Carnaval em MG: queda na maioria dos crimes, mas importunação sexual cresce
Roubo e furto de celular, feminicídio e homicídio tiveram redução considerável no estado durante o período de folia, mas importunação sexual cresceu 33%
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O carnaval em Minas Gerais tem crescido e, com ele, o policiamento nas ruas, mas as mulheres continuam sendo as principais vítimas durante a folia. Levantamento apresentado nesta quinta-feira (19/2) pelas forças de segurança mostra que houve redução em diversos crimes no estado, mas os casos de importunação passaram de 42 em 2025 para 56 em 2026 - um crescimento de 33,3%.
Conforme o balanço do observatório da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), foram registradas 39 ocorrências de roubo de celulares, 55,7% a menos do que a quantidade do ano passado, de 88. Já a quantidade de furtos dos aparelhos caiu de 1.681 no carnaval passado para 579 em 2026 - uma queda de 65,6%.
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Em relação a outros tipos de roubo, os registros caíram pela metade, de 172 para 86, comparado entre o de 2025 e 2026. Já o índice de outros tipos de furtos caiu ainda mais: de 3.490 contabilizados no ano passado, foram registrados 1.645 neste ano - queda de 52,9%.
Em relação ao crime mais violento monitorado pela Sejusp, também houve diminuição significativa. Foram registrados 15 homicídios em 2026 contra 29 no ano passado.
No entanto, o índice de importunação sexual aumentou 33,3% comparado ao carnaval do ano passado, saindo de 42 para 56 casos em Minas Gerais. Outros crimes contra a mulher, por outro lado, tiveram redução.
Houve diminuição de 41,7% nas ocorrências de estupro de vulnerável em Minas, passando de 48 para 28. Já o crime de feminicídio caiu de quatro para três - uma diminuição de 25%. Comparado com o carnaval de 2025, o número de estupros diminuiu 19% - de 21 para 17.
Números em BH
Na capital, os números são ainda mais expressivos. Os registros de roubos de celulares saíram de 63 para 18 neste ano, uma queda de 71,4%, enquanto os furtos dos aparelhos chegaram a 406, contra os 1.382 registrados no ano passado - uma diminuição de 70,6%.
Os outros tipos de roubo também diminuíram em BH. De 94 no ano passado, houve uma diminuição de 63,8%, sendo registrados 34 em 2026. Na mesma tendência estão os demais tipos de furtos, que registraram queda de 62,9%, saindo de 1.950 para 723 casos. Belo Horizonte registrou, ainda, dois homicídios durante o carnaval deste ano, metade do número do período anterior.
Em relação aos crimes contra a mulher, os índices também foram positivos. De sete casos de estupro de vulnerável, Belo Horizonte conseguiu zerar a marca neste ano. Já o número de estupros se manteve igual ao do ano passado, com três ocorrências.
Efetivo nas ruas e uso de tecnologia
De acordo com as forças de segurança de Minas Gerais, a queda nos crimes é atribuída ao planejamento, emprego massivo e estratégico de efetivo, uso intensivo de tecnologia, como os drones e reconhecimento facial. Além disso, outros fatores apontados são a visibilidade policial, capacitação da tropa policial nas ruas, a criação de canais de acolhimento para vítimas, como a Cabine em Rosa, e a integração entre as forças de segurança e secretarias estaduais.
Segundo o coronel Carlos Frederico Otoni, o policiamento foi intensificado nas ruas e até mesmo os militares que estavam de férias foram convocados e os que estavam em curso foram empregados no policiamento, incluindo todo o efetivo administrativo.
Ele comentou, ainda, que 3 mil soldados foram recrutados para reforçar o efetivo, que também auxiliou fornecendo dicas aos foliões para evitar furtos e roubos de celular e medidas de autoproteção. O militar também destacou o uso das tecnologias a favor da redução dos crimes.
“Foram colocados ou aplicados em toda Minas Gerais mais de 350 drones e, em Belo Horizonte, 85 desses equipamentos foram utilizados, diariamente, para que nós pudéssemos aprimorar nossa capacidade de prevenção e também de repressão. Foram 1.400 policiais militares preparados, capacitados ao longo de 2025 para que pudessem estar operando esse equipamento”, disse.
Otoni ressalta que o equipamento estava acoplado a um sistema de reconhecimento facial da PM e de identificação de placas, o que possibilitou a identificação de pessoas que estavam com mandados de prisão em aberto, acarretando na prisão delas. Segundo o coronel, também foi possível identificar veículos suspeitos utilizados em eventuais crimes, assim como veículos furtados e roubados.
A Polícia Civil de Minas Gerais também empenhou todos os policiais nos quatro dias de carnaval. De acordo com a instituição, todas as delegacias de plantão e unidades periciais funcionaram durante o período, incluindo a abertura de duas novas delegacias de plantão em Belo Horizonte – a Delegacia de Eventos e Proteção ao Turista (Deptur) e a Delegacia Móvel.
Segurança para as mulheres
Apesar de o número de casos de importunação sexual ter disparado no estado, este carnaval foi apontado pelas próprias folionas de Belo Horizonte como seguro para as mulheres. Uma das medidas de atuação foi a Cabine Rosa, criada com o objetivo de atender vítimas de importunação sexual. A iniciativa pioneira pretendia humanizar e ampliar o atendimento a mulheres vítimas de violência e importunação sexual durante a folia.
Duas carretas do Centro Integrado de Comando e Controle Móvel (CICCM) fizeram o monitoramento das vias e realizaram o primeiro contato com as vítimas. Uma delas ficou estacionada entre as avenidas Antônio Abrahão Caram e Rei Pelé, na Região Pampulha, e a outra, na Avenida dos Andradas, na altura do número 3.858, na Região Leste. Nelas, uma policial militar feminina ficou disponível para oferecer às mulheres vítimas de violência ou importunação sexual. Durante o carnaval, foram realizados 145 atendimentos em todo o estado.
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A Polícia Militar anunciou, ontem (18/2), que a Cabine Rosa será integrada ao aplicativo Emergência MG, facilitando o acesso das vítimas à força de segurança, e passará a ser um serviço permanente no estado. “A Cabine Rosa continua agora como uma estratégia de acolhimento às eventuais vítimas de importunação (...) A mulher vai ser atendida por uma policial militar feminina que vai dar um tratamento humanizado, acolhedor, (a policial é) devidamente preparada e treinada para isso”, disse o coronel Otoni.