ELEIÇÕES 2026

Republicanos registra chapa própria, mas sem nome de Cleitinho

Ata enviada à Justiça Eleitoral mantém aberta a possibilidade de candidatura ao governo e amplia impasse entre diretórios estadual e nacional

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O partido Republicanos de Minas Gerais informou à Justiça Eleitoral que pretende disputar as eleições deste ano com candidatos próprios ao governo do estado, à vice-governadoria e ao Senado, mas evitou citar o nome do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que segue no centro de uma crise em torno da candidatura envolvendo a direção nacional da legenda.

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A ata da reunião da Comissão Estadual, registrada na madrugada desta quinta-feira (6/8), mantém aberta a possibilidade de o partido lançar uma chapa própria até o prazo final de registro das candidaturas, em 15 de agosto, mesmo após a direção nacional anunciar que o senador não será mais candidato ao Palácio Tiradentes.

O documento, assinado pelo presidente estadual da legenda, deputado federal Euclydes Pettersen, estabelece que o Republicanos disputará os cargos de governador, vice-governador e senador mediante decisão da presidência estadual. Embora não mencione Cleitinho, o texto preserva a possibilidade de o partido apresentar uma chapa própria, cenário em que o senador continua sendo apontado, nos bastidores, como o principal nome para encabeçar a disputa caso a direção nacional recue da decisão tomada nesta semana.

A ata também prevê que, caso o presidente estadual decida não registrar dois candidatos ao Senado, o Republicanos poderá apoiar candidatos de outras legendas. Na prática, o partido poderia apoiar a candidatura do ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP), que, após uma reviravolta nas negociações políticas na noite de quarta-feira (5/8), voltou a integrar a disputa no campo político do candidato ao governo Mateus Simões (PSD), mas concorrendo ao Senado.

O registro do documento é mais um capítulo das indefinições que se arrastam há semanas em torno da candidatura de Cleitinho. Durante meses, o senador alternou declarações em que confirmava e recuava da intenção de disputar o governo de Minas, movimento que passou a gerar desconforto na direção nacional do Republicanos, que alegava necessidade de uma definição para concluir as articulações políticas e estruturar a chapa majoritária.

Idas e vindas

Na segunda-feira (3/8), o próprio Republicanos divulgou um vídeo em que Cleitinho aparece chorando ao lado de Marcos Pereira e de Euclydes Pettersen anunciando que desistiria da candidatura. Emocionado, o senador afirmou que vivia um momento de fragilidade provocado pela morte do irmão, Matheus Azevedo, vítima de câncer no mês passado, e que precisava priorizar a família antes de iniciar uma campanha eleitoral.

Um dia depois, porém, durante a convenção nacional do Republicanos, em Brasília, Cleitinho voltou atrás e fez um apelo público para que a legenda reconsiderasse a decisão e autorizasse sua candidatura ao governo mineiro. "Eu quero ser candidato a governador e peço humildemente ao presidente que nos dê essa vaga. Eu não vou decepcionar o partido, não vou decepcionar o senhor, presidente. Vou aumentar essa bancada mineira dentro do partido [...] e trabalhar principalmente pelo povo mineiro", afirmou.

Ao justificar a mudança de posição, o senador disse que gravou o vídeo de desistência em um momento de profunda vulnerabilidade emocional. Segundo ele, após conversar com a mãe, familiares e apoiadores, decidiu retomar o projeto eleitoral. "Ontem, quando fui decidir essa situação, tive um momento de vulnerabilidade, de espiritualidade, não estava bem. Minha mãe e meu irmão saíram de onde eles estavam, chegaram em casa hoje cedo e falaram: 'Não desista. A gente vai fazer campanha para você'".

Em seguida, dirigiu novo apelo à direção partidária. "Quem que nunca foi e voltou? Quem nunca cometeu um equívoco? (...) Peço aqui humildemente que o presidente me dê essa vaga, que eu não vou decepcionar o povo mineiro."

A tentativa, contudo, foi rejeitada imediatamente pelo presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), que classificou o assunto como encerrado. Segundo ele, as sucessivas mudanças de posição do senador inviabilizaram a manutenção da candidatura diante do calendário eleitoral.

"Diante desse cenário, dessa instabilidade, compreensível pelo momento que está passando e das suas idas e vindas, o partido tomou uma decisão. Porque nós estamos a um dia do prazo final das convenções. E, por outro lado, não podemos submeter o povo de Minas a uma situação de insegurança", afirmou.

Após a convenção, Cleitinho disse compreender a posição da legenda, embora ainda pretendesse tentar convencer Marcos Pereira a rever a decisão. O senador apresentou ainda uma nova versão sobre o vídeo de desistência. Segundo ele, a gravação foi feita durante uma conversa com o presidente do partido, mas, depois de refletir e conversar com familiares, enviou uma mensagem pedindo que o conteúdo não fosse divulgado. De acordo com o parlamentar, Pereira já havia seguido para outro compromisso e não viu o pedido antes da publicação.

Apesar das críticas ao processo, Cleitinho evitou responsabilizar o dirigente nacional pelo desfecho. "Não estou aqui para falar mal do presidente, não. Porque a minha situação, que eu fui fazendo, a situação de dúvida, deixou ele dessa maneira. Então, também é legítimo ele pensar do jeito que pensa."

O senador também descartou, por enquanto, deixar o Republicanos e evitou discutir eventual apoio a outro candidato caso permaneça fora da disputa. "Se eu estou aqui falando que sou candidato, não tem como eu falar que vou apoiar outro."

O que levou o Republicanos a desistir de Cleitinho?

A resposta da direção nacional veio em um pronunciamento de cerca de 30 minutos feito por Marcos Pereira durante a convenção e posteriormente divulgado pelo partido sob o título “Tudo sobre a candidatura de Cleitinho: a verdade que você precisa saber”. Na fala, o dirigente reconstruiu cronologicamente as negociações e afirmou que a legenda concedeu diversas oportunidades para que o senador oficializasse sua candidatura.

Segundo Pereira, o Republicanos compreendeu o impacto emocional provocado pela morte do irmão de Cleitinho e aceitou sucessivos pedidos de adiamento da definição. Inicialmente, o senador teria solicitado que a decisão fosse tomada apenas após o fim da Copa do Mundo. Posteriormente, em razão do falecimento do irmão, o partido concordou em estender novamente o prazo.

Mesmo assim, ressaltou o presidente, Cleitinho não compareceu à convenção estadual realizada em 25 de julho nem encaminhou procuração autorizando sua homologação, alternativa prevista pela legislação eleitoral e oferecida pela direção partidária. "O senador Cleitinho não aceitou nem comparecer e nem enviar a carta com a procuração dizendo que era candidato", declarou.

Marcos Pereira também relatou uma reunião realizada na semana passada em São José dos Campos (SP), da qual participaram Cleitinho, Euclydes Pettersen, o deputado estadual Carlos Henrique, o deputado federal Milton Vieira (SP) e o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão. Segundo ele, o encontro durou cerca de cinco horas. "Eu gastei cinco horas da minha vida, de quatro da tarde até nove horas da noite. A sensação que eu tive ao término dessas cinco horas é que eu perdi cinco horas da minha família e da minha vida."

De acordo com Pereira, durante a reunião ele utilizou sua experiência à frente do Republicanos, exemplos históricos e até referências bíblicas para convencer o senador a assumir uma posição definitiva. Outro ponto enfatizado pelo dirigente foi a avaliação de que Cleitinho jamais liderou efetivamente o próprio projeto eleitoral.

"O Cleitinho sempre foi o candidato de todos os republicanos, do PL, dos presidentes nacionais do União e do Progressistas. Todos declararam que apoiariam o senador Cleitinho. Talvez ele não tenha sido candidato de si mesmo."

Segundo Pereira, o senador "ora dizia que era candidato, ora dizia que não era candidato" e nunca assumiu integralmente a condução da candidatura. O presidente nacional afirmou ainda que, durante uma reunião realizada na segunda-feira (3/8), Cleitinho voltou a demonstrar indecisão. Após gravar o vídeo em que desistia da candidatura, teria procurado a direção apenas dez minutos depois para pedir a gravação de uma nova declaração anunciando que voltaria à disputa.

"Exata e precisamente dez minutos depois desse vídeo, depois que recebeu duas ligações, ele me procura e fala: 'Agora eu quero gravar outro vídeo dizendo que eu sou candidato'. Nós não podemos brincar com a vida das pessoas. Voltar atrás todo mundo tem direito. Eu já voltei atrás muitas vezes. Mas não pode ser inconstante nesse nível."

Ainda segundo Marcos Pereira, diante da falta de definição, a direção estadual foi autorizada a iniciar negociações para construir uma alternativa eleitoral. O dirigente afirmou que Euclydes Pettersen informou que o próprio Cleitinho havia autorizado a busca por um "plano B", já que ainda não tinha segurança para confirmar sua candidatura.

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Foi nesse contexto, segundo Pereira, que começaram as articulações envolvendo Marcelo Aro, negociações que posteriormente encontraram dificuldades em razão das exigências apresentadas pela federação União Progressista enquanto persistiam as indefinições sobre o futuro político do senador.

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