PL escanteia Simões e decide construir aliança com Republicanos em Minas
Após meses de aproximação conduzida por Nikolas, o partido muda de rota, escanteia o projeto de Simões e deve bater o martelo sobre o nome nos próximos dias
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O PL decidiu deixar em segundo plano, ao menos por ora, a possibilidade de composição com o vice-governador Mateus Simões (PSD) e concentrar esforços na construção de uma aliança com o Republicanos para as eleições em Minas Gerais. O nome que representará o grupo na disputa estadual deve ser anunciado nos próximos dias.
A definição foi consolidada nesta terça-feira (12/5), durante reunião da cúpula da legenda em Brasília, que contou com a presença do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato da legenda à Presidência da República, e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
A decisão foi confirmada ao Estado de Minas pelo novo presidente estadual do PL mineiro, o deputado estadual Zé Vitor, que assumiu o comando da legenda nessa segunda-feira (11/5) para permitir que o deputado federal Domingos Sávio se dedique integralmente à pré-campanha ao Senado.
Em entrevista após o encontro da executiva, Zé Vitor afirmou que a conjuntura nacional, sobretudo diante da definição do governador em exercício de apoiar a eventual candidatura presidencial de seu padrinho político, Romeu Zema (Novo), inviabilizou o avanço das negociações, embora tenha ressaltado que Simões ainda tem “respeito” dentro da legenda.
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A avaliação interna é de que Minas não pode repetir o cenário de 2022, quando a direita chegou fragmentada ao primeiro turno. Naquele pleito, o então governador Zema caminhou separado do ex-presidente Jair Bolsonaro e declarou seu apoio apenas no segundo turno.
“A conjuntura nacional está nos impedindo de avançar em uma composição com Mateus Simões, que tem nosso respeito. Caso haja um grande arranjo nacional, podemos discutir algum conjunto no futuro. Mas, neste momento, definimos por construir um projeto entre PL e Republicanos em Minas”, afirmou ao EM.
Esse novo rumo para as articulações já começou a se refletir nas movimentações desta terça-feira. Antes mesmo da reunião da cúpula do partido, integrantes do PL tiveram um encontro com o senador Cleitinho Azevedo, hoje o principal nome do Republicanos para a disputa ao governo mineiro. A conversa ocorreu em meio à tentativa de consolidar um palanque unificado da direita para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país.
Sem antecipar quem será o nome do grupo para a disputa estadual, Zé Vitor afirmou que a definição deve ocorrer nos próximos dias e reforçou que a construção entre PL e Republicanos já está pactuada. “Nada definido sobre o nome, mas a definição é que estaremos juntos em Minas”, declarou.
A composição também passa pelo nome do ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que também estava na lista de convocados para a reunião. Recém-filiado ao partido, Roscoe tem defendido publicamente a tese de candidatura própria.
“Eu coloco meu nome à disposição, mas de mim não depende. Eu quero contribuir com o processo”, declarou em coletiva de imprensa. Outro nome que circula nos bastidores entre as alternativas avaliadas pelo grupo é o do ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli.
Derrota para Nikolas?
A decisão representa uma inflexão no posicionamento do partido. Desde o início do ano, o deputado federal Nikolas Ferreira vinha atuando diretamente para aproximar o entorno de Jair Bolsonaro do agora governador de Minas. Em um encontro autorizado pela Justiça, em fevereiro, o parlamentar levou pessoalmente o nome de Simões ao ex-presidente na mesma conversa em que, segundo relatos do próprio Nikolas, recebeu aval para assumir o protagonismo das decisões eleitorais do partido no estado.
A partir dali, Nikolas e Simões passaram a dividir agendas públicas com frequência. O parlamentar bolsonarista participou de entregas de obras, anúncios de recursos e compromissos públicos ao lado do então vice-governador, até mesmo em um périplo pelo interior de Minas, em uma movimentação que, embora nunca oficialmente apresentada como uma aliança fechada, era vista nos bastidores como o embrião de uma composição eleitoral para 2026.
A aproximação, no entanto, começou a gerar desgaste dentro do próprio PL. Integrantes da ala ligada às forças de segurança passaram a demonstrar desconforto com a exposição conjunta entre Nikolas e o grupo político de Romeu Zema (Novo), sobretudo diante do desgaste acumulado pela atual gestão junto às categorias da segurança pública. O incômodo ganhou corpo nas redes sociais e também nos bastidores da Assembleia Legislativa.
O deputado estadual Cristiano Caporezzo chegou a acusar Nikolas, publicamente, de “fazer mais” por Simões do que pelo senador Flávio Bolsonaro. Criticou ainda o que chamou de “decisões solo” do parlamentar federal e afirmou que ele deixou de ouvir outros integrantes do Direita Minas, movimento conservador do qual ambos emergiram politicamente.
A relação entre Nikolas e Simões, no entanto, esfriou mais recentemente após uma articulação envolvendo a pauta da recomposição salarial das forças de segurança. Depois de o agora governador anunciar apoio à PEC 40/2024, no mês passado, Nikolas marcou um almoço com representantes sindicais da categoria, selou uma reunião entre Executivo e as lideranças, e depois saiu de cena.
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Em entrevista, tratou de afastar interpretações de que estaria construindo uma aliança eleitoral com Simões. “O encontro é para que isso fique com as entidades, que são as que vêm lutando. Eu simplesmente sou a ponte para conectar um com os outros. Não é pra eleger um ou reeleger o outro”, disse, à época.