Um requerimento que pedia a adoção de “medidas extraordinárias” para a segurança de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso na Penitenciária Federal de Brasília, foi aprovado na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados nessa terça-feira (17/3). A justificativa é o risco de investidas contra a integridade do empresário quem podem impedir delações.

Vorcaro foi preso preventivamente em 4 de março, no âmbito da terceira fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), após decisão do relator do caso que apura fraudes bilionárias e lavagem de dinheiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça

No documento, apresentado pelo deputado federal republicano Messias Donato (ES), são citados os indícios de que o investigado tinha uma espécie de milícia pessoal, conhecida como “A Turma”, que monitorava, intimidava e ameaçava desafetos. 

O líder do grupo era o Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “sicário” -- palavra em latim que significa matador de aluguel. Foi para ele que o banqueiro pediu para simular um assalto e "quebrar todos os dentes" do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Sicário tentou suicídio na Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) em Minas Gerais, em Belo Horizonte, e morreu dias depois com morte cerebral.

Donato também cita os elementos que sugerem acesso indevido de dados e sistemas sensíveis de órgãos estatais, “o que revela capacidade operacional incomum e amplia o risco de interferências externas e retaliações no curso das apurações”. 

Para o deputado, a prisão de Vorcaro pode acentuar a possibilidade de investidas contra a integridade do banqueiro, de modo a impedir futuras delações de informações sobre métodos, cadeia de comando, participantes e as conexões com políticos e magistrados. 

Um exemplo da possível relação do empresário com os Três Poderes são mensagens enviadas por ele a um número funcional do STF. As conversas vieram à tona após revelação da colunista Malu Gaspar, de O Globo, que apontou que quem estaria recebendo as mensagens era o ministro Alexandre de Moraes. No diálogo, Vorcaro pergunta “Conseguiu bloquear?”, no dia em que foi emitida a ordem de prisão preventiva dele, em novembro de 2025.

O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, confirmou que as mensagens foram direcionadas a um número funcional, mas disse que é necessário que a própria Corte identifique, oficialmente, quem usava o aparelho no momento da conversa. 

No requerimento, o republicano argumentou que tanto antigos associados quanto terceiros que têm interesse de manter fatos ocultos, inclusive autoridades dos Três Poderes, podem ter o empresário como alvo. “Por sua excepcionalidade, estamos diante de ambiente de forte pressão e instabilidade, o que recomenda cautela redobrada quanto à segurança do Sr. Vorcaro e das pessoas sob custódia do Estado, relacionadas ao mesmo núcleo investigado”, alegou.

Prisões de Vorcaro

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, quando tentava embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. À época, a Polícia Federal apontou indícios de risco de fuga em meio a investigações de fraudes bancárias. 

A última prisão ocorreu no mesmo dia em que o banqueiro era aguardado para prestar depoimento à CPI do Crime Organizado, em Brasília (DF). Ele não foi o único alvo da Operação Compliance Zero: o cunhado dele, o pastor ligado à Igreja Batista da Lagoinha, Fabiano Zettel, também teve um mandado de prisão e se entregou à polícia; outros dois investigados também foram presos e 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Minas Gerais e São Paulo.

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Segundo as investigações, o grupo é suspeito de envolvimento em um esquema bilionário de fraudes financeiras baseadas na comercialização de títulos de crédito supostamente falsos. A apuração federal também abrange possíveis crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

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