Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
ELEIÇÕES 2026

O desassossego da sucessão mineira

Interlocutores de Aro admitem que se concorrer à segunda vaga ao Senado na mesma chapa que Viana, terá pouca chance de sair-se vitorioso

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Se a convenção do PSD, agendada para 2 de agosto, referendar em ata a candidatura do senador Carlos Viana à reeleição, o ex-secretário de Estado de Governo Marcelo Aro (PP), que também é pré-candidato ao Senado, irá desembarcar do projeto de reeleição do governador Mateus Simões (PSD). Interlocutores de Aro admitem que se concorrer à segunda vaga ao Senado na mesma chapa que Viana, terá pouca chance de sair-se vitorioso, porque Viana tem a preferência entre eleitores bolsonaristas para receber o segundo voto. Na expectativa de que com a pressão sobre Mateus Simões, que não pode perder a Federação União Progressista, reverta o compromisso da cúpula do PSD com Viana, a federação, que em princípio faria a sua convenção dia 1º de Agosto, postergou para o dia 3. A tendência é apresentar a ata do PSD como argumento para não referendar a coligação com o PSD, deixando União e PP livres em Minas para buscar destinos mais promissores.

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O primeiro cenário com o qual trabalha Marcelo Aro em articulação com o presidente estadual do Republicanos, Euclydes Pettersen: atuar pela consolidação da aliança entre Republicanos e PL em Minas, à qual se juntaria a Federação União Progressista, indicando Aro para a segunda vaga ao Senado. Nessa concertação política, há expectativa de que o senador Cleitinho (Republicanos) encabece a chapa, Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ex-prefeito de Patos, seja o vice, e o deputado federal Domingos Sávio (PL), o candidato para a primeira vaga do Senado. Tal arquitetura, contudo, não é consensual no PL, que guarda não poucas lideranças com expectativa de indicar a posição de vice na chapa. Vittorio Medioli é o nome que vinha sendo costurado para a composição, antes de Marcelo Aro atravessar a conversa. No PL, as incertezas sobre o formato da chapa – inclusive ainda sem a confirmação de que Cleitinho concorrerá – levaram a legenda a formatar caminho alternativo, com candidatura própria: o empresário Flávio Roscoe e Vittorio Medioli são nomes cotados para concorrer ao Palácio Tiradentes.

Caso Marcelo Aro não consiga se encaixar em posição favorável para concorrer ao Senado na chapa de Cleitinho, a Federação União Progressista projeta um segundo cenário: tanto o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP quanto Antonio Rueda, presidente nacional do União, estimulam Aro a se lançar candidato da federação ao governo de Minas. Tal candidatura daria mais visibilidade à chapa proporcional de deputados federais, que é o que de fato importa para as duas legendas. O governo não seria o primeiro objetivo de Aro, que por meio da estrutura do governo de Minas, trabalha há quatro anos na construção das bases municipais de sua candidatura ao Senado. Mas se não conseguir uma posição em chapa que potencialize as suas chances de vitória, Aro poderá preferir apostar na corrida ao governo. Se Cleitinho, que lidera as pesquisas, não for candidato, a sucessão estadual ganhará doses adicionais de imprevisibilidade, com um conjunto de candidaturas, que em princípio saem com vantagens distintas: alguns têm recall, outros a tração do bolsonarismo, do lulismo ou da máquina do estado.

A movimentação de Aro retirando a Federação União Progressista de Mateus Simões representa um baque político para o governador candidato à reeleição. Carlos Viana analisa o movimento de Aro considerando que encontrou em sua filiação ao PSD a “desculpa” conveniente para abandonar Mateus Simões, depois de se beneficiar da máquina do estado. De nove partidos políticos com os quais Mateus contava inicialmente em seu leque de alianças, se arriscará a ficar com o PSD e o Novo. Sem superar a cláusula de barreira, o Novo não tem tempo de antena para contribuir. Mas, em convenção, indicou para a posição de vice na chapa de Mateus a vereadora Fernanda Altoé ou o ex-deputado federal Tiago Mitraud. Sem União e o PP, Mateus perderá, a reboque, o Podemos. A Federação PRD Solidariedade indicou em convenção apoio a Aro, mas não referendou coligação com Mateus, delegando a decisão à executiva estadual.

Em tantas voltas que a sucessão mineira dá em torno do próprio eixo, ao final da experiência, para alguns atores, restará o eterno desassossego. Diria Fernando Pessoa: “Fui tudo, nada vale a pena."


Até breve

Depois de uma maratona de conversas e articulações com o PT, o PV e o PCdoB para a construção de uma frente ampla em apoio à pré-candidatura de Marília Campos (PT) ao Senado e de Gabriel Azevedo (MDB) ao governo de Minas, o emedebista e as lideranças da federação trocaram mensagens de agradecimento pela convivência. Antes do consenso se formar em torno da pré-candidatura do deputado federal Patrus Ananias (PT), Gabriel Azevedo recebeu apoio de diversos parlamentares e quadros dos três partidos. Tudo posto na balança, o MDB e a Federação PT-PV-PCdoB tomaram rumos diferentes no primeiro turno da sucessão mineira. A convenção do MDB que homologará Gabriel Azevedo será em 1º de Agosto. A convenção da federação, que formalizará Patrus Ananias, será em 31 de julho.

Vídeos

A direção nacional do PSD pediu ao senador Carlos Viana (PSD) que gravasse vídeo em apoio à convenção nacional da legenda, neste domingo (26/7), que referendará a chapa de Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab à Presidência da República. Viana está certo de que, apesar da pressão de Marcelo Aro sobre Mateus Simões, o PSD manterá a sua indicação para concorrer ao Senado Federal.

Marca posição

Depois de criticar a concessão do green card, pelo governo norte-americano a Eduardo Bolsonaro, em meio ao tarifaço e tensões diplomáticas entre os países, pré-candidato à presidência da República pelo PSD, Ronaldo Caiado, disparou contra o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL. "42 embaixadores numa sala. Dava para vender soja. Dava para abrir mercado para indústria. Dava para atrair investimento. Escolheram falar de urna eletrônica!", escreveu no X Caiado, sem citar o senador.

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Chapa puro sangue

O partido Missão confirmou ontem a candidatura do estudante de medicina e advogado Benoni Benjamin Cardoso Mendes, conhecido como Ben Mendes, ao governo de Minas. Em convenção realizada remotamente, a legenda também definiu pelo nome de Cabo David, da Polícia Militar, para a vaga de vice-governador na chapa.

 

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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