda argumentou que todo o dinheiro usado no filme veio do fundo Heavensgate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, que é aliado de Eduardo.
Investigações da Polícia Federal indicam que a empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Vorcaro, foi a fonte de recursos para o longa-metragem. Outra linha de investigação suspeita que o dinheiro investido pode ter custeado a estadia de Eduardo nos EUA.
Impacto no eleitorado
A ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro foi vista com maus olhos pelo eleitorado. Nova pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nessa terça-feira, mostra que o senador caiu 5,4 pontos percentuais nas intenções, totalizando 34,3% das sinalizações de voto. Candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma 47% das intenções de voto.
A pesquisa provocou questionamentos da equipe da pré-campanha de Flávio. Horas depois da divulgação da pesquisa, a coordenação jurídica acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para indagar o levantamento, argumentando que a metodologia adotada pelo instituto teria induzido os entrevistados a uma percepção negativa sobre o nome do Partido Liberal.
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Apesar disso, o PL nega que considera outros nomes para concorrer à presidência da República. Em nota, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, declarou que acredita que Flávio voltará a crescer nas pesquisas, com uma "força política e pessoal mais sólida do que nunca". Eduardo Bolsonaro também reforçou a declaração nas redes sociais. "Flávio é o candidato, nunca se cogitou outra coisa", escreveu no X.
