HIV: uso regular de PrEP aumentou 28,1% em 2025
Profilaxia pré-exposição foi incorporada ao SUS em 2020 e tem se mostrado uma estratégia efetiva; crescimento dos tratamentos descontinuados foi ainda maior
compartilhe
SIGA
O uso regular da profilaxia pré-exposição (PrEP), terapia que previne o contágio do HIV, cresceu 28,1% no Brasil, passando de 110.733 unidades dispensadas em 2024 para 141.891 em 2025.
- Anvisa aprova novo fármaco com injeção semestral para prevenção do HIV
- Fiocruz conduzirá estudo com injeção contra HIV em sete cidades
O crescimento dos tratamentos descontinuados, ou seja, das pessoas que abandonaram a profilaxia, foi ainda maior, de 41,6%. O número passou de 54.740 em 2024 para 77.522 em 2025. Os dados são do Ministério da Saúde, referentes à dispensação pelo SUS, que inclui prescrições de atendimentos público (93%) e privado (7%).
Com relação ao perfil do usuário, pouco mais de 80% são homens que fazem sexo com homens (HSH), 8,4% são homens héteros e 6,5% são mulheres. Mais da metade (54%) se declara branca ou amarela, sendo 33% pardo e 13% preto. A faixa etária mais recorrente está entre 30 e 39 anos (42,7%), seguida dos jovens com 25 a 29 anos (21,5%) e a faixa entre 40 e 49 anos (18,7%).
Leia Mais
A alta no uso da PrEP está diretamente relacionada à maior conscientização da população brasileira sobre sua eficácia como método preventivo, impulsionada por campanhas do Ministério da Saúde e recomendações de especialistas.
Outro avanço importante que ajuda a explicar o aumento no uso da PrEP é a atualização recente do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde. Antes recomendada apenas para grupos considerados de maior risco, a profilaxia passou a ser indicada para todas as pessoas sexualmente ativas, reconhecendo que a prevenção deve ser universal e acessível. A mudança não só reduz barreiras de estigma, como também reforça a mensagem de que a PrEP é uma alternativa segura, eficaz e disponível para qualquer pessoa que deseje se proteger do HIV.
- Desigualdades e estigmas prolongam pandemia de Aids
- OMS reconhece o fim da transmissão do HIV de mãe para filho no país
Se observarmos os números de São Paulo, onde campanhas e a dispensação de PrEP são mais relevantes, os diagnósticos de HIV caíram 54,6% entre 2016 e 2023, passando de 3.716 para 1.705 casos. Experiências internacionais, como a de São Francisco, nos Estados Unidos, também apontam tendência semelhante.
“O avanço da PrEP representa, para o combate ao HIV/Aids, algo equivalente à chegada dos antirretrovirais na década de 1990, com a diferença de que hoje estamos atuando de forma muito efetiva para prevenir novas infecções”, afirma Sérgio Frangioni, CEO da Blanver, empresa fabricante do medicamento.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Além da produção de medicamentos, a Blanver desenvolve iniciativas de educação e conscientização. Um exemplo é o “IniciatHIVa”, canal dedicado a informações confiáveis sobre HIV/Aids, com conteúdo produzido ao lado de especialistas como Ricardo Kores e a terapeuta Mari Williams.