Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
Em Minas

Zema mira o inferno de Flávio para crescer

Zema lançou o novo petardo: já que é nome descartado para a posição de vice na chapa de Flávio Bolsonaro, identificou o momento de partir para o tudo ou nada

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Um dia depois da confirmação do PL de que irá se coligar ao Republicanos na sucessão mineira, afastando-se do governador Mateus Simões (PSD) e, no plano nacional, também distanciando-se de uma composição com o ex-governador Romeu Zema (Novo) no primeiro turno – Zema lança uma nova aposta. Ele, que já havia atacado o ex-aliado Ciro Nogueira pelo envolvimento no caso Master, chamando-o de “vendido”, viu a oportunidade de se destacar na corrida presidencial. Disparou agora contra outro ex-aliado, o filho do ex-presidente da República: “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando o dinheiro do Vorcaro é imperdoável, é um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, afirmou.

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O mineiro parece disposto a queimar as caravelas desenhadas para águas bolsonaristas. Tem um motivo. Os mais recentes levantamentos de intenção de voto seguem apontando para a cristalização de uma polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, que não deixa espaço para as candidaturas alternativas. Mesmo estando na órbita ideológica do bolsonarismo, Zema lançou o novo petardo: já que é nome descartado para a posição de vice na chapa de Flávio Bolsonaro, identificou o momento de partir para o tudo ou nada. Ainda que isso lhe custe o “repúdio” definitivo da base leal bolsonarista e da família.


Zema mirou a artéria: há um escândalo, que atinge o filho do ex-presidente, que é o seu grande empecilho para performar na sucessão presidencial. Agarrou o cavalo arriado, sem considerar os detalhes da estrada. E vai tentar puxar Mateus para a garupa. O raciocínio político é: se o PL vai mal no plano nacional, não será boa companhia em Minas. Vale o mesmo para a poderosa Federação União Progressista, que sem o senador Rodrigo Pacheco (PSB) na disputa, poderá aterrissar na coligação de Cleitinho. É a versão mineira da “Raposa e as Uvas”, fábula atribuída a Esopo e reescrita por Jean de La Fontaine.


Na montanha russa de desgastes do Master ainda por vir, Zema aposta que poderá encontrar um cenário de “terra arrasada” semelhante àquele que o projetou ao governo de Minas em 2018. Apenas em tal contexto de desalento e descrédito das instituições e candidaturas, a sua estratégia discursiva encontrará solo fértil para germinar. Como o outro lado também costuma pensar, dois outros candidatos do campo da direita também reagiram. Mais moderado, Ronaldo Caiado (PSD) pediu “clareza” e “transparência” a Flávio Bolsonaro. E Renan Santos (Missão) mencionou a prisão do senador.


O escândalo da vez borra a imagem que Flávio Bolsonaro trabalhava para construir: o conservador “honesto”, pai de família, moderado. Não lhe caiu bem pedir dinheiro para este que hoje se tornou o maior fraudador da história do sistema bancário brasileiro. Foi dia de turbulências. O dólar subiu. A bolsa caiu. É a clássica reação dos mercados aos solavancos da política. E a menos de cinco meses das eleições, até aqui uma rinha dura de empates técnicos, entre oscilações sem relevância estatística entre um survey e outro entre dois pré-candidatos campeões de rejeição, serão muitos até 4 de outubro. Nada é definitivo numa sucessão presidencial pautada em rejeições.


O áudio que circula extraído do celular de Daniel Vorcaro associado ao contato de Flávio Bolsonaro, ainda está sob análise da Polícia Federal. Mas o próprio Flávio Bolsonaro veio a público confirmá-lo. Disse que pedia um “patrocínio”. As mensagens revelam grande proximidade entre o senador e Vorcaro. As cifras envolvidas na conversa – segundo o The Intercept Brasil –, de R$ 134 milhões, destinadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, para a promoção de Jair Bolsonaro – gera mal-estar entre bolsonaristas raiz: transforma a reunião de Lula e Vorcaro no Palácio do Planalto no final de 2024 em algo “menor”. Só não chega a ofuscar a gravidade do contrato de R$ 129 milhões do banqueiro com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, porque Moraes já é personagem carimbada pelo bolsonarismo.


Desta vez, foi Flávio Bolsonaro o engolfado pelo conteúdo do primeiro telefone celular do banqueiro, apreendido pela Polícia Federal, na primeira fase da Operação Compliance Zero. Há outros.


Contas

Sara Meinberg, a nova procuradora-geral do Ministério Público de Contas do Estado de Minas Gerais (MPC-MG) irá assumir as suas funções em 1º de junho, para mandato de dois anos. Ele foi escolhida pelo governador Mateus Simões (PSD) entre os indicados da lista tríplice apresentada pelo órgão. Sara Meinberg é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e possui pós-graduação em Poder Legislativo pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Procuradora do MPC desde 2011, também atuou na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e na advocacia privada, com experiência nas áreas de Direito Constitucional, Administrativo, Tributário e controle da administração pública.

Repercussão

“Fui o primeiro a criticar a aproximação do deputado Nikolas Ferreira (PL) com Mateus Simões (PSD), um governo que deu as costas para a segurança pública”, disse o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), em comemoração à decisão das direções nacional e estadual do PL de anunciar para a sucessão estadual a coligação com o Republicanos, legenda do senador Cleitinho. Caporezzo foi o idealizador, na Assembleia Legislativa, da frente em apoio à pré-candidatura do senador Cleitinho. Da bancada do PL, além de Caporezzo, integram a essa frente os deputados estaduais Bruno Engler, Eduardo Azevedo (irmão do senador Cleitinho) e Sargento Rodrigues.

Transação administrativa

A Assembleia Legislativa aprovou em segundo turno o projeto de lei 924/2023, de autoria do deputado estadual Caporezzo (PL) que altera o Código de Ética e Disciplina dos Militares do Estado de Minas Gerais (PL 14310/2002), para prever hipóteses em que é cabível a aplicação de transação administrativa disciplinar a militares a quem seja imputada a prática de infrações disciplinares leves ou médias. Trata-se de acordo firmado entre o militar transgressor e a autoridade competente para lhe aplicar as sanções disciplinares previstas no Código, em que o transgressor se compromete a cumprir determinada medida para se evitar a aplicação da sanção disciplinar decorrente de processo administrativo.

Conselho de ética

O PLlevou o prefeito de Pará de Minas, Inácio Franco (PL) aa Comissão de Ética e Disciplina da legenda após ele ter declarado apoio à pré-candidatura de Marília Campos (PT) ao Senado Federal. Em nota, a executiva estadual mineira entendeu que a postura do prefeito pode configurar “descumprimento inequívoco” das diretrizes da executiva nacional.


Anel Rodoviário

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Um dia depois do acidente envolvendo uma carreta desgovernada e outros 12 veículos no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, a Prefeitura publicou, no Diário Oficial do Município (DOM), um aviso de licitação para contratação de obras de recuperação e reabilitação da parte municipalizada da via. O edital foi divulgado nesta quarta-feira 13, e estima investimento de R$ 137,1 milhões.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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