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Estado de Minas LITERATURA

Os livros mais marcantes da década, por Guiomar de Grammont

Vinte críticos, jornalistas e gestores culturais indicam os livros nacionais - romances, contos, poemas - que marcaram suas leituras nos últimos dez anos


16/04/2021 04:00 - atualizado 16/04/2021 07:37



Guiomar de Grammont
Coordenadora-geral do Fórum das Letras

“Outros Cantos”, de Maria Valéria Rezende (Alfaguara, 2016)
A narrativa delirante, com muitos neologismos e imagens, é fundada nas lembranças de uma longa viagem de ônibus pelo sertão nordestino realizada por Maria, cuja identidade se confunde com a da autora, uma militante contra a ditadura. Ela vai disfarçada de professora voluntária do Mobral para preparar o terreno para a vinda de outros companheiros e conscientizar os sertanejos sobre os desmandos dos coronéis da terra ("o Dono") e, por extensão, as contradições do poder.

Leia: Os livros brasileiros de ficção mais marcantes da última década

“O pai da menina morta”, de Tiago Ferro (Todavia, 2018)
Este livro nasceu de uma terrível tragédia pessoal vivida pelo autor, mas, como o excelente "O Pai eterno", de Cristóvão Tezza, da década anterior, não é um livro sobre um drama pessoal. Trata-se de um exemplo muito instigante de hibridismo literário, em que vários gêneros de discurso se apresentam e os tempos da narrativa se misturam. Ao mesmo tempo, nós, leitores, vivenciamos o amadurecimento do personagem através da dor e suas indagações sobre o presente, o futuro, a vida, a morte e a sexualidade.

“Insubmissas lágrimas de mulheres”, de Conceição Evaristo (Nandyala, 2011)
 Neste livro, essa autora, que se afirmou como uma das principais escritoras do Brasil, apresenta histórias arrebatadoras de diversas mulheres negras, a opressão do meio em que vivem, culmina em dor e impotência, mesmo que uma resistência surda repercuta em suas interioridades.

“O corpo interminável”, de Claudia Lage (Record, 2019)
Com uma narrativa poética e intensa, o protagonista de Claudia, Daniel, tenta reconstituir a história de sua mãe, uma guerrilheira desaparecida na época da ditadura. O livro traz uma reflexão poderosa sobre o corpo e a linguagem no entrelaçamento entre uma gravidez no passado e outra no presente, que guardam revelações que irão surpreender o leitor.

“Pesado demais para a ventania”, de Ricardo Aleixo (Todavia, 2018)
Antologia de poemas desse autor que é um dos mais inventivos poetas de vanguarda no Brasil: experimental, lírico, irreverente. Seus poemas não apenas exprimem uma inquietação artística, mas também um olhar profundo sobre a existência e o ser humano, de forma geral.

“Todos os santos”, de Adriana Lisboa (Alfaguara, 2019)
Neste romance comovente, Adriana Lisboa fala da culpa inerente à perda, através de uma tragédia vivida por sua protagonista, Vanessa, uma bióloga do Rio, que vive agora na Nova Zelândia. As ressonâncias mágicas e poéticas da mitologia desse país promovem, pouco a pouco, emanações que a curam e a fazem reencontrar-se consigo mesma enquanto se desenvolve sua relação com André, personagem que também vivenciou aquela dor.

“O livro das semelhanças”, de Ana Martins Marques (Cia das Letras, 2015)
A precariedade da palavra, a impossibilidade intrínseca aos nomes, é o principal tema desse livro de poemas  extraordinário, em que ressurge o abismo intransponível entre as palavras e as coisas, as palavras e as imagens. 

“Malditas fronteiras”, de João Batista Melo (Benvirá, 2014) 
Um livro comovente que, embora se situe no Estado Novo, no contexto em que o nazismo se espalhava pela Europa, é atualíssimo, sobre a Banalidade do Mal, de que falava Hannah Arendt. Esse Mal é entrevisto pela sensibilidade de duas crianças, ligadas por um afeto profundo.

“Longe, aqui”, de Maria Esther Maciel (Quixote, 2020)
Neste livro indispensável, essa que é uma das mais talentosas escritoras e ensaístas de sua geração reúne sua produção de poesia em prosa e verso de 1998 a 2019. Ilustrado e com um projeto gráfico belíssimo, o livro é um conjunto de caixinhas surpresa que desvelam receitas, nomes, coleções, memórias, joias que farão a delícia do leitor.

“A natureza da mordida”, de Carla Madeira (Quixote, 2018)
É um romance de leitura vertiginosa, sobre a loucura, o amor e a amizade, sobretudo pela ótica das mulheres, com ressonâncias de diversos grandes autores, citados num instigante exercício de apropriações.

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