Vorcaro mandou "quebrar todos os dentes" de jornalista, diz PF
Mensagens obtidas pela Operação Compliance Zero mostram dono do Banco Master ordenando ataques físicos e monitoramento contra profissionais da imprensa
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Preso na manhã desta quarta-feira (4/3), em São Paulo, Daniel Vorcaro teve a prisão preventiva fundamentada em mensagens extraídas do celular dele no âmbito da Operação Compliance Zero. A decisão foi assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, com base em representação da Polícia Federal (PF).
De acordo com a decisão, diálogos mantidos por aplicativo de mensagens indicam que o empresário teria autorizado a prática de agressões contra um jornalista. Em uma das conversas, Vorcaro escreve que queria “mandar dar um pau” e “quebrar todos os dentes” do profissional, sugerindo que a ação fosse simulada como um assalto. O interlocutor, identificado nas investigações como Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, respondeu perguntando se poderia executar a ação, recebendo confirmação.
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A Polícia Federal sustenta que as mensagens indicam planejamento de violência com a finalidade de intimidar alvos considerados adversários. O nome do jornalista não foi divulgado nos autos, mas, segundo o jornal O Globo, o banqueiro se referia ao colunista Lauro Jardim.
"O GLOBO repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava 'calar a voz da imprensa', pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público", disse o veículo, em nota.
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As investigações também descrevem a existência de um grupo de WhatsApp denominado “A Turma”, do qual participariam, além de Vorcaro, outros investigados. Segundo a decisão, o grupo era utilizado para tratar de monitoramento de pessoas, levantamento de informações e definição de estratégias contra terceiros.
“Em relação a esse núcleo, identificou-se a emissão de ordens diretas de DANIEL VORCARO para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas (dentre as quais, concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas) que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da justiça", diz trecho da decisão.
Em outro trecho citado no despacho, há referência à solicitação de obtenção de endereço de uma mulher mencionada nas conversas.
“VORCARO diz a MOURÃO que sua empregada o estaria ameaçando e diz:
‘DV: Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.’
MOURÃO responde: ‘O que é para fazer?’
DV: ‘Puxa endereço tudo’", destaca a peça.
A PF aponta que as mensagens revelam pedidos de levantamento de dados pessoais e tratativas sobre possíveis intimidações.
A decisão menciona ainda indícios de acesso indevido a sistemas restritos de órgãos públicos, com uso de credenciais funcionais de terceiros para obtenção de informações protegidas.
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Vorcaro foi detido na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.