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Estado de Minas LITERATURA

Os livros mais marcantes da década, por Etiene Martins

Vinte críticos, jornalistas e gestores culturais indicam os livros nacionais - romances, contos, poemas - que marcaram suas leituras nos últimos dez anos


16/04/2021 04:00 - atualizado 16/04/2021 07:35



Etiene Martins 
Coordenadora da Bantu, livraria especializada em literatura negra 

“Torto arado”, de Itamar Vieira Junior (Todavia, 2019) 
Uma narrativa sobre a vida dos trabalhadores rurais de Água Negra, uma fazenda na região da Chapada Diamantina, interior da Bahia. Os trabalhadores de Água Negra não recebiam salário para arar a terra, apenas morada, ou melhor, o direito de construir casebres de paredes de barro e telhado de junco (construções de alvenaria eram proibidas) e cultivar roças no quintal quando não estivessem plantando e colhendo cana-de-açúcar e arroz nas terras do patrão. 

Leia: Os livros brasileiros de ficção mais marcantes da última década

“Pesado demais para ventania”, Ricardo Aleixo (Todavia, 2018) 
Essa obra traz temas como o amor, os relacionamentos, a literatura, a cidade, o racismo, os antepassados e a própria poesia. Divididos em seis grandes seções, os poemas aqui compilados são a melhor porta de entrada para a obra de uma das grandes vozes líricas do Brasil. 

“O crime do cais do Valongo”, de Eliana Alves Cruz (Malê, 2019) 
Narrado a partir das vozes de dois personagens, o livreiro mestiço Nuno Alcântara Moutinho e a moçambicana escravizada Muana Lomué, o romance apresenta um relato poderoso, cheio de sutilezas. É o cotidiano de um Rio marcado pelo horror da escravidão e, ao mesmo tempo, pela potência da cultura das ruas e da incessante reconstrução de sociabilidades produzidas pelas descendentes de africanas e africanos sequestrados do lado de lá do Atlântico. 

“Um Exu em Nova York”, de Cidinha da Silva (Pallas, 2018) 
Ganhador do Prêmio Literário Biblioteca Nacional de 2019, categoria conto, “Um Exu em Nova York”exalta a espiritualidade de matriz africana, colocando em cena Exu – orixá que reflete a conexão do divino com o terreno, por entender as aflições e desejos humanos, além de simbolizar a comunicação, a transformação, os caminhos e as escolhas e desafios de cada um frente às encruzilhadas da vida. 

“Vozes guardadas”, de Elisa Lucinda (Record, 2016) 
“Vozes guardadas” reúne poesias capazes de deslocar pensamentos, saudades, melancolia, brincadeiras, safadezas e nostalgia. São poemas que conquistam pela afetividade, experimentando jeito de fazer carinho, jeito de passar a língua, jeito de fazer gozar. Lá vai a Elisa dançando em corações com a poesia da alteridade. 

“Enquanto os dentes”, de Carlos Eduardo Pereira (Todavia, 2017) 
Essa narrativa pujante me impressionou muito. Um romance de estreia do autor que consegue mostrar de forma vigorosa a que veio. O protagonista é Antônio, um homem cadeirante que vive na cidade do Rio de Janeiro. 

“O avesso da pele”, de Jeferson Tenório (Cia das Letras, 2020) 
Um dos mais impactantes romances brasileiros de 2020, o livro traz uma reflexão profunda sobre o atribulado processo de formação da identidade brasileira. A reflexão sobre o racismo e a denúncia da violência policial são o ponto de partida e a inspiração desse romance, que mapeia o cenário trágico com que, endemicamente, se defrontam as comunidades negras e pobres do país. 

“Olhos d’água”, de Conceição Evaristo (Pallas, 2014) 
Nesse livro de contos estão presentes mães, muitas mães. E também filhas, avós, amantes, homens e mulheres – todos evocados em seus vínculos e dilemas sociais, sexuais, existenciais, numa pluralidade e vulnerabilidade que constituem a humana condição. Sem quaisquer idealizações, são aqui recriadas com firmeza e talento as duras condições enfrentadas pela comunidade afro-brasileira. 

“Um corpo negro”, de Lubi Prates (Nosotros, 2019) 
São poemas que se constroem pelos “escombros e desamparo”, mas no transcorrer dos versos vê-se que, ainda que alicerçado nesses aspectos, o corpo negro surge dono de si e de uma força capaz de transformar sua trajetória. Lubi Prates traz o racismo real, aquele que é vivenciado diariamente, e, amarradas a ele, as questões que transitam entre a ancestralidade, o silenciamento da voz e a conservação da memória. 

“Almoço de domingo”, de Filipe Lutalo (Edição do autor, 2019) 
 Uma obra de contos em que todas as histórias se passam no domingo, um dia especial para muitos de nós brasileiros, principalmente para a classe trabalhadora, que geralmente só tem esse dia para o lazer.

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