Grande BH: força-tarefa quer impedir uso recreativo da Vargem das Flores
Objetivo da medida é diminuir o o número de afogamentos e acidentes no local. Nos últimos cinco anos, foram registrados 30 afogamentos no reservatório
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Uma força-tarefa permanente foi criada para impedir que a população use o reservatório da Vargem das Flores, localizado entre os municípios de Betim e Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para natação, navegação e outras atividades de lazer.
O objetivo é reduzir o número de afogamentos e acidentes no local. Segundo o Corpo de Bombeiros, nos últimos cinco anos foram registrados 30 afogamentos e encontros de cadáveres no manancial, sendo oito apenas em 2025.
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A medida foi expedida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) nessa terça-feira (20/1). O documento também conta com recomendações às prefeituras, à Copasa, ao Instituto Estadual de Florestas (IEF) e às forças de segurança para que intensifiquem a fiscalização na represa.
A lagoa se encontra dentro da Área de Preservação Ambiental Várzea das Flores, criada em 2006, e compreende uma área de mais de 12 mil hectares de Mata Atlântica e Cerrado.
“Estamos promovendo uma melhor fiscalização desse manancial para preservá-lo para a presente e futuras gerações e, ao mesmo tempo, preservar a vida das pessoas que muitas vezes não sabem que ali se trata de um reservatório artificial”, frisa Tatiana Pereira, promotora de Justiça de Contagem durante coletiva nesta quarta-feira (21/01).
Pereira ainda alerta que no fundo da lagoa há muitas cercas, arames e escombros da antiga fazenda que foi inundada e que podem prender em quem mergulha no local. Além disso, a Vargem das Flores é um importante manancial para o abastecimento hídrico de 11 municípios da Região Metropolitana e não é adequado para atividades aquáticas.
O subcomandante do Corpo de Bombeiros do 2º Batalhão de Contagem, Marcos Vinicius Evangelista dos Santos, frisa que o foco da instituição é a prevenção dos acidentes e a conscientização da população.
“Muitas vezes o acidente é uma questão da falta de habilidade do banhista, é comum encontrarmos os corpos nas margens. A lagoa tem cerca de 55km de orla e as pessoas que entram em contato com os bombeiros também têm dificuldade de identificar o ponto em que estão, o que dificulta o salvamento”, disse dos Santos.
Reforço permanente
A força-tarefa já era realizada desde 2015 na época do carnaval e feriados, mas este ano se tornou permanente. A equipe será formada por integrantes do MPMG, das prefeituras de Betim e Contagem, da Copasa, do Instituto Estadual de Florestas (IEF), da Polícia Militar, da Polícia Militar de Meio Ambiente, do Corpo de Bombeiros e da Marinha do Brasil.
“Será feito um reforço durante os feriados prolongados, já que nessas datas há o aumento de interesse de ir para a região para festividades e atividades aquáticas, o que é vedado pelo plano de manejo e pela legislação estadual”, diz Pereira.
Aqueles que forem pegos realizando atividades aquáticas na Várzea poderão sofrer punições penais, administrativas e criminais, a depender da infração. Os veículos, como motos aquáticas, lanchas e pedalinhos, serão apreendidos e os infratores, conduzidos para a delegacia.
O tenente Eduardo Moraes, comandante da Polícia Militar em Betim, afirmou que a fiscalização passará a ser mais constante e rigorosa, com parceria da Marinha, e contará com o uso de drones e embarcações. Blitzes serão realizadas nos seis acessos ao reservatório e outros pontos da margem.
Afogamentos na Várzea das Flores
Nos últimos cinco meses, o Estado de Minas noticiou quatro afogamentos na Vargem das Flores. Em setembro, o corpo de uma mulher de cerca de 50 anos foi encontrado próximo à margem da represa por um pedestre. O corpo se encontrava muito inchado, o que indicava que estava na água há muito tempo. Os bombeiros o revistaram, mas não encontraram nenhum documento.
No mês seguinte, um pedalinho com quatro pessoas a bordo virou na lagoa, deixando os ocupantes submersos. Um homem morreu afogado e uma mulher, em quadro de parada cardíaca, foi levada para o Hospital Municipal de Contagem. As outras duas pessoas a bordo, um homem e uma mulher, conseguiram sair da água porque ele sabia nadar.
Ainda em outubro, um homem de 30 anos morreu afogado no local. Testemunhas informaram que ele entrou na lagoa, começou a nadar e, em seguida, passou a gritar por socorro. Por fim, em dezembro, banhistas que se encontravam na represa viram um jovem se afogar e foram até um bar próximo para pedir ajuda a algumas pessoas que estavam com motos aquáticas. Entretanto, as tentativas de salvamento não foram bem-sucedidas.
Treinamento dos bombeiros
Em novembro do ano passado, início da temporada de calor e chuvas, o Corpo de Bombeiros realizou um treinamento de salvamento aquático e operações de embarcações na Vargem das Flores com um grupo de mais de 400 militares. A escolha do local se deu pelo grande número de ocorrências de afogamentos registrados.
Na época, o tenente Henrique Barcelos, porta-voz do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, destacou a importância dos treinamentos: “As oficinas, dentre várias outras atividades dos bombeiros, se concentraram em travessias em águas abertas. Os trajetos são de aproximadamente 2km, com exposições a dificuldades em águas abertas, como correntezas, e um trabalho de operação de embarcações, além de um trabalho para o salvamento de vítimas em simulações de afogamentos”.
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Outro grupo de militares foi enviado para o Bairro Colonial, em Ribeirão das Neves, na RMBH, para uma atividade preventiva voltada à orientação da população no período chuvoso e para a prevenção de afogamentos.