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Estado de Minas LITERATURA

Os livros mais marcantes da década, por José Castello

Vinte críticos, jornalistas e gestores culturais indicam os livros nacionais - romances, contos, poemas - que marcaram suas leituras nos últimos dez anos


16/04/2021 04:00 - atualizado 16/04/2021 07:39



José Castello 
Jornalista e crítico literário 

“Torto arado”, de Itamar Vieira Junior (Todavia, 2019) 
O romance de Itamar retoma a tradição – hoje recalcada, para não dizer renegada – dos grandes realistas brasileiros, como Graciliano Ramos, Jorge Amado e Zé Lins do Rego. Nele, Itamar tem a coragem de interrogar e desnudar a realidade selvagem, nunca liberta do passado, em que vivemos.

Leia: Os livros brasileiros de ficção mais marcantes da última década

 “Passageiro do fim do dia”, de Rubens Figueiredo (Cia das Letras, 2010)
Com simplicidade e firmeza, Rubens transporta seu leitor para a periferia das grandes cidades, território esquecido onde a violência e a maldade, mas também a resistência e a aposta na vida, fervem. 

“Simpatia pelo demônio”, de Bernardo Carvalho (Cia das Letras, 2016) 
Neste perturbador romance, Bernardo exercita, mais uma vez, sua sensibilidade ímpar para captar os reflexos do mundo contemporâneo – no caso, uma ação terrorista – na vida íntima de um indivíduo. Mostra-nos que, em nossos tristes dias, mesmo no amor o demônio dá as cartas. Um livro chocante e que, por isso mesmo, nos faz pensar intensamente. 

“Formas do nada”, de Paulo Henriques Britto (Cia das Letras, 2012) 
Desde o premiado “Macau”, de 2003, Paulo Henriques se firmou como a grande voz da poesia brasileira no século 21. Sem abdicar da técnica apurada e do trato fino das palavras, ele se lança com destemor no grande vazio que nos cabe viver. 

“Da arte das armadilhas”, de Ana Martins Marques (Cia das Letras, 2011) 
Ana Martins é a voz mais surpreendente produzida pela poesia brasileira no século 21. Ligada ao cotidiano e ao chão, com seus versos firmes e elegantes, ela nos eleva muito acima das banalidades da vida diária. 

“Sentimental”, de Eucanaã Ferraz (Cia das Letras, 2012) 
Sentimental sem sentimentalismo, Eucanaã usa a poesia como um veículo de aproximação das pequenas coisas. Uma poesia voltada para o que nos é essencial. Um lirismo contido e delicado. 

“Estão matando os meninos”, de Raimundo Carrero (Iluminuras, 2020) 
Talvez o mais corajoso livro de Carrero. Sem se preocupar com o “bem feito”e o elegante, ele escreve seus contos em conexão extrema com a realidade brasileira. E, a cada página, a desnuda e devassa. Nada lhe escapa – e por isso sua escrita é densa e brutal. 

“A morte e o meteoro”, de Joca Reiners Terron (Todavia, 2019)
A mais aguda prospecção já escrita a respeito do futuro brasileiro. Uma devassa sem piedade de nossos tempos de insensatez, brutalidade e horror. Na era da necropolítica, a literatura se ergue como uma voz de combate. 

“Flashes”, de Sidney Rocha (Iluminuras, 2020)
O que mais impressiona na escrita de Sidney é a delicadeza a que submete sua fome interminável de experimentação. Ele escreve em sincronia atroz com o universo fluido de imagens e de ilusões virtuais em que vivemos. Seu romance se oferece como um espelho do mundo despedaçado em que vivemos. 

“O professor”, de Cristovão Tezza (Record, 2014)
Mais conhecido pelo consagrado “O filho eterno”, de 2007, Cristovão chega com “O professor”, de 2014, ao ponto mais alto de sua ficção. O romance faz uma dura, mas aguda, reflexão sobre a presença interminável do passado e da memória.

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