Indefinição domina corrida pelo governo de Minas às vésperas das convenções
A uma semana do início das convenções, PT e PL, principais polos da disputa, ainda não definiram quem representará os partidos na disputa estadual
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Faltando exatamente uma semana para o início das convenções partidárias, marcadas para 20 de julho, a indefinição ainda é a tônica das articulações em Minas Gerais. Ao menos seis partidos já colocaram pré-candidaturas ao Palácio Tiradentes, mas o quadro ainda está longe de ser definitivo.
Campos antagonistas e que polarizam as eleições, PT e PL ainda não bateram o martelo sobre quem irá liderar seus respectivos projetos no estado. Enquanto os petistas tentam viabilizar uma candidatura própria, os bolsonaristas aguardam a resposta do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
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No PT, a busca por um nome ganhou novos contornos depois de frustrada a missão dada pelo presidente Lula de convencer a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, a disputar o governo estadual. Agora, o partido voltou suas atenções para o deputado federal e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias. O nome do parlamentar surgiu durante reunião realizada na última quarta-feira no Palácio da Alvorada, convocada por Lula com cerca de 30 integrantes da coordenação nacional da campanha presidencial.
A possibilidade de Patrus assumir a missão, no entanto, ainda está longe de ser uma decisão consolidada. Procurado pelo Estado de Minas, ele afirmou não ter sido procurado pela direção partidária. Antes de tomar qualquer decisão, Patrus pretende conversar pessoalmente com Lula sobre o assunto. O encontro, contudo, só deverá ocorrer no início da próxima semana, quando o deputado retornar a Brasília após compromissos no interior do estado, parte da sua agenda de pré-campanha para a reeleição à Câmara dos Deputados.
Enquanto tenta convencer Patrus, o PT mantém outras alternativas sobre a mesa. O partido sabe que Minas ocupa posição estratégica na eleição presidencial, já que, desde a de 1950, nenhum presidente da República foi eleito sem conquistar a maioria dos votos dos mineiros. Além de Patrus, também está na esteira a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Sandra Goulart, recém-filiada ao partido, que já se colocou à disposição para o pleito.
Bolsonarismo em Minas
Cotado para encabeçar o palanque bolsonarista no estado, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) empurra a decisão cada dia mais. Anteriormente, havia dito que se posicionaria após a Copa do Mundo, que se encerra em 19 de julho, véspera do início das convenções partidárias. Na semana passada, porém, durante discurso no plenário do Senado, voltou a postergar o anúncio e sinalizou que poderá esperar até o último dia do prazo legal.
“Porque eu vou anunciar agora? Quem está com 2%, 3%, 4% que lute. Olha as pesquisas como estão. Por que eu tenho que decidir agora, se o povo não quer saber nada de política agora?”, disse o senador, que lidera as pesquisas de intenção de voto no estado.
Em seguida, ironizou a pressão de aliados e adversários por uma definição. “Estou pensando em deixar esse povo ainda mais doido em Minas Gerais. Se o último dia da convenção for 5 de agosto, falar assim: ‘5 de agosto eu decido’. Para deixar esse povo mais louco”, afirmou.
Enquanto adia a decisão, Cleitinho mantém em compasso de espera a estratégia do campo bolsonarista, que aposta em sua candidatura para formar o palanque do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), em Minas. A demora, no entanto, passou a provocar preocupação entre dirigentes da legenda. Em um primeiro momento, o partido chegou a estabelecer um prazo para que o senador anunciasse sua decisão.
Posteriormente, recuou e optou por aguardar, sob a avaliação de que lançar outro candidato poderia fragmentar o campo da direita, que já tem o governador Mateus Simões (PSD) como pré-candidato à reeleição. A expectativa era de que Cleitinho se manifestasse até o fim da primeira quinzena de julho, prazo que voltou a ser frustrado.
“A gente está tendo a prudência de não nos precipitar. Alguns às vezes dizem: 'Olha, já que o Cleitinho está indeciso, lança alguém candidato'. Isso poderia gerar uma divisão, que não seria boa para o futuro de Minas Gerais”, afirmou o secretário-geral do PL, Domingos Sávio, em entrevista ao Estado de Minas.
Partidos de centro
Sem Rodrigo Pacheco na disputa, o PSB, que recebeu a filiação do senador em abril deste ano, movimento interpretado como um sinal de anuência à candidatura, manteve o projeto de disputar o Palácio Tiradentes. Na última terça-feira, a sigla concluiu as prévias internas para definir o pré-candidato ao governo do estado e elegeu o ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior para a disputa.
A decisão foi tomada pelos filiados da legenda que disputarão vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). As prévias, que duraram 27 dias, e também tinham no páreo o ex-senador e ex-vice-governador Clésio Andrade, do ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) Julvan Lacerda e do empresário Josué Gomes, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Entre os participantes, Jarbas era quem mais vinha intensificando movimentos públicos em favor de uma candidatura ao Palácio Tiradentes. No fim de junho, por exemplo, participou de um evento em Montes Claros, no Norte de Minas, ao lado do pré-candidato do MDB ao governo estadual, Gabriel Azevedo, e da ex-prefeita de Contagem Marília Campos, pré-candidata do PT ao Senado.
Pré-candidaturas em Minas
Historicamente, Minas costuma chegar à urna com algo entre 7 e 10 candidaturas ao governo. Em 2022, foram 10 postulantes. Em 2018, nove. Já em 2014, sete nomes disputaram o comando do estado.
A corrida de 2026 já conta com duas pré-candidatas mulheres. Pela Unidade Popular (UP), Indira Xavier tenta novamente chegar ao Palácio Tiradentes. Natural de Alagoas, ela ajudou a fundar o partido em 2019 e foi candidata ao governo em 2022, quando recebeu 15.604 votos, o equivalente a 0,14% do total.
Já Maria da Consolação, a Consola, foi lançada pela federação Psol-Rede. Uma das fundadoras da legenda, ela acumula oito candidaturas sem vitórias. Disputou a Prefeitura de Belo Horizonte em 2012 e 2016; uma vaga na Câmara Municipal em 2020 e 2024; uma cadeira na Assembleia Legislativa em 2022; e mandatos na Câmara dos Deputados em 2010, 2014 e 2018.
O campo da esquerda ainda conta com a pré-candidatura do professor Túlio Lopes, do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ele foi candidato do partido ao governo do estado em 2014, tendo recebido 0,26% ou 26.023 votos na época, o que o colocou em quinto lugar na disputa. Em 2018, foi candidato ao Senado Federal pela Frente Minas Socialista, formada por PCB, PSOL e UP, e ficou em 10º lugar na disputa por duas vagas, com 0,52% dos votos (92.165).
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No centro, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que volta à disputa após ser derrotado por Romeu Zema (Novo) em 2022, e o estreante Gabriel Azevedo (MDB). Herdeiro político de Romeu Zema (Novo), o governador Mateus Simões (PSD) desponta hoje como o principal nome da direita na sucessão estadual. O campo conservador também conta com a pré-candidatura do influenciador digital Ben Mendes, lançado pelo partido Missão.