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Estado de Minas COVID-19

Mortes de idosos caem em Minas, mas aumentam os óbitos entre 20 e 59 anos

Dados do Registro Civil mostram que reflexo da vacinação contra a COVID-19 na faixa de 80 a 99 anos começa a ser sentido; jovens agora são os mais vulneráveis


20/04/2021 17:01 - atualizado 20/04/2021 17:44

Com o aumento da vacinação contra o novo coronavírus entre idosos, mortes nessa faixa etária começaram a cair(foto: Adão de Souza/PBH )
Com o aumento da vacinação contra o novo coronavírus entre idosos, mortes nessa faixa etária começaram a cair (foto: Adão de Souza/PBH )
 
Enquanto a imunização contra a COVID-19 segue lenta, ainda sem atingir a maior parte da população, Minas Gerais vive os dias mais letais da pandemia. Ainda que abril possa ter dados ainda mais assustadores, março foi o mês que mais contabilizou mortes na história, com 18.892 registros, segundo dados do Portal da Transparência do Registro Civil.
 
As estatísticas também mostram um dado curioso e, ao mesmo tempo, preocupante: enquanto houve redução de até 63% de óbitos pela doença nas faixas etárias mais altas, há um crescimento de quase 70% entre pessoas de 20 a 59 anos.

No mês passado, morreram 3.025 pessoas entre 60 e 99 anos – considerado grupo mais suscetível à doença. Porém, o balanço apontou redução de 63% de mortes na faixa etária 90/99 anos e de 42% na de 80/89 anos em comparação com o início da pandemia do novo coronavírus, em março do ano passado. 

Segundo os cartórios, os idosos entre 90 e 99 anos representavam, em média, 7,2% do total de mortos pela COVID-19 desde o início das medidas de isolamento. Em março, porém, já com os primeiros reflexos da vacinação para essa idade, passaram a representar 4,9% dos óbitos E, nos primeiros dias de abril, 2,6% do total de falecimentos. 

Já a faixa entre 80 e 89 anos, passou de uma média de 23,7% do total de mortos para 18,2% no mês passado e 16,6% nas primeiras semanas de abril.

Por outro lado, houve aumento proporcional de mortes entre os mais jovem – dos 20 aos 59 anos. A mudança teve início em fevereiro, com elevação de óbitos em março, que se mantém nos primeiros dias de abril.

Em números absolutos, 1.216 pessoas desse grupo perderam a vida para a COVID-19 nos 30 dias de março. 

De acordo com o balanço, os óbitos de pessoas com idades entre 20 e 29 anos, que até março representavam, em média, 0,8% dos falecimentos por COVID-19, passaram a ser de 1,3% em abril, crescimento de 68%.

Já a quantidade de mortes de pessoas entre 30 e 39 anos, que representavam, em média, 2,64%, subiu em abril para 4,2% – aumento de 62%.

Vacinação é a saída

 
“No atual cenário, esses números sinalizam uma importante, senão única, saída para o Brasil: a vacinação em massa”, destaca o vice-presidente da Associação Nacional de Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), Luis Carlos Vendramin Júnior.

Ele destaca que a população que hoje aguarda a vacinação deve redobrar os cuidados para evitar a doença: “O Portal da Transparência, que desde o início da pandemia vem permitindo um acompanhamento em tempo real das mortes registradas, traz uma sinalização da queda nos óbitos entre a população com mais idade ao mesmo tempo em que aponta a necessidade de precaução das pessoas mais jovens, que começam a ser, proporcionalmente, mais afetadas pelo número de mortes”.

A faixa de pessoas entre 40 e 49 anos é a mais afetada pelo aumento no número de falecimentos nesta nova fase da pandemia.

Até janeiro de 2021, representavam 4,8% dos óbitos causados pela doença. Em fevereiro, pulou para 5,6%; em março para 7,7%; e, nos primeiros dias de abril, já representam 8,4% do total.

Em relação à média de óbitos desde o início da pandemia, essa faixa etária corresponde a 49% do total de mortes por COVID-19 nos primeiros dias de abril.

Já a população com idade entre 50 e 59 anos representava, em média, 11,3% do total de mortes pelo novo coronavírus no primeiro ano da pandemia. Em fevereiro passou para 12,2%; em março para 14,6% e, nos primeiros dias de abril, 15,2% – elevação de 35% no número de vidas perdidas.

Por mais resultados concretos


Por mais que a vacinação seja fundamental, as estatísticas mostram que as doses aplicadas nos grupos entre 60 e 69 anos, que começaram a entrar no calendário em março, ainda demorarão para surtir efeito.

Além do alto número de internações, essa parcela da população segue com alto índice de mortes. Até março de 2020, representava, em média, 20,9% dos óbitos por COVID-19 no Brasil.

Esse número subiu para 24,7% em março, e 26,6% na primeira quinzena de abril, o que representa aumento de 27% nos óbitos causados pela doença.

Já as mortes na faixa etária de 70 a 79 anos (que, em muitos estados, acabou de receber a dose de reforço do imunizante) continuam em alta em Minas Gerais, passando de uma média 25,7% do total de óbitos para 27,2% em abril.
 

O que é um lockdown?

Saiba como funciona essa medida extrema, as diferenças entre quarentena, distanciamento social e lockdown, e porque as medidas de restrição de circulação de pessoas adotadas no Brasil não podem ser chamadas de lockdown.


Vacinas contra COVID-19 usadas no Brasil

  • Oxford/Astrazeneca

Produzida pelo grupo britânico AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford, a vacina recebeu registro definitivo para uso no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No país ela é produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

  • CoronaVac/Butantan

Em 17 de janeiro, a vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan no Brasil, recebeu a liberação de uso emergencial pela Anvisa.

  • Janssen

A Anvisa aprovou por unanimidade o uso emergencial no Brasil da vacina da Janssen, subsidiária da Johnson & Johnson, contra a COVID-19. Trata-se do único no mercado que garante a proteção em uma só dose, o que pode acelerar a imunização. A Santa Casa de Belo Horizonte participou dos testes na fase 3 da vacina da Janssen.

  • Pfizer

A vacina da Pfizer foi rejeitada pelo Ministério da Saúde em 2020 e ironizada pelo presidente Jair Bolsonaro, mas foi a primeira a receber autorização para uso amplo pela Anvisa, em 23/02.

Minas Gerais tem 10 vacinas em pesquisa nas universidades

Como funciona o 'passaporte de vacinação'?

Os chamados passaportes de vacinação contra COVID-19 já estão em funcionamento em algumas regiões do mundo e em estudo em vários países. Sistema de controel tem como objetivo garantir trânsito de pessoas imunizadas e fomentar turismo e economia. Especialistas dizem que os passaportes de vacinação impõem desafios éticos e científicos.


Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus.

 

 

Entenda as regras de proteção contra as novas cepas



 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.


Para saber mais sobre o coronavírus, leia também:

 


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