CASO MASTER

Vorcaro priorizava fundos e renda fixa em portfólio de investimentos

Banqueiro também aplicava em poupança e capitalização; documentos apontam que bancos e corretoras pagaram ao empresário R$ 71,4 milhões em rendimentos

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BRASÍLIA, DF E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O banqueiro Daniel Vorcaro mantinha um portfólio variado de investimentos em bancos próprios e rivais antes de ser preso preventivamente no âmbito da investigação sobre fraudes financeiras no Master, de acordo com dados do Fisco enviados à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS e obtidos pela reportagem.

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Os documentos apontam que bancos e corretoras declararam ter pago ao banqueiro R$ 71,4 milhões em rendimentos entre 2016 e 2024. Do total, R$ 11,7 milhões foram descontados em imposto de renda.

O banqueiro manteve investimentos em ao menos 12 instituições financeiras durante o período. A maior parte dos rendimentos foi proveniente do próprio Banco Master, que declarou ter pago ao todo R$ 30,9 milhões a Vorcaro. Em seguida aparecem XP, com R$ 13,9 milhões; e BTG, com R$ 11,6 milhões.

Os dados mostram que 75% dos rendimentos foram provenientes de investimentos em renda fixa em bancos próprios, como Master e Máxima, e de outras instituições, como Bradesco, BTG e XP. Os rendimentos provenientes de aplicações de renda fixa somaram R$ 53,2 milhões. O mais lucrativo foi do próprio Banco Master, que declarou pagamento de R$ 12,3 milhões a Vorcaro.

O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado. A medida é aplicada quando o BC avalia que a situação da instituição financeira é irrecuperável. Nesse caso, o funcionamento da instituição é interrompido e ela é retirada do sistema financeiro nacional.

O Banco Máxima, que também foi liquidado pelo Banco Central, disse ter pago ao todo quase R$ 10,4 milhões de renda fixa a Vorcaro. Já o competidor BTG pagou R$ 7,5 milhões, dos quais R$ 5 milhões foram frutos de um único investimento. A B3, Bolsa de Valores brasileira, disse ter pago R$ 362 mil em renda fixa a Vorcaro.

Os investimentos de renda variável somaram R$ 11,7 milhões dos rendimentos declarados. Bancos e corretoras também disseram ter pago a Vorcaro R$ 5,7 milhões provenientes de fundos de investimento, além R$ 725 mil decorrentes de planos de previdência privada e R$ 13,7 mil de títulos de capitalização, em especial do Bradesco.

O banqueiro investia em fundos de investimento em setores variados, como ligados ao setor imobiliário, elétrico e de infraestrutura. Em 2024, ele recebeu cerca de R$ 386 mil de um fundo de ativos imobiliários e mais de R$ 124 mil de um fundo de infraestrutura, ambos sediados no BTG Pactual.

Em planos de previdência, os principais valores foram oriundos do Bradesco, que declarou ter pago R$ 504 mil ao todo; e do Itaú, que afirmou que pagou R$ 175,7 mil.

Concursos e sorteios

Nos títulos de capitalização, os maiores rendimentos foram declarados pelo Bradesco, com R$ 6,6 mil e R$ 4,8 mil. Ao todo, o banco declarou ter pago R$ 13,2 mil a Vorcaro por prêmios obtidos em concursos e sorteios.

Vorcaro também mantinha contas poupança em ao menos dois bancos. Ao fim de 2024, ele declarou manter R$ 596,6 mil reais em uma conta no banco Safra e R$ 77,7 mil no Bradesco. A poupança do Safra rendeu a ele R$ 39 mil ao longo daquele ano.

A análise feita pela reportagem considerou os rendimentos declarados na DIRF (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte) como pagos a Vorcaro por bancos, corretoras e bolsa de valores a partir de investimentos.

Os números não consideram rendimentos provenientes de trabalho assalariado, pagamento de dividendos por empresas ou outros investimentos que não tenham sido citados nas DIRF referentes ao período de 2016 a 2024. Também foram desconsideradas contas que renderam menos de R$ 1.

Segundo os documentos, Vorcaro recebeu R$ 1,7 milhão de remuneração salarial do Banco Master em 2024. O valor mensal de salário foi de R$ 96 mil de janeiro até agosto, e subiu para R$ 100,6 mil mensais a partir de setembro.

Operação Compliance Zero

Daniel Vorcaro foi preso preventivamente no início de março, em nova fase da operação Compliance Zero. A ação policial também atingiu dois servidores do Banco Central e Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, entre outros.

A determinação de prisão preventiva foi do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que se tornou relator dos inquéritos relacionados ao caso.

A decisão foi tomada porque a Polícia Federal encontrou no celular do ex-banqueiro mensagens que citam intenção de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, de O Globo, como forma de intimidação. Segundo as investigações, o ex-banqueiro mantinha uma milícia privada chamada "A Turma" com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos.

O dono do BTG, André Esteves, é citado em conversas de Vorcaro acessadas pela Folha de S. Paulo. Em 7 de abril de 2025, ele disse à então namorada, a influenciadora Martha Graeff, que "esse negócio de banco" é "igual máfia" e que "ninguém" saía "bem".

Questionado por Martha como tinha sido o dia, o ex-banqueiro respondeu, por volta das 23h, que tinha sobrevivido, mas que estava "na adrenalina" e "ainda na guerra". Segundo ele, "André", em possível menção a Esteves, "baixou a guarda" e os "ataques" teriam diminuído.

"Não sei se passou. Preciso chegar ao final. Como fiquei muito exposto ficou muito arriscado. Mas tá (sic) caminhando pra resolver", declarou.

 Na época das mensagens entre Vorcaro e a namorada, reportagens relataram que Esteves negociava uma proposta que envolvia o uso do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para cobrir problemas de lastro que pudessem aparecer nas operações de risco do Master e a compra pelo BTG de cerca de R$ 3 bilhões da carteira de precatórios (dívidas judiciais de órgãos públicos) do banco.

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Novas mensagens de Vorcaro recebidas pela CPI do INSS relatam que o banqueiro teria reclamado com frequência a interlocutores sobre as dificuldades que ele estaria enfrentando ao tentar viabilizar operações para salvar o Master. As mensagens foram lidas por parlamentares da CPI, como o deputado Evair de Melo (PP-ES), e relatadas à imprensa. (* Com Laura Scofield, Júlia Galvão, Carolina Linhares, Isadora Albernaz, Mateus Vargas e Raphael Di Cunto)

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