Oscar: youtubers celebram derrota de Wagner Moura e ‘O agente secreto’
Transmissão do canal Linhagem Geek comemorou derrota brasileira na premiação. Nikolas Ferreira enviou vídeo à live
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A derrota de Wagner Moura e do filme “O agente secreto” no Oscar 2026 foi celebrada por um grupo de criadores de conteúdo de direita durante uma transmissão ao vivo realizada no YouTube. A live denominada “Oscar anti-lacração”, organizada pelo canal Linhagem Geek, teve participação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) por meio de um vídeo exibido durante o programa.
A transmissão reuniu integrantes do canal e convidados para acompanhar a premiação e comentar os resultados. O Linhagem Geek é um canal do YouTube voltado a comentários sobre cultura pop e entretenimento sob uma perspectiva conservadora. Durante a live, os integrantes se referiram ao próprio grupo e ao público como parte do chamado “Esquadrão Nerdola”, termo usado por eles para descrever uma frente cultural de criadores alinhados à direita.
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Ao longo da transmissão, os comentaristas afirmaram que não torciam pela vitória do ator brasileiro, indicado pela atuação no filme “O agente secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho. O filme disputava, ainda, as estatuetas de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco.
Para o grupo, que não concorda com o posicionamento político do ator, o sucesso de um artista não deveria ser automaticamente interpretado como uma vitória nacional. “A gente vai falar bastante dessa influência toda da Academia no Brasil... eu não torço pro Wagner Moura, não é o Brasil na Copa, é muito diferente”, disse o youtuber André Alba no início da transmissão.
Durante a live, os participantes também criticaram a qualidade do filme indicado ao prêmio e questionaram os critérios da Academy of Motion Picture Arts and Sciences. “Se fosse’ O agente secreto’ dotado de infinitos méritos, eu admitiria, mas na minha opinião é um filme meia-boca. Estamos aqui todos maravilhosamente contra Wagner Moura”, afirmou um dos integrantes da bancada.
Outro comentarista criticou o que chamou de tendência de premiar obras por sua mensagem social. “Certos filmes não estão no Oscar porque são bons, mas porque são ‘necessários’. Esse ‘necessário’ aí, cara... quando você ouvir alguém falar necessário com maiúsculo, é ‘lacrate’”, disse Gigante Richard, relacionando a crítica à ditatura militar com um assunto de lacração.
Em outro momento, André Alba comparou a situação à torcida por jogadores de futebol para justificar por que não se sentia obrigado a apoiar o ator. “Você acha realmente que o esquerdista torceria pro Neymar fazer o gol ou ele torceria pro Neymar errar e fazia assim: ‘Ai, o Bolsonaro não ganhou a Copa’? Então sejam sinceros, não fiquem mentindo”, defendeu.
Os participantes também incentivaram espectadores da live a usar a hashtag #todoscontraWagnermoura no chat da transmissão.
Durante a transmissão, os participantes ainda criticaram o que chamaram de “ecossistema” de financiamento da cultura no Brasil. Em diferentes momentos da live, integrantes da bancada sugeriram que produções como "O agente secreto" seriam beneficiadas por incentivos públicos e patrocínios ligados a políticas culturais, citando leis de incentivo como exemplo do que consideram um favorecimento a artistas e projetos alinhados a determinadas posições ideológicas.
“Por que todos (os patrocínios) estão com essa turma? Essas participações são bem legais... mas nós não conseguimos quebrar essa barreira ainda dos patrocínios que estão todos lá”, afirmou um dos participantes durante a transmissão.
Segundo dados da Agência Nacional do Cinema, o orçamento de “O agente secreto" foi dividido entre investimentos nacionais e coproduções internacionais. A participação brasileira somou R$ 13,5 milhões. Desse total, R$ 7,5 milhões vieram do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), fundo público ligado ao Ministério da Cultura e operacionalizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O restante foi complementado por investimento privado nacional.
A produção contou ainda com cerca de R$ 14 milhões vindos de coproduções europeias, envolvendo empresas da França, Alemanha e Holanda. Entre as parceiras internacionais está a distribuidora francesa MK2 Films.
Além do orçamento de produção, outros R$ 4 milhões foram destinados à comercialização e divulgação do filme por meio da Lei do Audiovisual, que permite a empresas e investidores abaterem parte do Imposto de Renda ao apoiar projetos aprovados pela Ancine.
Participação de Nikolas Ferreira
Embora não estivesse presente à mesa de debates, Nikolas Ferreira enviou um vídeo exibido durante a transmissão em que elogiou o grupo e reforçou o discurso do canal. Na gravação, ele afirmou que o entretenimento seria hoje “uma das armas mais fortes” no debate político e que o público conservador deveria ocupar esse espaço.
“A gente sabe que o entretenimento hoje é uma das armas mais fortes que eles têm, e se a gente não ocupa, eles pintam e bordam”, disse, criticando nomes da esquerda.
Nikolas também criticou o que chamou de “uso político da arte” e comentou a indicação de Wagner Moura ao prêmio, afirmando que torceria contra o ator. “Sobre esse Oscar, a gente vê que não é mais sobre quem atua melhor ou qual roteiro é mais técnico. É sobre quem beija o anel da agenda da vez. E ver o Wagner Moura ali, representando justamente aquilo que a gente combate todo dia no Congresso, torna essa nossa ‘secada’ necessária”, apontou.
Reações após o resultado
Quando o resultado da categoria foi anunciado e Wagner Moura não venceu o prêmio, os participantes reagiram com ironia e deboche. Em um dos momentos finais da transmissão, Gabriel Bajé simulou erguer um troféu. “E agora eu vou fazer o gesto que o Wagner Moura não conseguiu fazer: erguer o meu prêmio!”, ironizou, usando uma réplica da estatueta.
Gabriel também fez referência à posição política do ator ao comentar o resultado. “Vê se agradece o Bolsonaro pela derrota também, agradece”, provocou. Durante a campanha do Oscar, Moura chegou a dizer que, se ganhasse o prêmio, agradeceria o ex-presidente.
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