ELEIÇÕES 2026

Veja as mulheres cotadas para vice de Flávio Bolsonaro

Com foco em atrair o eleitorado feminino, PL avalia lançar parlamentares e aliadas para disputar as eleições ao lado de Flávio Bolsonaro

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Correio Braziliense

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Com o início do calendário das convenções partidárias, que poderão ser realizadas até 5 de agosto, os pré-candidatos à presidência começam a afunilar uma das principais definições para a disputa de 2026: a escolha do vice.

No caso do senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a composição da chapa deve permanecer em aberto ao menos até a convenção nacional do partido, marcada para sábado (25-7), enquanto dirigentes e aliados avaliam diferentes nomes femininos para ocupar a vaga. A decisão final, porém, poderá ser oficializada até o encerramento do período das convenções.

Nos bastidores, aliados do partido avaliam que a definição da vice pode contribuir para ampliar o alcance eleitoral da candidatura, sobretudo entre o eleitorado feminino, segmento em que o senador aparece atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Pesquisa Genial/Quaest (BR-07661/2026) divulgada em 10 de junho aponta Lula com 41% das intenções de voto entre as mulheres, contra 24% de Flávio, enquanto 13% das entrevistadas se declaram indecisas. A avaliação de integrantes da pré-campanha é que esse grupo representa uma das principais possibilidades de crescimento da candidatura.

Nesse contexto, diferentes perfis passaram a ser considerados nas conversas internas do partido. A lista reúne parlamentares, ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro, representantes do agronegócio e lideranças ligadas aos eleitorados conservador, evangélico e católico, além de nomes que poderiam facilitar negociações com partidos aliados.

Daniella Marques

Entre as alternativas está a economista Daniella Marques, filiada ao Republicanos, que assumiu a coordenação da elaboração do programa econômico da pré-campanha.

Ex-secretária especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, ela trabalhou diretamente com o ex-ministro Paulo Guedes e chegou a ser elogiada por Flávio Bolsonaro como "a melhor pessoa do time de Paulo Guedes".

Embora seja vista como um nome capaz de reforçar a pauta econômica e aproximar o PL do Republicanos, sua falta de experiência eleitoral é apontada como um obstáculo. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, minimizou essa possibilidade ao afirmar, em entrevista ao jornal O Globo, em 17 de julho, que Daniella "não tem voto" para ocupar a vice-presidência.

"Ela tem muito prestígio junto aos empresários e ela é muito competente. Agora, na minha opinião tem que ser alguém que tenha voto. O Bolsonaro [ex-presidente] vai decidir. Ele e o Flávio", declarou.

Pouco depois da entrevista, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou, entre outras medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro, a proibição de visitas com finalidade político-eleitoral e da divulgação de manifestações dessa natureza até o fim das eleições de 2026, o que, na prática, restringe sua participação formal nas articulações da campanha.

Para Valdemar, a principal opção continua sendo a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura. "A candidata ideal seria a Tereza Cristina. Ela tem carisma e isso é muito importante em uma eleição presidencial, isso puxa voto", afirmou.

Apesar do entusiasmo do dirigente, a senadora tem sinalizado que pretende disputar a presidência do Senado em 2027, enquanto a federação União Brasil-PP, da qual faz parte, ainda não demonstra disposição para apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

Tereza Cristina

Entre as mulheres avaliadas pelo PL, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) é considerada o nome de maior peso político para compor a chapa de Flávio Bolsonaro.

Ex-ministra da Agricultura no governo Jair Bolsonaro e atual líder da bancada do Progressistas no Senado, ela é vista por aliados como uma candidatura capaz de ampliar o diálogo com o agronegócio, fortalecer a interlocução com partidos do Centrão e conferir um perfil mais moderado à chapa presidencial.

A parlamentar também é a preferida do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que a classificou como a "candidata ideal" para a vice-presidência. 

Apesar do entusiasmo de dirigentes do PL, a indicação enfrenta obstáculos. Tereza Cristina tem sinalizado que sua prioridade é disputar a presidência do Senado em 2027, o que reduz as chances de aceitar o convite. Além disso, sua eventual escolha exigiria uma negociação mais ampla com a federação União Brasil-PP, que, até o momento, não demonstra disposição para apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.

Mesmo assim, aliados do senador continuam tratando a ex-ministra como o principal objetivo nas negociações para a composição da chapa, enquanto o partido mantém conversas com outras possíveis candidatas e aguarda o avanço das articulações com legendas de centro.

Júlia Zanatta

A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) passou a ser defendida por integrantes da ala mais ideológica do bolsonarismo, com apoio de Eduardo Bolsonaro. À CNN Brasil, ela afirmou estar "pronta para o combate" e disse que aceitará a decisão de Flávio Bolsonaro sobre a composição da chapa.

Aliados avaliam que sua indicação fortaleceria a mobilização da base conservadora e atenderia ao objetivo de lançar uma mulher como vice. Por outro lado, reconhecem que seu perfil pode ter alcance limitado para conquistar eleitores de centro e ampliar a votação em outras regiões do país.

Bia Kicis

Outra parlamentar que ganhou espaço nas discussões é a deputada federal Bia Kicis (PL-DF). Em vídeo gravado após um encontro na sede nacional do partido, em Brasília, Flávio voltou a defender a escolha de uma mulher para compor a chapa e citou a correligionária como exemplo.

"Não estou falando que ela vai ser a vice não, tá, gente, mas é uma pessoa que topa alguns desafios, que está disposta a dar o seu melhor pelo Brasil", afirmou. Em resposta, a deputada declarou: "Você está pronto. O desafio eu sei que é gigante, mas eu tenho muita confiança em você".

Apesar da sinalização pública, dirigentes do PL afirmam que a manifestação foi espontânea e que o cenário mais provável para Bia continua sendo uma candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.

Priscila Costa

A vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL) também entrou no radar da pré-campanha. Conhecida pela defesa de pautas conservadoras, ela é vista como um nome capaz de reforçar o diálogo com o eleitorado evangélico e ampliar a presença da campanha no Nordeste.

Em contrapartida, pesa contra sua indicação o fato de nunca ter disputado cargos estaduais ou nacionais e de ainda ter baixa projeção política fora do Ceará.

Clarissa Tércio

A deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE) também entrou na lista de mulheres avaliadas para compor a chapa de Flávio Bolsonaro. Na semana passada, o senador fez um contato com a parlamentar para sondar sua disposição em assumir a vaga, em uma conversa descrita por auxiliares da congressista como uma forma de medir o cenário antes de qualquer definição.

A aproximação ocorre em meio às tentativas do PL de atrair o apoio de partidos de centro e ampliar sua presença no Nordeste. Clarissa foi a deputada federal de direita mais votada da região nas eleições de 2022, com cerca de 240 mil votos, desempenho que passou a ser considerado um ativo nas discussões sobre a composição da chapa.

Apesar da sinalização ao PP, dirigentes da federação União Brasil-PP avaliam que a escolha da vice, por si só, não será suficiente para garantir apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro. Nos bastidores, lideranças da sigla afirmam que o principal fator para uma eventual aliança será a viabilidade eleitoral do projeto presidencial.

"O que pesa mais é o potencial de vitória do que a definição do vice", afirmou uma liderança do PP.

Demais nomes

Segundo integrantes do partido, a definição ainda depende de pesquisas internas e do andamento das negociações com legendas de centro, como PP, União Brasil e Republicanos.

Além dos nomes já mencionados, também circula nas conversas preliminares a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP), citada junto à Tércio por Flávio durante o lançamento do programa "Brasil Por Elas", voltado ao público feminino.

Até o momento, porém, o entendimento dentro do PL é que a escolha da companheira de chapa seguirá em aberto enquanto o partido busca equilibrar potencial eleitoral, capacidade de atrair alianças e identificação com a base bolsonarista.

Dados pesquisa

A pesquisa Genial/Quaest mencionada ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais realizadas entre 5 e 8 de junho.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07661/2026.

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