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Estado de Minas COVID-19

Aumento de internações pressiona a rede de saúde em Minas Gerais

Nos últimos 30 dias, novas hospitalizações de pessoas infectadas pelo vírus levaram a aumento de 19,27% do total de internados


21/01/2021 06:00 - atualizado 21/01/2021 07:27

Número total de pessoas contaminadas em Minas que precisaram de internação atingiu, na segunda-feira, 53.241 desde o início da pandemia(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Número total de pessoas contaminadas em Minas que precisaram de internação atingiu, na segunda-feira, 53.241 desde o início da pandemia (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


A ciência avança mais um passo na guerra contra a COVID-19 com a liberação da vacina, mas a imunização demanda tempo e é preciso que as precauções sanitárias continuem para evitar um colapso na saúde. Reflexo do avanço da disseminação do novo coronavírus em Minas Gerais, o número de novas internações nas redes pública e privada disparou em Minas Gerais nos últimos 30 dias, período tradicional de comemorações de fim de ano e viagens de férias.

Levantamento feito pela reportagem do Estado de Minas, com base nos boletins epidemiológicos divulgados diariamente pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), mostra que o número de internações por COVID-19 evoluiu de 44.636 em 18 de dezembro para 53.241 na mesma data de janeiro de 2021, aumento de 19,27%. Os dados se referem aos casos totais confirmados da doença em Minas que necessitaram de atendimentos em unidades hospitalares das redes pública e privada. Significa que, em janeiro, houve 8.605 hospitalizações a mais, maior registro mensal desde maio do ano passado em números absolutos.
 
Quanto à taxa percentual de aumento das internações totais, foi a maior desde novembro. O universo desde o início da pandemia de pessoas que precisaram de internação havia subido 24,25% entre 18 de setembro (26.531) e 19 de outubro (32.965). Depois disso, houve redução nesse ritmo para 14,17% entre 19 de outubro (32.965) e 18 de novembro (37.639). As hospitalizações voltaram a subir de 18 de novembro (37.639) para 18 de dezembro (44.636), com alta de 18,58%.

Quando considerados os números de internados a mais, desde setembro, indicavam algum alívio, para retomar força em dezembro, mas ainda na casa dos 7 mil novas hospitalizações. O estado já vive situação de alerta em relação à ocupação de leitos hospitalares, o que ocorreu ainda no ano passado. Sete das 14 macrorregiões de Saúde ultrapassaram a percentagem de 70% dos leitos de unidades de terapia intensiva (UTIs) em uso.

Ocupação 


(foto: Arte EM)
(foto: Arte EM)
Apenas as regiões Noroeste (42,4%) e Triângulo do Sul (48,33%) têm oferta satisfatória para atender os pacientes. Por outro lado, a região Central (79,2%) e a Centro-Sul (79,53%) são as que mais preocupam os gestores no momento. Minas conta atualmente com 3.977 leitos de UTI. O total de pacientes internados na UTI com COVID é de 1.388.

Com relação aos leitos de enfermaria, os casos mais preocupantes chamam a atenção na região Central (85,7% ocupados), Triângulo do Norte (81,42%) e Vale do Aço (92,29%). Aquelas que ainda apresentam margem de segurança são Centro-Sul (43,73%) e Sul (49,77%). O total de equipamentos de enfermarias oferecido pelo estado é de 20.879 vagas, sendo 2.470 (11,83%) dedicados a pacientes com a COVID-19 ou em situação de suspeita de terem contraído a doença respiratória. 

"Quando em uma determinada cidade não existem leitos disponíveis, nosso papel é buscar a alternativa assistencial mais adequada, em tempo oportuno"

Juliana Ávila, subsecretária de Regulação do Acesso aos Serviços e Insumos do estado


 
No momento em que um município entra em colapso no sistema de saúde, a orientação é para que um paciente seja transferido para o local mais próximo, independentemente da comorbidade. “Quando em uma determinada cidade não existem leitos disponíveis, nosso papel é buscar a alternativa assistencial mais adequada, em tempo oportuno, para o tratamento de saúde que o paciente necessita. Essa busca se dá primeiramente em hospitais das cidades de sua macrorregião. Quando não encontrado, essa busca se estende para outras macrorregiões do estado dentro de um fluxo regulatório”, explica a subsecretária de Regulação do Acesso aos Serviços e Insumos do estado, Juliana Ávila.

As internações por coronavírus geram custos mais elevados para o estado do que outros tratamentos. Segundo a tabela de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS), os leitos de UTI normal, não dedicados a pacientes com a COVID-19, têm diárias variando de R$ 478,72 a R$ 508,63. As diárias de UTI para COVID-19 custam R$ 1,6 mil. Para os leitos de enfermaria destinados ao tratamento de pessoas com a doença, o Ministério da Saúde prevê o valor de R$ 1,5 mil de diária e estipulou que a internação dura em média cinco dias.

Disseminação 


Minas Gerais bateu recorde, ontem, de mortes provocadas pela COVID-19 em 24 horas, com 214 óbitos. O dia com mais mortes até então havia sido registrado em 16 de janeiro (173). Segundo boletim epidemiológico emitido pela Secretaria de Estado de Saúde, Minas contabilizou mais 7.429 ocorrências da doença. Com isso, o estado chegou a 659.385 diagnósticos e 13.721 vidas perdidas. * Estagiária sob supervisão  da subeditora Marta Vieira


Uso de UTIs recua em BH, mas é alto


Em Belo Horizonte, de acordo com o boletim epidemiológico divulgado ontem pela prefeitura (PBH), a taxa de ocupação de leitos de UTI teve redução a 81,7%, ante 84,3%. Ainda assim, o índice está no nível considerado de alerta vermelho. Para o infectologista Unaí Tupinambás, integrante do Comitê de Enfrentamento à COVID-19 da PBH, com as medidas restritivas que o órgão tem tomado, a taxa deve cair nas próximas semanas.

“A taxa foi aumentando e chegou a níveis preocupantes ainda no início de janeiro, o que nos levou a propor uma restrição da mobilidade urbana. Agora, já podemos dizer que estamos colhendo frutos dessa medida. O índice de ocupação das UTIs parou de subir, apesar de ainda estar lá em cima. Mas, estaria pior se não tivéssemos tomado essa medida de restringir a circulação. Pode ficar ainda duas semanas nesse patamar para começar a cair”, explicou.

A capital registrou mais 22 mortes por COVID-19, que levaram ao total de 2.109 óbitos. Ainda de acordo com o boletim epidemiológico, a cidade acumula 79.919 casos da doença. Há 5.591 pacientes em acompanhamento. Nos últimos cinco balanços, a prefeitura notificou 134 vidas perdidas pela infecção do novo coronavírus, média de 26,8 por levantamento.

A PBH também verificou queda no número médio de transmissão por infectado. O chamado fator RT, que mede a velocidade da propagação do vírus na cidade, caiu de 1,05 para 1,03. Porém, continua na zona de alerta, entre 1 e 1,2. O percentual de uso das enfermarias sofreu leve alta, de 65,8% para 65,9%, permanecendo na zona intermediária de classificação, entre 50% e 69%.

O infectologista Unaí Tupinambás prevê ainda algum impacto no indicador de contaminação pelo vírus devido à realização das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “De modo geral, o Brasil vai ter ainda umas três semanas de aumentos críticos em relação à demanda de assistência médica por causa da COVID-19”, ressalta.

Ele destaca também os efeitos da vacina, que devem demorar para aparecer. “A vacina só vai fazer efeito quando a população mais fragilizada for imunizada. Isso vai demorar um pouco, tendo em vista essa política meio míope do Ministério das Relações Exteriores, que isolou o Brasil dos demais países. Por isso, ainda vamos pagar um preço muito alto”, disse. “Mas, esperamos conseguir vacinar boa parte da população antes de o outono e o inverno chegarem”, completou.

Jovens 


Apesar disso, Unaí Tupinambás reforça que não se pode brincar com o coronavírus. “Os relatos dos colegas são de que nesta onda de agora estão aparecendo mais pessoas jovens. Não é o momento para relaxar. Quem dá entrada no hospital, tem 20% de chance de ir para o CTI (Centro de Tratamento Intensivo) e quando entra no CTI as chances de evoluir para óbito são muito maiores”, explica. (Natasha Werneck e Gabriel Ronan)

O que é o coronavírus


Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.
Vídeo: Por que você não deve espalhar tudo que recebe no Whatsapp

Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Vídeo: Pessoas sem sintomas transmitem o coronavírus?


Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.
Vídeo: Flexibilização do isolamento não é 'liberou geral'; saiba por quê

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal
Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Vídeo explica por que você deve 'aprender a tossir'


Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

Coronavírus e atividades ao ar livre: vídeo mostra o que diz a ciência

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