‘Parece que é um pesadelo’, diz prima de criança soterrada em Juiz de Fora
Familiares de crianças que foram soterradas seguem em busca dos corpos e esperam encerrar a angústia. Cidade enfrenta tragédia depois de temporal
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Na medida em que os dias passam, o número de corpos soterrados na tragédia de Juiz de Fora (MG), na Zona da Mata, aumenta. Segundo última atualização do Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG), 58 pessoas foram encontradas mortas.
A angústia dos familiares das vítimas que ainda estão desaparecidas também cresce. De acordo com a cozinheira Josiane Aparecida Teodoro do Nascimento, prima da pequena Sophia, de apenas 6 anos, cujo corpo foi encontrado na manhã desta sexta-feira (27/2), a família vive um pesadelo.
Além de Sophia, Josiane também perdeu outros familiares, como a tia e o namorado dessa tia e outra prima, que foram soterrados no Bairro Paineiras – um dos mais atingidos pelos deslizamentos no início da semana. O primo de 9 anos, Pietro, segue desaparecido, causando ainda mais angústia à família. Embora o momento seja de tristeza, a cozinheira relata que não encontrar o menino é ainda pior. Segundo ela, não poder proporcionar um enterro digno aos familiares impede a conclusão desse ciclo de dor.
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“Uma tristeza muito grande. Parece que [a gente] tá num pesadelo. Que a gente vai acordar qualquer momento e não ser nada disso. Mas, infelizmente, não é assim. Nossa família tá acabada, destruída. Então, nossa expectativa agora é encontrar o Pietro, pra gente poder acabar esse sofrimento”, disse.
De acordo com ela, o sofrimento será para o resto da vida, pois a tragédia deixará marcas profundas nos familiares. Josiane conta que uma força-tarefa foi montada entre vizinhos e familiares para ajudar nas buscas. Além deles, bombeiros, integrantes do Exército Brasileiro e voluntários atuam em meio aos escombros para encontrar vestígios dos desaparecidos.
Na ação desta sexta-feira, baldes e caminhões-pipa estão sendo usados para amolecer o barro e escombros e facilitar a remoção. Uma calha foi criada com telhas e placas de metal para formar um extravasamento por onde descem a lama e os detritos.
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Juiz de Fora entrou em estado de calamidade na terça-feira (24/2). Até as 7h desta sexta-feira, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) divulgou que 58 pessoas morreram e três estão desaparecidas. O decreto é válido por seis meses.