PL entre Roscoe, Medioli e Cleitinho
Flávio Bolsonaro acerta ao sugerir que gostaria de ter uma mulher como vice: não é garantia, mas poderá melhorar o seu desempenho junto ao eleitorado feminino
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O cenário da cristalização de posições políticas da sucessão presidencial deu o tom de uma série de cenários eleitorais mensurados pelo PL do senador Flávio Bolsonaro (RJ) destinados a avaliar qual seria o melhor perfil para a composição da candidatura a vice em sua chapa. Foram testadas três mulheres – a deputada federal, Clarissa Tércio (PP-PE), a senadora e ex-ministra da Agricultura no Governo Bolsonaro, Tereza Cristina (PP/MS), a deputada federal Simone Marquetto (PP/SP) – além do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Todos os quatro nomes apresentaram potencial limitado para ampliar as intenções de voto de Flávio Bolsonaro, que encabeça a chapa. Um resultado esperado: a pesquisa quantitativa avaliou chapas encabeçadas por Flávio Bolsonaro, que dá o contorno de um dos polos da disputa nacional binária, em cenários com diferentes nomes de vices desconhecidos do grande eleitorado.
Levantamentos de diferentes institutos indicam, em diferentes simulações de segundo turno entre Lula e os candidatos da oposição, resultados muito próximos, seja quem se apresente como o opositor de Lula. Mesmo em Minas Gerais, considerada uma “amostra natural” do país, as pesquisas em simulação de primeiro turno seguem repetindo a lógica nacional – Lula e Flávio Bolsonaro lideram a corrida – com Romeu Zema performando um pouco melhor do que no âmbito nacional, mas, sem superar Flávio Bolsonaro em seu próprio estado.
Tais estatísticas sugerem ao PL que a definição de sua chapa nacional, neste momento, passa muito mais por uma discussão qualitativa do que por novos levantamentos de survey. Flávio Bolsonaro acerta ao sugerir que gostaria de ter uma mulher como vice: não é garantia, mas poderá melhorar o seu desempenho junto ao eleitorado feminino, que no pleito de 2018, mas principalmente, no de 2022, representou uma barreira de resistência à mensagem do bolsonarismo.
Esse é um fenômeno mundial: mantida a religião sob controle – porque isoladamente ela tem um impacto – em diferentes países, as mulheres têm registrado um comportamento eleitoral de maior resistência em relação aos homens às narrativas ultraconservadoras e que reafirmam a expressão do patriarcado em detrimento de uma perspectiva de igualdade.
Por tudo isso, as chances de Flávio Bolsonaro se inclinar por Zema como vice em sua chapa são, neste momento, baixas. À cristalização do comportamento eleitoral apontados pelas pesquisas, soma-se o fato de o ex-governador mineiro ter, aparentemente, optado por uma estratégia discursiva de radicalização em sua pré-campanha presidencial.
Além das declarações recentes que sugerem respaldo ao trabalho infantil, entre as polêmicas acumuladas por Zema em seu histórico, estão as falas sobre os nordestinos, comparados a “vaquinhas que produzem pouco”. Flávio Bolsonaro quer passar a mensagem de que, diferentemente do pai, seria um “Bolsonaro moderado”. Zema não contribui para essa imagem.
E se o ex-governador de Minas não é o escolhido, isso tem impacto sobre as composições no estado. Em primeiro lugar inviabiliza o apoio do PL mineiro à reeleição do governador Mateus Simões (PSD): além de sustentar o palanque de Romeu Zema, ele também irá carregar, na campanha o mesmo número 55, do presidenciável Ronaldo Caiado (PSD).
Se a opção Mateus perde força, o PL se vê diante de dois possíveis caminhos: o lançamento da candidatura própria – e estão postos o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe (PL) e o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli – ou o apoio à candidatura do senador Cleitinho – e nesse cenário, o PL indicaria a posição de vice. Nas duas hipóteses Flávio Bolsonaro teria palanque próprio em Minas.
Para além de definir a sua candidatura ao Palácio Tiradentes, o PL também está diante do desafio de unificar o palanque com Cleitinho. Se for o candidato, Flávio Roscoe, tenta, por um lado, convencer o senador a não concorrer, para que, em contrapartida, ele indique o vice em sua chapa. Por outro lado, interlocutores de Cleitinho sugerem uma chapa encabeçada pelo senador, tendo Flávio Roscoe ou Vittorio Medioli como vice – aliando a perspectiva da popularidade com a da gestão administrativa.
Plano B
A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), segue na expectativa da candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo de Minas. Mas, na hipótese de ela não acontecer – o que no PT já é interpretado como o desfecho mais provável – Marília Campos defende que o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) seja o candidato. Reunião entre lideranças do PT e do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) concluiu que a se consolidar o cenário da não candidatura de Pacheco, caberá a Lula resolver o palanque no estado.
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Emendas Pix
Cento e doze das 125 transferências de emendas pix da União, que somaram R$ 497 milhões destinados a 42 municípios de 21 estados e no Distrito Federal, apresentaram algum tipo de fragilidade ou irregularidade. A auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) envolveu a Rede Integrar, vinculada à Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil, com a participação de outros 28 tribunais de contas. O objetivo foi verificar se o uso do dinheiro ocorre de forma transparente, rastreável e regular, e se os governos locais têm capacidade de planejar e controlar a utilização dos recursos. Os principais problemas identificados se relacionam com deficiência de controle, falhas de planejamento, dificuldades de rastreabilidade dos recursos e irregularidades na execução das emendas pix.
E a transparência?
Criado pelo TCU, o Indicador de Transparência Ativa das Transferências Especiais (Taep), resultou em uma média de apenas 26,7 pontos em uma escala de até 100 pontos, desempenhado classificado como “baixo”. Muitos governos locais não seguiram as normas estabelecidas pela Secretaria do Tesouro Nacional para gerenciar esses recursos. Isso compromete tanto o controle social (fiscalização feita pela população) quanto o controle institucional (realizado pelos órgãos de fiscalização). Na análise da execução, foram encontradas, por exemplo, situações com indícios de superfaturamento e sobrepreço, e utilização de recursos de emendas pix em situações vedadas pela legislação. Os resultados da auditoria serão compartilhados com o Supremo Tribunal Federal (STF), para instrução da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854/DF, que tramita naquela Corte sob a relatoria do ministro Flávio Dino.
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Exame da OAB
As seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) não podem figurar no polo passivo de ações contra o Exame de Ordem Unificado, condição indispensável para o ingresso nos quadros da OAB e, por consequência, para o exercício da advocacia no Brasil. O TRF-6 fixou a tese de que, sendo regulado e executado sob responsabilidade exclusiva do Conselho Federal da OAB (CFOAB), as seccionais da OAB, em todo o país, conferem apenas apoio logístico e administrativo para a aplicação do Exame de Ordem Unificado, sem qualquer atribuição decisória.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
