O carnaval reúne marchinhas, brilho e encontros entre foliões, mas também exige atenção. A aglomeração, a exposição prolongada ao sol, o consumo de bebidas alcoólicas e as relações sexuais desprotegidas formam um cenário de risco que pode ser reduzido com informação e prevenção.
Manter a vacinação atualizada é o primeiro passo para uma folia segura, alerta o epidemiologista do Hermes Pardini, José Geraldo Leite Ribeiro. Segundo ele, a intensa circulação de pessoas e as viagens típicas do período ampliam a exposição a agentes infecciosos.
O especialista recomenda que adultos tenham duas doses da vacina tríplice viral, mantenham a vacinação contra HPV em dia – com preferência para a HPV9, que oferece cobertura ampliada – e a imunização contra hepatite A. Para quem vai viajar, a vacina contra febre amarela deve estar atualizada. Já pessoas acima de 60 anos devem se vacinar contra o VSR.
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E as ISTs?
O aumento de relações sexuais no carnaval é historicamente acompanhado pelo crescimento dos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). A infectologista do Lab to Lab Pardini, Melissa Valentini, explica que após o período há elevação tanto na procura por testes quanto no número de diagnósticos. Entre as infecções mais comuns estão HIV, sífilis, hepatite B, gonorreia, clamídia, HPV e herpes genital.
O preservativo continua sendo a única forma eficaz de prevenção contra ISTs. A médica alerta que sexo oral desprotegido também pode transmitir ISTs, como gonorreia e sífilis.
Outro ponto de atenção é a mononucleose, conhecida como “doença do beijo”, uma infecção viral transmitida principalmente pela saliva, não sendo classificada como IST. Melissa explica que o contágio pode ocorrer não apenas pelo beijo, mas também pelo compartilhamento de copos, canudos e talheres, além de gotículas respiratórias, como tosse e espirro. Em períodos de maior proximidade entre as pessoas, o risco de transmissão aumenta.
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Para quem teve relação sexual desprotegida com risco de exposição ao HIV, existe a profilaxia pós-exposição sexual (PEP). A orientação é procurar um serviço de saúde, uma unidade de pronto atendimento ou centros de referência em HIV o mais rápido possível. “A PEP deve ser iniciada idealmente nas primeiras horas, mas pode ser feita até 72 horas após a exposição”, explica a infectologista.
A médica recomenda atendimento imediato diante de sintomas como corrimento, dor ao urinar, secreções, feridas ou bolhas genitais. Mesmo sem sintomas, quem teve exposição de risco deve realizar testes para HIV e sífilis após 30 dias e repetir com três meses, período necessário para confirmação diagnóstica.
Alimentação e hidratação
José Geraldo também reforça a importância da hidratação e da alimentação adequada durante a festa. A recomendação é dar preferência a bebidas de procedência conhecida, manter uma dieta leve, rica em frutas, e ingerir líquidos com frequência.
Álcool e energéticos contribuem para a desidratação, o que torna ainda mais essencial o consumo regular de água. Sintomas como enjoo, náuseas, vômitos ou diarreia podem indicar intoxicação alimentar, situação em que o serviço de saúde deve ser procurado. Enquanto isso, a hidratação deve ser iniciada imediatamente.
Segundo o toxicologista e diretor técnico da Toxicologia Pardini do Grupo Fleury, Alvaro Pulchinelli, dos riscos mais graves é o consumo de bebidas adulteradas com metanol. Ele alerta que é praticamente impossível identificar a adulteração. “A olho nu ou com método caseiro, não é possível saber se a bebida foi adulterada”, afirma.
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O metanol é incolor, tem odor alcoólico e não altera sabor, cor ou consistência da bebida. Por isso, a única forma de prevenção é consumir produtos de procedência conhecida, preferencialmente lacrados e adquiridos em estabelecimentos confiáveis.
O especialista também reforça que o álcool aumenta o risco de acidentes, traumas físicos, violência e relações desprotegidas. Não existe dose segura de álcool para dirigir. A recomendação ideal é a abstinência. Caso haja consumo, ele deve ser moderado e nunca associado à direção.
Entre as medidas de redução de danos estão manter hidratação constante com água ou sucos naturais, alimentar-se adequadamente e evitar beber em jejum. Alimentos mais gordurosos, especialmente de origem vegetal, como azeites e frutas secas, ajudam a retardar a absorção do álcool.
A mistura de energéticos com bebidas alcoólicas é fortemente desaconselhada. Segundo o toxicologista, a combinação altera o funcionamento do sistema nervoso central, reduz a percepção dos efeitos do álcool e aumenta a exposição a situações de risco.
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Essa associação pode levar a comportamentos impulsivos, maior consumo de álcool e alterações da frequência cardíaca e da pressão arterial. Também há risco de sintomas neurológicos, como agitação excessiva, além de manifestações cardiovasculares, como taquicardia, falta de ar, dor no peito, tontura e até desmaios.
