Bertha Maakaroun
Bertha Maakaroun
Jornalista, pesquisadora e doutora em Ciência Política
Em Minas

Porsche sem freios e o desembarque de aliados

Combatida pelos homens da própria família, Michelle, nome dos sonhos do Republicanos para ser vice na frustrada chapa presidencial de Tarcísio, rebela-se

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Apesar da maré das más notícias, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mantém tração para o segundo turno, conforme registra a mais recente BTG Nexus, na qual se encontra em desvantagem numérica, mas em situação de empate técnico com o presidente Lula (PT). Mas Republicanos e a Federação União Progressista olham além. Fotografias atuais das estimativas à parte, há dúvidas do que esperar à frente.

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Se as primeiras notícias do envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro foram balde de água fria no entusiasmo adesista, o que se segue é desanimador. Não bastasse a briga dentro do clã e o fogo-amigo eduardista dirigido a aliados, inclusive à senadora Damares Alves (Republicanos-DF), há outros problemas à vista. Entre eles está a recente prisão em flagrante, convertida em liberdade provisória, do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União) – presidente do União no Rio e pré-candidato ao Senado, importante sustentáculo do palanque bolsonarista no estado.


Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, Eduardo e Carlos, é a primeira suplente de Canella. Próximo a Antonio Rueda, Canella caiu em esquema investigado pela Polícia Federal envolvendo uma quadrilha suspeita de utilizar rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro do crime organizado. Pelo momento, subiram no telhado os sonhos da família de conquistar cadeiras para Carlos e Michelle Bolsonaro, além dos suplentes Rogéria Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro, já que Canella e André do Prado (PL), subiriam para ministros se Flávio vencer o pleito. O PP vivia os seus dissabores com Flávio Bolsonaro, desde que o presidente nacional, senador Ciro Nogueira (PI), se viu rifado pelo PL em meio à divulgação de tantas intimidades e mimos proporcionados por Daniel Vorcaro. Agora o União também ganhou os seus próprios motivos. Tentando se afastar do escândalo, e sem hipotecar nenhum tipo de apoio ao “aliado” fluminense Canella, o PL de Flávio Bolsonaro tenta retirar a indicação dele ao Senado. O União não aceita. É guerra declarada entre “amigos” familiarizados com armamentos. Não faltará munição.


Em prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) saiu em socorro do filho. Dias depois de Michelle Bolsonaro vir a público criticar Flávio Bolsonaro, segundo ela, com anuência e apoio de seu “galego”, a carta do pai opera como um desmentido à ex-primeira-dama. O “chefe” e, segundo Valdemar Costa Neto “dono dos votos”, reitera a candidatura do primogênito, a quem nomeia o seu “porta voz”. A vingança de Michelle veio a cavalo. Alexandre de Moraes, a quem Michelle chamou “irmão em Cristo”, proibiu nesta segunda-feira visitas de Flávio ao pai, por 90 dias, por descumprir a medida cautelar que veta Bolsonaro de usar redes sociais, diretamente ou por terceiro. Quando leu a carta, o senador assumiu os riscos.

Combatida pelos homens da própria família, Michelle, nome dos sonhos do Republicanos para ser vice na frustrada chapa presidencial de Tarcísio de Freitas, rebela-se. Tornou-se agora chefe do movimento “Imparáveis”. A inspiração não foi gospel. Em “unstoppable”, é Sia quem avisa: “Eu sou imparável, sou uma Porsche sem freios/Eu sou invencível, sim, eu ganho todos os jogos/Eu sou tão poderosa, não preciso de baterias para jogar/Eu sou tão confiante; sim, eu sou imparável”.


Farejando um turfe presidencial ao estilo photo-finish, em desvantagem para o focinho mais jovem, é nesse contexto que Republicanos e União Progressista entenderam que a neutralidade é o melhor caminho. Sem uma aliança nacional, os diretórios estaduais têm liberdade para apoiar o candidato que considerarem mais conveniente em cada estado – ou mesmo de não apoiar ninguém. Em Minas Gerais, o senador Cleitinho (Republicanos) já havia antecipado sinais que levaram o PL a investir no Plano B com candidatura própria. Cleitinho não nega apoio a Flávio Bolsonaro, mas não quer tornar-se ventríloquo do bolsonarismo, condição exigida pela família para manter o apoio aos aliados. Também o governador Mateus Simões (PSD), que não rejeitaria o PL – pois em política, apoio se aceita – avisa que “nunca foi bolsonarista” e que tem as suas diferenças com o bolsonarismo. Tudo indica que, em Minas, o Plano B do PL vai se tornar Plano A. São pré-candidatos o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe, e o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli.

Os incomodados...

Apesar de o governador Mateus Simões (PSD) declarar que o seu primeiro compromisso é com a candidatura ao Senado de Marcelo Aro (PP), lideranças do PSD garantem: a legenda vai garantir a indicação ao senador Carlos Viana, filiado para concorrer à reeleição.

... que se retirem


“São duas vagas”, afirmam as lideranças, referindo-se ao fato de haver espaço na chapa majoritária de Mateus Simões para Carlos Viana e Marcelo Aro. Cresce na cúpula da legenda a leitura de que Marcelo Aro faz acenos ao Republicanos do senador Cleitinho e busca uma desculpa para abandonar o barco de Mateus Simões sem levar a pecha de ter rompido o acordo.


Carreta da saúde


A Justiça Eleitoral rejeitou por unanimidade, nessa segunda-feira, o pedido do ex-vereador Wagner Messias Silva, o Preto (União Brasil), para cassar o mandato da vereadora Janaína Cardoso (União). O processo analisado questionava abuso de poder político e econômico, captação ilícita de votos e condutas vedadas pelo uso de uma unidade móvel de saúde, a “Carreta da Saúde”, durante o período eleitoral de 2024. O Ministério Público Eleitoral (MPE) opinou pela improcedência das acusações de abuso de poder e condutas vedadas, mas reconheceu irregularidade administrativa na oferta de exames oftalmológicos e distribuição de óculos fora do convênio oficial. Preto pretende levar o caso ao TSE.

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Acesso à informação


O pré-candidato do MDB ao governo, Gabriel Azevedo, ingressou com pedido de informações junto à Secretaria de Estado de Planejamento para que sejam divulgados os nomes dos profissionais que estão em cargos de direção e assessoramento na estrutura administrativa do estado. Segundo ele, o Portal da Transparência do governo indica “inf. sigilosa” para várias funções. O emedebista também solicita que, em caso de negativa, sejam apresentados os fundamentos legais para a classificação.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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