A aproximação entre o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vice-governador Mateus Simões (PSD), que assume o comando do Estado no próximo dia 22, passou a provocar ruído dentro da própria base governista na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Leia Mais
Nos bastidores, deputados relatam incômodo com a dinâmica das viagens e entregas realizadas pelo futuro governador ao lado do parlamentar bolsonarista. A principal queixa é a percepção de que demandas encaminhadas por Nikolas estariam sendo priorizadas, inclusive quando coincidem com solicitações antigas feitas por parlamentares da base. Em alguns casos, aliados afirmam que pedidos protocolados há meses teriam sido ignorados, enquanto pautas apresentadas mais recentemente pelo deputado federal avançaram com maior velocidade.
Simões diz que aumento do funcionalismo tem que ser aprovado até dia 3
Outro ponto que alimenta o desconforto é a presença, nas agendas pelo interior, de pré-candidatos ligados politicamente a Nikolas. A leitura feita por integrantes do governo é que as visitas têm servido não apenas para entregas administrativas, mas também como vitrine para a construção de palanques regionais. O movimento ganhou novo fôlego depois que o deputado disse ter recebido o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro para organizar as candidaturas da chapa em Minas.
A parceria tem caráter pragmático. Para Simões, a associação com o parlamentar amplia alcance e visibilidade, impulsionada pela forte presença digital de Nikolas. Para o deputado, a participação em agendas institucionais contribui para consolidar uma imagem menos restrita ao ambiente das redes sociais e mais vinculada à execução de políticas públicas e à destinação de emendas.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Ainda assim, o equilíbrio dessa relação tende a ser um dos primeiros testes políticos do novo governo. Se, por um lado, a dobradinha rende dividendos de comunicação e articulação eleitoral, por outro expõe fissuras internas e amplia a disputa por protagonismo dentro da própria base aliada.