Ex-reitora da UFMG se coloca à disposição para chapa do PT ao governo de MG
Sandra Goulart defende diálogo e cita possibilidade de articulação da legenda com outros partidos progressistas no estado em entrevista exclusiva ao EM
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Sandra Goulart, ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), se colocou à disposição para compor a chapa própria do Partido dos Trabalhadores (PT) na disputa pelo governo de Minas. Em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, ela defendeu a articulação de alianças do partido com outras legendas progressistas no estado e a construção de um plano de governo benéfico para Minas Gerais.
A cúpula do partido decidiu avançar, em reunião realizada no Palácio da Alvorada, em Brasília, nessa quarta-feira (24/6), na estratégia de que a legenda teria uma candidatura própria no estado. De acordo com interlocutores do partido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reiterou a vontade de ter a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, na liderança de seu palanque no estado e deu aos dirigentes a missão de convencê-la a entrar na corrida.
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Marília, no entanto, bateu o martelo ao afirmar que o Senado é sua única possibilidade política para as eleições de 2026. Com a saída da pré-candidata ao Senado, juntamente com a saída do senador Rodrigo Pacheco (PSD), que também era defendido por Lula, no final do último mês, a chapa petista segue indefinida.
Em meio a esse impasse, Sandra afirmou que está à disposição para liderar uma aposta do partido ao Palácio do Tiradentes, mas defendeu diálogo e construção conjunta na definição. "Quero contribuir da forma como o partido e os colegas acharem adequado, a partir da experiência que tive, por anos, à frente da Reitoria de uma instituição que sempre esteve a serviço do estado de Minas Gerais e do povo mineiro, e conhece a importância de políticas públicas robustas para o nosso estado", defendeu.
Segundo ela, não está descartada a possibilidade de articulação do partido com as pré-candidaturas já estabelecidas de partidos progressistas.
A ex-reitora citou os pré-lançamentos do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, nome do Partido Democrático Trabalhista (PDT); do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares, pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB); e do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, que se lançou como pré-candidato ao governo pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), e afirmou que os três são “nomes que respeita muito e com os quais sempre teve excelente diálogo”.
A pré-candidatura de Kalil, no entanto, é entendida como impedidora de aliança do PT com o PDT. De acordo com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o movimento do pré-candidato de se lançar candidato impede a construção de uma composição mais ampla.
Filiação sem pretensão específica e aberta à cooperação
Sandra se filiou ao partido em abril deste ano, dias após deixar a chefia da UFMG, e afirmou que sua entrada não tinha pretensão de chegar a nenhum cargo em específico, e sim “contribuir para este projeto de estado e de país no qual acredito”.
À reportagem, contou que sua filiação ocorreu em meio a compreensão da sua responsabilidade como professora e cidadã, principalmente após oito anos à frente da universidade. “Me filiei por entender que tenho esta responsabilidade de lutar por valores que são tão caros para mim e por uma grande parcela da população do nosso estado e do nosso país, depois de ter tido a honra de dirigir uma instituição como a UFMG e passar por um dos momentos mais difíceis da história das universidades públicas”, afirmou.
Sandra foi reitora da UFMG durante o que definiu como “dois projetos de país”. Ao comentar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que a gestão “quase destruiu a educação, a saúde e as universidades”. Em contrapartida, declarou se identificar com o projeto representado pelo presidente Lula.
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Segundo ela, trata-se de uma gestão voltada para um projeto de “país soberano, mais justo e mais equânime” e que “entende a saúde, a ciência e a educação, em todos os níveis, como imprescindíveis para a melhoria de vida de nosso povo”. “É nisso que acredito. É por isso que pretendo lutar sempre”, declarou.
Além disso, ela afirmou que, independentemente de ser nomeada para uma chapa partidária, quer seguir na orientação do partido e “construir um plano de governo consistente e efetivo para Minas”. “Não posso me omitir. O risco é grande demais. Quero contribuir para o projeto de estado e de país no qual acredito”, afirmou ao EM.
Sandra Goulart afirmou ainda que tem a intenção de contribuir para um projeto que "coloque Minas Gerais de novo no cenário nacional" e que também "contemple quem mais necessita das políticas públicas". Ela também defendeu a pré-candidatura de Lula à reeleição ao Planalto no pleito de outubro: "Quero trabalhar para a reeleição do presidente Lula, que tanto tem feito pela educação, pela ciência, pelas universidades federais e pelo povo brasileiro”, declarou.
Indefinição
O palanque do PT ainda não está claro no estado. O Partido Liberal (PL), que é outro dos principais polos da política nacional, também discute candidatura própria e alianças. A menos de um mês das convenções partidárias, ainda há indefinição em Minas.
A saída de Marília da corrida vai na contramão da declaração de Lula, que pediu a articuladores que convencessem a ex-prefeita a concorrer. Nesta quinta-feira (25/6), fontes ligadas ao núcleo petista afirmaram que a "nomeação" de Lula por ela na corrida a pegou de surpresa. Em nota, a ex-prefeita de Contagem defendeu sua pré-candidatura ao Senado e disse que a possibilidade de candidatura única do partido "é um equívoco".
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Sandra Goulart também comentou sobre o impasse. Para ela, é natural pensar no nome de Marília quando se pensa em liderança estadual, uma vez que ela é "atualmente um dos principais nomes do partido em Minas", mas que a corrida pelo Palácio do Tiradentes depende da vontade dela. "Ela será um grande nome no Senado também", defendeu a ex-reitora da UFMG.