ELEIÇÕES 2026

Marcos Pereira diz que perdeu '5 horas' tentando convencer Cleitinho

Presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, disse que indefinição inviabilizou o projeto eleitoral do senador Cleitinho

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O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), afirmou que "perdeu cinco horas da vida" tentando convencer o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) a assumir de forma definitiva a candidatura ao governo de Minas Gerais.

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A declaração foi dada nessa terça-feira (4/8), durante a convenção nacional do partido, em resposta ao apelo público feito pelo parlamentar para que a legenda reconsiderasse a decisão de retirar seu nome da disputa pelo Palácio Tiradentes. Segundo Pereira, a sucessão de mudanças de posição do senador tornou inviável a manutenção da candidatura.

O pronunciamento, com cerca de 30 minutos, foi publicado na noite de terça-feira no canal oficial do Republicanos no YouTube, sob o título "Tudo sobre a candidatura de Cleitinho: a verdade que você precisa saber". Na fala, o dirigente detalhou a condução das negociações nas últimas semanas e rebateu publicamente a tentativa do senador de reverter a decisão da legenda.

Ao relatar uma reunião realizada na semana passada em São José dos Campos (SP), Marcos Pereira afirmou que dedicou uma tarde inteira para orientar Cleitinho sobre a condução da candidatura. "Eu gastei cinco horas da minha vida, de quatro da tarde até nove horas da noite. (...) E a sensação que eu tive ao término dessas cinco horas é que eu perdi cinco horas da minha família e da minha vida", declarou.

Segundo o presidente nacional, o encontro reuniu, além de Cleitinho, o presidente estadual do Republicanos em Minas, deputado federal Euclydes Pettersen, o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão, o deputado estadual Carlos Henrique e o deputado federal Milton Vieira (SP).

Pereira afirmou que utilizou sua experiência à frente do partido para alertar o senador sobre os desafios de governar Minas Gerais e disse ter aconselhado o parlamentar a assumir uma postura de liderança mais firme. Também relatou que recorreu a exemplos históricos e até a passagens bíblicas para convencê-lo a definir sua posição.

Negociações

Durante o discurso, Marcos Pereira reconstruiu a sequência de negociações entre a direção nacional e Cleitinho. Segundo ele, o senador recebeu diversas prorrogações de prazo para anunciar oficialmente a candidatura, inicialmente em razão do período de luto pela morte do irmão, Matheus Azevedo, vítima de câncer no mês passado.

O dirigente afirmou que, em diferentes momentos, o partido aceitou os pedidos de adiamento feitos por Cleitinho, incluindo a solicitação para aguardar o fim da Copa do Mundo. Depois disso, segundo Pereira, foi acordado que o senador se declararia candidato em 20 de julho.

Como o sepultamento do irmão ocorreu um dia antes, o Republicanos decidiu conceder novo prazo para que o parlamentar formalizasse a candidatura durante a convenção estadual da legenda, realizada em 25 de julho, ou, caso não pudesse comparecer, encaminhasse procuração autorizando sua homologação. Cleitinho não participou da convenção nem mandou nenhuma autorização em seu nome.

Segundo Pereira, nenhuma das alternativas foi aceita pelo senador. Ainda assim, afirmou que ofereceu novas oportunidades de diálogo e chegou a colocar sua agenda de campanha em São Paulo à disposição para um encontro presencial.

Ao justificar a decisão do partido, Marcos Pereira afirmou que Cleitinho nunca assumiu plenamente a liderança do próprio projeto eleitoral.

"O Cleitinho sempre foi o candidato de todos os republicanos, do PL, com quem tive muitas conversas, dos presidentes nacionais do União e do Progressistas. Todos declararam que apoiariam o senador Cleitinho. Talvez ele não tenha sido candidato de si mesmo. Talvez ele não tenha assumido a liderança do processo, que tem que ser assumido por quem quer governar o estado de Minas Gerais, que é o segundo maior colégio eleitoral deste país", afirmou.

Na avaliação do dirigente, o senador alternava manifestações favoráveis e contrárias à candidatura, criando insegurança entre aliados e dificultando a organização da campanha. "Nós não podemos brincar com a vida das pessoas. Tem centenas de pessoas dependendo da sua decisão no âmbito político e milhões de mineiros esperando por uma definição sua", disse.

Apelo público

A resposta de Marcos Pereira ocorreu logo após Cleitinho pedir a palavra durante a convenção nacional e solicitar publicamente que o partido reconsiderasse a decisão de retirá-lo da disputa pelo governo mineiro.

O senador afirmou que decidiu desistir da candidatura enquanto enfrentava um momento de forte abalo emocional provocado pela morte do irmão, mas disse ter mudado de posição após conversar com familiares. "Eu quero ser candidato a governador e peço humildemente ao presidente que nos dê essa vaga. Eu não vou decepcionar o partido", declarou.

Cleitinho também afirmou que a decisão de abandonar a disputa foi tomada em um momento de vulnerabilidade e pediu compreensão aos dirigentes da legenda. "Quem nunca foi e voltou? Quem nunca cometeu um equívoco?", questionou durante o discurso.

Decisão mantida

Apesar do novo apelo, Marcos Pereira afirmou que a decisão do Republicanos é definitiva. Segundo ele, a proximidade do encerramento do prazo das convenções - que se encerra nesta quarta-feira (5/8) - e as sucessivas mudanças de posição do senador impediram a manutenção da candidatura.

"Diante desse cenário, dessa instabilidade, compreensível pelo momento que está passando e das suas idas e vindas, o partido tomou uma decisão [...]. Não podemos submeter o povo de Minas a uma situação de insegurança", afirmou.

Após a convenção, Cleitinho disse que ainda pretende procurar Marcos Pereira para tentar convencê-lo a rever a decisão, mas afirmou compreender a posição da direção partidária diante do calendário eleitoral.

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O senador também negou que pretenda deixar o Republicanos e evitou declarar apoio ao ex-secretário Marcelo Aro (PP), que passou a ser articulado como alternativa da legenda para disputar o governo de Minas. Segundo ele, enquanto continuar tentando viabilizar sua própria candidatura, não faz sentido discutir apoio a outro nome.

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