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Estado de Minas IMUNIZAÇÃO

COVID-19: doses da vacina são insuficientes para atender Minas Gerais

Distribuição do primeiro lote por critério populacional pode gerar desequilíbrios que deixam profissionais de saúde sem proteção


20/01/2021 19:30 - atualizado 20/01/2021 21:56

O primeiro lote de doses com a vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan e o laboratório Sinovac Biotech, que chegou a Minas Gerais, nesta semana, veio como um sopro de esperança do controle da pandemia da COVID-19, mas as doses ainda são insuficientes para imunizar os grupos prioritários no estado com as dimensões de Minas. 

O critério populacional cria isonomia entre os municípios mineiros, mas, na prática, pode gerar desequilíbrios que deixam profissionais de saúde sem proteção. É o exemplo de Belo Horizonte e Nova Lima.

Como a capital tem população maior em comparação à vizinha tem direito a um número maior de doses. No entanto, Nova Lima tem número de hospitais significativo.

BH recebeu 128.388 doses, considerando que são duas doses, é o suficiente para imunizar 64.194 pessoas. No entanto, os profissionais de saúde se aproximam de 140 mil. Com as doses recebidas, BH poderia imunizar até 45,8% dos profissionais de saúde. 

Já Nova Lima imuniza apenas 6,58%. A cidade tem população de 96.157 habitantes. Recebeu 659 doses, o suficiente para imunizar 329,5 pessoas. No entanto, pela presença dos hospitais Nossa Senhora de Lourdes, Biocor, Vila da Serra e Ceacor Hospital de Campanha, conta com 5 mil profissionais de saúde, sendo 40% na rede pública. 
 
O primeiro lote chegou na segunda (18) e foi distribuído, segundo a Secretária de Estado de Saúde (SES-MG), em 18 horas, para as 28 regionais de Saúde do estado numa operação coordenada pelas Forças de Segurança Pública.

Ainda de acordo com a SES-MG, foram enviadas doses para os 853 municípios. No entanto, não informou o número de doses que cada cidade recebeu isoladamente.
 
(foto: Arte/EM/D.A press)
(foto: Arte/EM/D.A press)
 

A SES informou apenas que, nesta primeira fase, deverão ser vacinadas 275.088 pessoas do público-alvo: 38.578 pessoas com 60 anos ou mais, institucionalizadas; 1.160 pessoas com deficiência institucionalizadas; 7.878 indígenas vivendo em suas terras; 227.472 profissionais de saúde que atuam na linha de frente.

O presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano, lembra que a distribuição tem como parâmetro a população de cada cidade. Entretanto, o critério não dá para garantir a distribuição necessária para cada cidade. 

Boa parte das cidades que receberam as doses não têm redes hospitalares que atendem à COVID-19, com enfermarias e CTI. Por outro lado, outras que receberam, as doses são insuficientes para atender aos profissionais que atuam na rede de atendimento à COVID-19, muitas vezes como cidade-referência do estado.

O infectologista afirma que o critério gera desequilíbrio, de forma que as pessoas que estão na linha de frente de atendimento da COVID-19 não são vacinadas.

Estevão destaca o caso de Belo Horizonte e de Nova Lima, duas cidades com redes hospitalares, que receberam números desproporcionais ao número de profissionais de saúde.

"O número populacional que determina o número de doses. Mas Nova Lima tem uma grande concentração de hospitais", argumenta. Estevão Urbano lembra que o critério tem coerência, mas é necessário aprofundar na compreensão das condições de cada cidade.

Ele lembra que a provação das vacinas pela Anvisa foi acompanhada de grande euforia e alegria, no entanto, o primeiro lote é insuficiente para cobrir grande parcela de pessoas prioritárias.

"Não temos prazo e estamos pagando pelos erros de terem subestimado a importância da vacina lá atrás. Muitos países estão bem à frente. Estamos muito atrás na forma sistêmica de distribuição da vacina", diz.

Ao todo, Minas recebeu 577.480 doses de vacinas, sendo 57% transportadas por cinco aviões e três helicópteros da frota do estado e outras 43% por caminhões para as regionais de Divinópolis, Sete Lagoas, além da capital mineira.

As primeiras doses chegaram acompanhadas de frustração. No rateio, os municípios receberam quantidades bem menores do que as necessárias para imunizar os profissionais de saúde, grupo prioritário que integra a fase 1 no Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a COVID-19.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, um exemplo da discrepância entre as doses necessárias e o número entregue pelo Ministério da Saúde, é o município de Nova União, que recebeu 22 doses, o suficiente para imunizar 11 dos 112 profissionais da área da saúde da cidade. 

Se fossem incluídos os idosos, o número de unidades ficaria ainda mais inexpressível, com cerca de 6 mil habitantes, a cidade tem 1.322 pessoas acima de 60 anos.



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