Malas e glitter: turistas avaliam carnaval de BH
No último dia de folia, hóspedes deixam hotéis da capital, elogiam segurança e diversidade, mas cobram mais estrutura para acompanhar o crescimento da festa
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Malas encostadas na recepção, glitter ainda no rosto e celular na mão para chamar transporte. Na terça-feira de carnaval em Belo Horizonte, o clima nos hotéis do Centro e da região Centro-Sul era de despedida e de balanço.
A capital projeta 6,2 milhões de foliões ao longo do período, com impacto econômico superior a R$ 1 bilhão. A rede hoteleira operou perto do limite nos dias de pico e agora começa a registrar queda na ocupação, à medida que os turistas retornam para casa.
No Hotel Sorrento, na Praça Raul Soares, o movimento começou cedo neste carnaval. “Fevereiro foi o boom”, resume a recepcionista Kátia Sirlene. O hotel, com 36 quartos, chegou a 100% de ocupação em determinados dias. “Se tivesse mais quartos, também estariam ocupados”. Nesta terça-feira, porém, a taxa já havia caído para 36%, acompanhando a saída gradual dos hóspedes.
No Hotel Metrópole, na região Centro-Sul, metade dos 30 quartos já estava reservada desde dezembro. Em fevereiro, a ocupação chegou a 90% e, em alguns dias, todos os quartos ficaram preenchidos.
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Entre os que deixavam a cidade estavam Maria Eduarda Silva Braga e Júlia Ramos, de Campinas (SP). Depois de três dias na capital, elas retornavam para casa com avaliação positiva. “Gostei muito, foi bem organizado em relação à orientação e segurança”, disseram, pouco antes de pegar a estrada.
Foi a primeira vez delas no carnaval de BH. Participaram do Bloco do Malvadão e do Filhos da PUC e preferiram fazer um bloco por dia. “A gente achou melhor ficar em um só e aproveitar”. Apesar do elogio geral, apontaram um problema. “O bloco da Marina Sena foi o único que a gente achou meio desorganizado”.
Na recepção de outro hotel, os irmãos Sávio Ferreira, morador de Belo Horizonte, e Sílvio Ferreira, de Lavras, conversavam animados com o amigo Ducnei Abreu, também de Lavras. Vieram juntos para curtir mais uma edição da festa. “A segurança foi um ponto muito positivo. Eu gostei muito”, afirma Sávio. Sílvio reforça. “A gente se sentiu tranquilo nos blocos”.
Eles participaram de blocos como os da Luiza Sonza e do Xamã, e ainda tinham programação para o último dia. Mas reconhecem os desafios do crescimento. “É muita gente”, resume Ducnei, que está na segunda vez no carnaval de BH. Ele percebeu melhora nos banheiros, mas acredita que a estrutura precisa acompanhar o tamanho da festa. “Melhorou, mas ainda precisa investir mais”.
Uma amiga que estava com o grupo também levantou uma reflexão sobre o retorno nos próximos anos. “Às vezes cidade menor é mais acessível. Aqui cansa muito. A gente anda demais”.
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Renato Lopes, de Conceição da Barra de Minas, que está pela terceira vez no carnaval da capital, também faz ponderações. Ele elogia a festa, mas questiona a distribuição da estrutura pela cidade. “Quando tem artista grande, precisa pensar melhor na organização”, afirma.
Na Região da Pampulha, diz ter sentido falta de ambulantes e suporte para o público. Já na Avenida Afonso Pena, avalia que há concentração maior do que o necessário. “Na Pampulha faltou ambulante, faltou estrutura. Na Afonso Pena tem ambulante demais. Fica desproporcional”, resume.
Enquanto alguns hóspedes seguiam de carro, outros aguardavam transporte até o aeroporto. Lucas Presotti e Alexandre Tremarin, casal de Porto Alegre, esperavam o ônibus que os levaria para o embarque. “Eu me sinto muito tranquilo aqui, diferente de outras capitais”, afirma Alexandre. Para eles, segurança e diversidade são os principais atrativos. “É diversão em dose dupla. A gente curte o carnaval e ainda revê os amigos”.
Nem tudo, porém, foi perfeito. No show da Marina, na Pampulha, sentiram falta de estrutura. “Acho que não esperavam um público tão grande”. Ainda assim, o saldo é positivo. “O carnaval aqui só cresce. Precisa de mais estrutura, mas a gente volta".
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Arthur Gouveia e Bruno Ribeiro, de Brasília, também já pensam na próxima edição. Pela terceira vez na capital, tiveram a impressão de que alguns blocos estavam mais apertados neste ano. “No Baile da Bota estava muito cheio.” Mesmo assim, reforçam: “Não tivemos problema com assalto, furto ou briga. Voltamos com certeza”.