O gigantismo do carnaval de Belo Horizonte (MG) tem atraído holofotes, mas não apenas pela sua grandeza. De acordo com o levantamento do Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), os crimes violentos durante a folia de 2026 tiveram queda expressiva comparados com o do ano passado. Apesar de levantar multidões em diferentes blocos em várias regiões da cidade e contabilizar um público de 6,5 milhões de foliões nos blocos, não houve registro de ocorrências graves.

Conforme as forças de segurança do estado, que atuaram nos quatro dias de folia em frentes diferentes, foi realizado um planejamento para prevenir a criminalidade durante o carnaval e possíveis transtornos. O uso intensivo de tecnologia, o emprego de 100% do efetivo da guarda e das polícias civil e militar, além de bombeiros, e as ações focadas no acolhimento de vítimas, especialmente mulheres, foram apontados como os motivos de o carnaval de BH ter sido mais seguro neste ano.

Segundo o coronel Carlos Frederico Otoni, o policiamento foi intensificado nas ruas e até mesmo os militares que estavam de férias foram convocados e os que estavam em curso foram empregados no policiamento, incluindo todo o efetivo administrativo. Ele comentou, ainda, que 3 mil soldados foram recrutados para reforçar o efetivo, que também auxiliou fornecendo dicas aos foliões para evitar furtos e roubos de celular e medidas de autoproteção. O militar também destacou o uso de tecnologias em favor da redução dos crimes.

“Foram colocados ou aplicados em toda Minas Gerais mais de 350 drones e, em Belo Horizonte, 85 desses equipamentos foram utilizados, diariamente, para que nós pudéssemos aprimorar nossa capacidade de prevenção e também de repressão. Foram 1.400 policiais militares preparados, capacitados ao longo de 2025 para que pudessem estar operando esse equipamento”, disse.

Otoni ressalta que o equipamento estava acoplado a um sistema de reconhecimento facial da PM e de identificação de placas, o que possibilitou identificar pessoas que estavam com mandados de prisão em aberto, acarretando na prisão delas. Segundo o coronel, também foi possível identificar veículos suspeitos utilizados em eventuais crimes, assim como veículos furtados e roubados.

A Polícia Civil de Minas Gerais também empenhou todos os policiais nos quatro dias de carnaval. De acordo com a instituição, todas as delegacias de plantão e unidades periciais funcionaram durante o período, incluindo a abertura de duas novas delegacias de plantão em Belo Horizonte – a Delegacia de Eventos e Proteção ao Turista (Deptur) e a Delegacia Móvel.

Organização dos blocos e medidas preventivas

Outra marca do carnaval de 2026 foram os grande blocos na capital mineira, acompanhados pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG). A corporação mobilizou 100% do efetivo e ampliou em mais de 50% as ações preventivas, resultando em uma redução de 26% nas emergências durante o carnaval. Ao todo, mais de 1 mil bombeiros atuaram no período da folia.

Além de intensificar as ações nos grandes blocos de BH, com planos de dispersão para situações de emergência, o Corpo de Bombeiros também atuou em rodovias, cachoeiras e balneários. Nas grandes atrações, não houve registros de pessoas em situação crítica.

O subcomandante do CBMMG, coronel Moisés Magalhães de Sousa, reconheceu que houve uma movimentação acima do planejado em alguns blocos, como o Marinada, da cantora Marina Sena, em que a previsão de 50 mil pessoas foi superada, chegando a quase 300 mil no entorno do Mineirão, na Região Pampulha.

Ele associa o atraso de uma hora e meia da artista para iniciar o show ao acúmulo de público na região. No entanto, ele afirma que não houve ocorrências graves: “Não observamos nenhum registro onde as pessoas estavam numa situação de confinamento, de esmagamento ou redução significativa da sua mobilidade”.

Para o próximo carnaval, o subcomandante afirmou que o Corpo de Bombeiros continuará com o trabalho prévio de se reunir com os organizadores dos blocos, avaliar as características dos trios, analisar os trajetos e fazer ajustes em tempo hábil caso haja situações contrárias à segurança.

Criminalidade em números

Os registros de roubos de celulares em BH saíram de 63 para 18 neste ano, uma queda de 71,4%, enquanto os furtos dos aparelhos chegaram a 406, contra os 1.382 registrados no ano passado - uma diminuição de 70,6%.

Os outros tipos de roubo também diminuíram em BH. De 94 no ano passado, houve uma diminuição de 63,8%, sendo registrados 34 em 2026. Na mesma tendência estão os demais tipos de furtos, que registraram queda de 62,9%, saindo de 1.950 para 723 casos. Belo Horizonte registrou, ainda, dois homicídios durante o carnaval deste ano, metade do número do período anterior.

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Em relação aos crimes contra a mulher, os índices também foram positivos. De sete casos de estupro de vulnerável, Belo Horizonte conseguiu zerar a marca neste ano. Já o número de estupros se manteve igual ao do ano passado, com três ocorrências.

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