Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
ELEIÇÕES 2026

PL promete apoio a Aro se Cleitinho desistir

Embora nunca tenha anunciado formalmente a sua pré-candidatura ao governo, Cleitinho deixou subentendido,em diversas declarações, que concorreria

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Se o senador Cleitinho (Republicanos) não concorrer ao Palácio Tiradentes, a Federação União Progressista e o PL articulam, no âmbito estadual e nacional, a candidatura de Marcelo Aro (PP) ao governo do estado. Nesse cenário, o PL só recuaria do apoio a Aro na hipótese de o Republicanos lançar Gleidson Azevedo (Republicanos) ao Senado. Ex-prefeito de Divinópolis, ele é irmão gêmeo de Cleitinho. Eventual candidatura de Gleidson enfraqueceria o deputado federal Domingos Sávio (PL), pré-candidato à Corte Alta. A prioridade do PL é a eleição ao Senado, não ao governo. Para conter tal movimento, Aro procura demonstrar à cúpula do Republicanos que sem Gleidson a chapa para a Câmara dos Deputados ficará fragilizada.

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A dúvida sobre a candidatura de Cleitinho persiste. A convenção do Republicanos será neste sábado, 25, quando o partido tem expectativa de um posicionamento formal do senador, que passa por um momento familiar difícil, pela perda do irmão mais novo, Matheus Augusto Azevedo, de 30 anos, em decorrência de complicações da leucemia. A missa de sétimo dia de Matheus será justamente neste sábado. Até por isso, o senador não confirmou se estará na convenção.


Embora nunca tenha anunciado formalmente a sua pré-candidatura ao governo de Minas, Cleitinho, que lidera as pesquisas de intenção de voto, deixou subentendido, ao longo do último ano, em diversas declarações, que concorreria. Entre os seus apoiadores, gerou-se grande expectativa. O projeto que se desenhou envolveu, em princípio, Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas, que se desincompatibilizou do cargo, se filiou ao Republicanos para ser o vice da chapa “puro sangue”. Na hipótese de Cleitinho não concorrer, Falcão seria o nome do partido.


Àquela altura, o PL havia descartado a possibilidade de apoio à reeleição do governador Mateus Simões (PSD), porque com ele o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria de dividir o palanque no estado com o ex-governador Romeu Zema (Novo), concorrente na disputa presidencial. Interessado em fechar o apoio de Cleitinho, Flávio Bolsonaro foi a Patos de Minas em 3 de junho. Cleitinho se deslocou de Brasília. Ambos conversaram em sala reservada no próprio aeroporto da cidade. De um lado, o PL demandou a indicação do vice da chapa e o deputado federal Domingos Sávio (PL) para o Senado. De outro Cleitinho afirmou que o vice seria Falcão, com quem havia firmado compromisso. A partir dali, PL manteve a expectativa do anúncio de Cleitinho, ainda confiando que conseguiria indicar o vice da chapa. Nessa hipótese, o nome seria Vittorio Medioli (PL).


Sem a confirmação de Cleitinho, o PL em Minas se preparou com o Plano B, apresentando dois nomes de trajetória sólida, e recém-filiados à legenda, que poderiam encabeçar a chapa ao governo de Minas e sustentar o palanque de Flávio Bolsonaro no estado: o ex-prefeito de Betim, Vittorio Medioli e o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe. Contudo, diante da proximidade das convenções partidárias, ao longo da última semana, Marcelo Aro, em princípio pré-candidato ao Senado, iniciou uma queda de braço com o PSD de Mateus Simões, exigindo que impeça a candidatura de Carlos Viana ao Senado. Filiado ao PSD, Viana ameaça o desempenho de Aro: ambos disputam o segundo voto do eleitor bolsonarista. Inconformado com a confirmação de Viana na chapa majoritária do PSD, Aro passou a articular o desembarque da coligação de Mateus Simões. Se Cleitinho for candidato, prometeu levar a Federação União Progressista para a chapa majoritária dele, e, em contrapartida, concorreria ao lado de Domingos Sávio na segunda vaga ao Senado.


Aro também tratou de projetar o seu Plano B, na hipótese de Cleitinho não concorrer. Convenceu a cúpula nacional da Federação União Progressista que o seu nome ao governo reforçaria a chapa proporcional para a Câmara dos Deputados. Os presidentes Antonio Rueda (União) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) gostaram da ideia. E passaram a listar com a cúpula nacional do PL estados em que a Federação União Progressista e o PL podem caminhar juntos, hipotecando apoios mútuos. Em Minas, PL ficaria com Aro, que prometeu levar o Republicanos e Cleitinho para o mesmo barco. Se tudo isso irá se confirmar, não se sabe. Até aqui, fica a pergunta: “O que será que será?”

Flip


Edilene Lôbo, primeira mulher negra a integrar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), lançará, na programação da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) 2026, o livro “Encruzilhadas: Tecno-oligarquias, Democracia e Ameaça Ambiental”. A obra coletiva reúne reflexões sobre democracia, inteligência artificial, governança de dados e crise climática. Edilene irá participar da mesa dedicada aos desafios da democracia e do processo eleitoral brasileiro, na qual também estará Yuri Sanches, chefe de risco político da AtlasIntel, e Lívia Reis, antropóloga e coordenadora de Religião e Política do Instituto de Estudos da Religião (ISER).

Correios


Em auditoria realizada sobre os Correios, o Tribunal de Contas da União concluiu que os serviços postais, apesar da queda nas demandas do setor, ainda são socialmente relevantes, especialmente em grupos e regiões vulneráveis. Nesses casos, o correio serve como canal de acesso a serviços públicos essenciais. “Em uma parcela relevante do território nacional, os Correios permanecem como a única infraestrutura pública federal com presença permanente, o que reforça a relevância da universalização sob a ótica da necessidade social", reforçou o ministro relator, Benjamin Zymler.

Desequilíbrio


A auditoria do TCU também assinalou que a política atual de universalização está defasada e com métricas que ocultam regiões que não são atendidas pelo serviço e não levam em consideração as desigualdades sociais e regionais. As falhas na governança encontradas, somadas à falta de normas específicas e à ausência diagnósticos orientados pela equidade, causam atendimento desigual em comunidades tradicionais, áreas rurais e periferias urbanas. Segundo o TCU, há desequilíbrio financeiro crescente, que se associa a uma frágil fonte de financiamento e estrutura de custos pouco transparente. Desta forma, a sustentabilidade da política fica comprometida, o que indica a necessidade de revisão regulatória e de uma forma de financiamento mais sustentável.

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Litigância abusiva


A litigância abusiva no Direito do Consumidor, com foco em demandas que envolvem instituições financeiras, operadoras de telecomunicações, planos de saúde e empresas aéreas será o tema da 14ª Caravana Nacional da Cooperação Judiciária 2026, que será realizada em 6 de agosto, pela Revista Justiça & Cidadania, com apoio do TJMG. A abertura do evento será feita pelo presidente do TJMG, desembargador Vicente de Oliveira Silva, com a presença do ministro Afrânio Vilela, do Superior Tribunal de Justiça (STJ); do corregedor-geral de justiça de Minas Gerais, desembargador Raimundo Messias Júnior; do diretor da Ejef, desembargador Manoel dos Reis Morais, e da conselheira Daiane Lira, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O encerramento terá a presença do ministro Mauro Campbell Marques, corregedor nacional de justiça, e do presidente do Instituto Justiça & Cidadania, Tiago Santos Salles.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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