ELEIÇÕES 2026

Zema cobra explicações de Flávio, mas sinaliza apoio contra PT

Ex-governador mineiro suaviza discurso após críticas ao senador por relação com Daniel Vorcaro e diz estará ao lado do aliado em eventual segundo turno

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O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) afirmou que aguarda esclarecimentos do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em entrevista ao Poder360 nessa quarta-feira (20/5), Zema manteve as cobranças ao aliado, mas adotou tom menos duro após os ataques públicos trocados nos últimos dias.

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“Fiquei decepcionado quando ele disse que esteve com o banqueiro bandido. O Brasil precisa ter um líder de credibilidade. E ele precisa esclarecer tudo isso que aconteceu, o que até o momento não ocorreu”, pontuou o ex-governador.

Zema já vinha criticando Flávio desde a semana passada, após a divulgação de mensagens e áudios relacionados a negociações com Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na terça-feira (19/5), durante evento em Blumenau (SC), o ex-governador endureceu o discurso ao dizer que não havia “explicações convincentes” para a relação entre o senador e o banqueiro e afirmou que o Novo foi “traído” por não ter sido informado sobre a ligação.

Na ocasião, Zema também ironizou a proximidade entre Flávio e Vorcaro ao comparar a sua própria relação com o empresário. “Estranho, né? Eu moro em Belo Horizonte, a mesma cidade que esse banqueiro mora, e nunca o encontrei e nunca tive uma reunião com ele, morando na mesma cidade, no mesmo estado”, declarou.

Apesar das críticas, o ex-governador disse que ele e Flávio estarão no mesmo campo político em um eventual segundo turno da disputa presidencial de 2026. “Tenho certeza de que eu e Flávio estaremos no segundo turno. Quem estiver contra o PT, contará com o meu apoio”, afirmou.

Em meio às reações de aliados bolsonaristas, Zema minimizou as críticas que recebeu de integrantes do partido adversário. “Não me importo, não. O tempo é senhor da razão. Acho que isso faz parte da política, é alguém querer aparecer às custas dos outros”, declarou.

A crise entre os dois começou após Flávio reagir às declarações de Zema e afirmar, na semana passada, que o ex-governador foi “precipitado” ao criticá-lo publicamente. O senador disse ter tentado contato com o mineiro e afirmou que merecia “o benefício da dúvida”.

Troca de críticas

“Uma pessoa que é nova na política precisa entender que também tem uma grande responsabilidade de ajudar os brasileiros a se livrarem do PT. Acho que eu merecia, pelo menos da parte dele, o benefício da dúvida. Ele se equivocou em se antecipar e me pré-condenar. Eu jamais faria isso com ele”, disse Flávio em conversa com a imprensa, na última sexta-feira (15/5).

A troca de críticas também mobilizou outros integrantes da família Bolsonaro. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) acusou Zema de explorar politicamente o desgaste do senador, enquanto o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL) afirmou que o mineiro estaria “passando todos os limites”.

Nos bastidores, Zema vinha sendo citado por aliados bolsonaristas como possível nome para compor uma chapa presidencial com Flávio em 2026, hipótese que o ex-governador vinha rejeitando publicamente.

O embate ainda ganhou um novo capítulo após aliados de Flávio resgatarem a doação de R$ 1 milhão feita por Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ao diretório estadual do Novo em Minas Gerais nas eleições de 2022. Zema afirmou que os recursos foram destinados ao partido, declarados à Justiça Eleitoral e não tiveram relação com sua campanha de reeleição.

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“O dinheiro doado foi para o partido, não para mim. Nenhum centavo entrou na minha campanha. A doação para o partido foi em 2022, quando não havia nem mesmo suspeita contra Vorcaro. A PF só iniciou as investigações sobre o Banco Master em 2024”, afirmou o ex-governador em nota.

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