Deputado acusa Cleitinho, Nikolas e Michelle de desinformação no caso Ypê
Correia pede que eles sejam investigados pela PGR por transformar um alerta sanitário em campanha política, incentivando a população a desconsiderar a medida
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O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, protocolou nesta terça-feira (12/5) uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a investigação do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do empresário Luciano Hang, proprietário da rede de lojas Havan por "desinformação sanitária".
No pedido, ele acusa os quatro de disseminar desinformação, transformando um alerta sanitário em campanha política. De acordo com a representação, eles teriam incentivado a compra e o uso dos produtos Ypê, além de questionar a atuação das autoridades sanitárias.
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O caso envolve uma decisão recente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que determinou, na semana passada, o recolhimento e a suspensão do uso de produtos Ypê fabricados na unidade de Amparo (SP). A medida foi adotada após a identificação de possível contaminação microbiológica, atribuída a falhas no controle de qualidade da fábrica. Os produtos sob alerta são detergentes para louças, lava-roupas líquido e em pó, e desinfetantes, de um lote com numeração com final 1.
A decisão gerou forte reação de apoiadores de Jair Bolsonaro, que passaram a acusar a Anvisa de perseguição política. As críticas se baseiam na alegação de que integrantes da família proprietária da empresa teriam feito doações à campanha de Bolsonaro em 2022.
Na representação enviada à PGR, Correia sustenta que os investigados participaram da “difusão digital de desinformação sanitária” ao levantar suspeitas sobre a medida da Anvisa e associá-la a motivações políticas ou interesses econômicos. Segundo o parlamentar, as manifestações podem ter levado parte da população a ignorar orientações de saúde pública.
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O documento aponta, em tese, possível enquadramento nos crimes de exposição da vida ou da saúde a perigo e incitação ao descumprimento de medida sanitária. “A conduta é especialmente grave porque partiu de pessoas com enorme alcance digital, capacidade de indução de comportamento coletivo e influência sobre milhões de seguidores”, afirma o deputado na representação.