ELEIÇÕES 2026

As razões do Republicanos para desistir da candidatura de Cleitinho

Em pronunciamento de 30 minutos, Marcos Pereira detalha negociações e diz que indefinições do senador inviabilizaram candidatura ao governo

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A direção nacional do Republicanos atribuiu às sucessivas mudanças de posição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) a decisão de retirar sua candidatura ao governo de Minas Gerais.

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Em pronunciamento de cerca de 30 minutos durante a convenção nacional da legenda, nessa terça-feira (4/8), o presidente do partido, deputado federal Marcos Pereira (SP), fez uma defesa da condução do processo e apresentou, em ordem cronológica, os motivos que, segundo ele, levaram o Republicanos a desistir do projeto eleitoral.

O pronunciamento foi publicado na noite de terça-feira no canal oficial do Republicanos no YouTube, sob o título "Tudo sobre a candidatura de Cleitinho: a verdade que você precisa saber". Entre os principais argumentos estão a indefinição do senador, o descumprimento de prazos acordados, a insegurança transmitida a aliados e a avaliação de que seria "irresponsável" manter a candidatura diante da proximidade do fim das convenções.

A manifestação ocorreu logo após Cleitinho fazer um apelo público para que o partido reconsiderasse a decisão e o autorizasse a disputar o Palácio Tiradentes. O pedido foi rejeitado por Pereira, que classificou o caso como encerrado.

Idas e vindas

Ao reconstruir as negociações, Marcos Pereira afirmou que o Republicanos concedeu diversas oportunidades para que Cleitinho assumisse oficialmente a candidatura. Segundo ele, a direção compreendeu o impacto emocional provocado pela morte do irmão do senador, Matheus Azevedo, vítima de câncer no mês passado, e aceitou sucessivos pedidos de adiamento.

De acordo com o dirigente, Cleitinho pediu inicialmente que a definição ocorresse apenas após o fim da Copa do Mundo. Depois, diante do sepultamento do irmão, o partido concordou em estender novamente o prazo para que ele anunciasse a candidatura.

Mesmo assim, ressaltou Pereira, o senador não compareceu à convenção estadual do Republicanos em Minas, realizada em 25 de julho, nem encaminhou procuração autorizando sua homologação, possibilidade prevista pela legislação eleitoral e oferecida pela direção partidária. "O senador Cleitinho não aceitou nem comparecer e nem enviar a carta com a procuração dizendo que era candidato", afirmou.

Segundo Pereira, mesmo após a convenção estadual, novas oportunidades foram concedidas. O presidente disse ter colocado sua agenda de campanha em São Paulo à disposição para receber o senador e discutir a situação.

"Cinco horas da minha vida"

Um dos principais trechos do pronunciamento foi o relato da reunião realizada na semana passada em São José dos Campos (SP), que reuniu Cleitinho, o presidente estadual do Republicanos em Minas, deputado federal Euclydes Pettersen, o deputado estadual Carlos Henrique, o deputado federal Milton Vieira (SP) e o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão.

Segundo Marcos Pereira, o encontro durou cerca de cinco horas. "Eu gastei cinco horas da minha vida, de quatro da tarde até nove horas da noite. (...) A sensação que eu tive ao término dessas cinco horas é que eu perdi cinco horas da minha família e da minha vida", declarou.

O dirigente afirmou que utilizou sua experiência de 15 anos à frente do Republicanos para orientar Cleitinho sobre a condução de uma candidatura ao governo de Minas. Disse ainda que recorreu a exemplos históricos e até a passagens bíblicas para convencê-lo a assumir uma posição definitiva.

Falta de liderança

Outro ponto central da justificativa apresentada pelo presidente nacional foi a avaliação de que Cleitinho nunca assumiu efetivamente a liderança do próprio projeto eleitoral. Segundo Pereira, o senador recebeu apoio do Republicanos e também de lideranças de outros partidos, como PL, União Brasil e Progressistas, mas manteve dúvidas durante todo o processo.

"O Cleitinho sempre foi o candidato de todos os republicanos, do PL, dos presidentes nacionais do União e do Progressistas. Todos declararam que apoiariam o senador Cleitinho. Talvez ele não tenha sido candidato de si mesmo", afirmou. Na sequência, acrescentou que o parlamentar "ora dizia que era candidato, ora dizia que não era candidato" e "nunca assumiu o papel de liderança de uma candidatura".

"Não podemos brincar com Minas"

Ao longo do pronunciamento, Pereira repetiu diversas vezes que a principal preocupação da direção nacional passou a ser a insegurança gerada pelas sucessivas mudanças de posição do senador. Segundo ele, aliados aguardavam uma definição para organizar a campanha, enquanto ele próprio buscava manter o apoio de outras legendas à candidatura.

O presidente afirmou ainda que, durante uma reunião realizada na segunda-feira (3/8), Cleitinho voltou a demonstrar dúvidas sobre disputar a eleição. De acordo com Pereira, após gravar o vídeo em que anunciava a desistência da candidatura, o senador voltou atrás poucos minutos depois e pediu para gravar uma nova declaração afirmando que pretendia concorrer.

"Exata e precisamente dez minutos depois desse vídeo, depois que recebeu duas ligações, ele me procura e fala: 'Agora eu quero gravar outro vídeo dizendo que eu sou candidato'. Nós não podemos brincar com a vida das pessoas", disse. "Voltar atrás todo mundo tem direito. Eu já voltei atrás muitas vezes. Mas não pode ser inconstante nesse nível", completou.

Plano B

Marcos Pereira também afirmou que, diante das incertezas de Cleitinho, a direção estadual foi autorizada a iniciar conversas com outras forças políticas para construir uma alternativa ao governo de Minas. Segundo ele, o presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen, informou que o senador havia autorizado a busca por um "plano B", já que ainda não tinha segurança para confirmar a candidatura.

A partir desse cenário, afirmou Pereira, começaram as articulações com o ex-secretário Marcelo Aro (PP). O dirigente relatou que as negociações avançaram, mas encontraram dificuldades após a federação União Progressista impor novas condições em razão das indefinições envolvendo Cleitinho.

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Ao encerrar o pronunciamento, Marcos Pereira afirmou que todas as oportunidades possíveis foram concedidas ao senador, mas que o Republicanos não poderia manter uma candidatura marcada, segundo ele, por sucessivas mudanças de posição.

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