Zema aposta em quedas no STF e fala em corte de meio milhão de servidores
Presidenciável pelo Novo, o ex-governador de Minas participou, junto com o governador gaúcho Eduardo Leite, do PSD, de um almoço promovido por PlatôBR, Brazil Journal e Metro Quadrado
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NOVA YORK O Brasil vem seduzindo os investidores internacionais. O problema: a maioria está mais interessada no segundo maior juro real do mundo e não em financiar crescimento, inovação e apostas de longo prazo
O juro estratosférico é o resultado direto de nossas aventuras fiscais e, se o próximo Governo não agir, o custo ainda vai aumentar.
Esta é a mensagem mais ouvida durante o Brazil Week @ the Journal, o almoço promovido pelo Brazil Journal, Metro Quadrado e PlatôBR como parte da Brazil Week em Nova York.
O principal desafio do próximo presidente, ou do próximo mandato, são as contas públicas, Guilherme Benchimol, o fundador e chairman da XP, disse ao chegar no evento. Temos uma dívida elevada e uma carga tributária muito alta, que têm sido os maiores entraves para os empreendedores continuarem investindo.
Romeu Zema e Eduardo Leite apresentaram diferentes visões para o Brasil e a eleição deste ano, mas convergiram num ponto sensível para a plateia de 100 empresários e investidores: a necessidade de previsibilidade.
Em pré-campanha, o ex-governador de Minas Gerais manteve seu estilo sincericida.
Defendeu mudanças no processo de escolha dos ministros do STF e disse que a próxima composição do Senado vai aprovar o impeachment de pelo menos dois ministros da Corte.
A situação deles é a daquelas árvores que perdem as folhas, perdem a vida, e ainda ficam de pé mas é só questão de tempo para que os cupins ou uma ventania mais forte uma hora as coloque abaixo, e eles serão expelidos do Supremo, disse (…)
Podemos esperar que isso venha por uma renovação no Senado, da Câmara Federal, mas é insustentável para uma instituição que tem credibilidade deixar esses elementos lá dentro. Eles não vão continuar, e nós vamos ter uma guinada nessa eleição muito maior do que está se prevendo.
Zema também voltou a defender uma agenda de reforma administrativa e enxugamento da máquina pública e lembrou que pegou o Estado com um déficit anual de R$ 11 bilhões e entregou com superávit de R$ 4 bilhões. Como parte desse ajuste, exonerou 50 mil servidores.
Se nós guardarmos as devidas proporções, seria como se no Brasil nós reduzíssemos meio milhão. O País precisa de uma reforma administrativa, que eu vou levar adiante, disse.
Já o governador do Rio Grande do Sul criticou tanto a visão de estado do presidente Lula quanto a falta de clareza do bolsonarismo.
Nenhum dos dois me representa, disse, ao ser questionado sobre um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O presidente acredita que quanto mais o Estado gastar, mais vai estimular a economia, é assim que ele governa, disse. Apostam num Estado que cria subsídios, subvenções a todo tempo para compensar as próprias distorções que o Estado brasileiro causa.
Do outro lado, Leite disse que o senador Flávio Bolsonaro não tem um projeto de País. Segundo ele, não é possível apostar em um novo Posto Ipiranga e terceirizar a agenda econômica.
O cara tem que liderar o processo, ter capacidade política, articular e ter convicção técnica. Você não precisa ser um expert, não precisa ter um Nobel de economia para poder liderar, mas precisa ter uma convicção profunda para poder sustentar essa agenda.
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Leite disse que apoia Ronaldo Caiado porque, dentro do espectro das candidaturas que estão postas, é aquele que eu vejo com capacidade de gestão e com a habilidade política para liderar esse processo.