PREVENÇÃO

Atenção à saúde ganha visibilidade no carnaval, mas exige constância

Especialista aponta necessidade de políticas contínuas e acompanhamento regular, com foco no uso de preservativos, cuidado íntimo e anticoncepção de emergência

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A proximidade do carnaval leva autoridades sanitárias a intensificarem campanhas de prevenção quanto os cuidados íntimos para uma folia mais segura e saudável.

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Certo que é um clichê intensificar tratativas a respeito de pautas como infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), uso de preservativos, testagem e orientação sobre anticoncepção de emergência e, ainda, higiene. Estereótipos desses são necessários, especialmente em relação a saúde feminina.  Tal estratégia parte do entendimento de que períodos de maior circulação social e redução da percepção de risco ampliam a exposição a infecções.

Porém, especialistas ressaltam que os cuidados com a saúde sexual feminina devem ser permanentes, e não condicionados a eventos sazonais. Dados do Ministério da Saúde, por exemplo, indicam que o Brasil mantém patamares elevados de incidência de ISTs ao longo de todo o ano. Em 2023, foram registrados mais de 167 mil novos casos de sífilis adquirida no país, além de crescimento sustentado nos diagnósticos de HIV em mulheres jovens adultas.

Ainda que estudos epidemiológicos não identifiquem, de forma uniforme, picos estatisticamente significativos exclusivamente no período pós-carnaval, gestores públicos reconhecem que a combinação entre aglomeração, consumo de álcool e relações ocasionais justifica o reforço das ações preventivas neste momento.

Para a ginecologista Roberta Brando, especialista em estética íntima e terapia hormonal feminina, o debate ampliado durante o carnaval é relevante, mas insuficiente se não estiver associado a uma mudança de comportamento sustentada. “A saúde sexual da mulher exige constância. O uso correto do preservativo, a atenção aos sinais do próprio corpo e o acompanhamento ginecológico regular não podem ser encarados como medidas excepcionais. São práticas que devem estar incorporadas à rotina de cuidado ao longo de toda a vida”, afirma.

Além da prevenção de ISTs, é importante lembrar dos cuidados íntimos em períodos de calor intenso, quando fatores como suor excessivo, roupas úmidas e higiene inadequada podem favorecer desequilíbrios da flora vaginal. “Alterações como corrimento, odor, ardor ou dor pélvica demandam avaliação médica, independentemente do contexto em que surgem.”

“Outro ponto recorrente nas campanhas de carnaval é a orientação sobre anticoncepção de emergência, indicada em situações específicas, como relação sexual desprotegida ou falha do método contraceptivo. Porém, a pílula de emergência é um recurso pontual. O planejamento contraceptivo adequado reduz riscos físicos e emocionais e deve ser discutido de forma individualizada, com base no histórico clínico da mulher”, completa a médica.

Muito além do carnaval e do seu reflexo sobre o Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de um milhão de ISTs curáveis sejam adquiridas diariamente no mundo, o que posiciona o tema como um desafio estrutural de saúde pública, e não como um fenômeno episódico.

No Brasil, a política de prevenção combinada inclui distribuição gratuita de preservativos, testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites virais, além de orientação clínica contínua nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS).

É por isso que autoridades sanitárias avaliam que a ampliação das campanhas no carnaval funciona como instrumento de visibilidade, mas não altera o diagnóstico central. Importante destacar que a exposição às ISTs é contínua, e, por isso, a resposta do sistema de saúde depende de informação qualificada, acesso a serviços e adesão permanente às medidas preventivas.

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“Acredito bastante que, nesse contexto, o carnaval atua menos como causa e mais como catalisador de um debate que permanece atual durante todo o ano. A saúde da mulher, destacam especialistas, não comporta soluções episódicas nem cuidados intermitentes. Trata-se de uma agenda contínua, que exige prioridade constante nas políticas públicas e nas escolhas individuais”, afirma a ginecologista.

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