Caiado critica carta de Bolsonaro: ‘Não podemos ser porta-voz de ninguém’
Pré-candidato à Presidência criticou movimento do ex-presidente Jair Bolsonaro e argumentou que "ninguém pode ter dúvida sobre quem manda"
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O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) voltou a criticar a carta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em que ele nomeia o seu filho, senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-SP), como seu “porta-voz”. Para o ex-governador, o movimento demonstra "extrema fragilidade da campanha" e os candidatos não podem “ser porta-voz de ninguém” e, sim, falar por si mesmos.
O texto foi lido por Flávio durante live no YouTube, na tarde desse sábado (11/7). No documento, o ex-presidente condenado por tentativa de Golpe de Estado afirmou que o seu “filho 01” é “a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e do empobrecimento” e pediu que a direita se una em torno de sua pré-candidatura.
Ainda no sábado, Caiado ironizou a carta em publicação nas redes. “Flávio Bolsonaro, 45 anos, leu uma carta do pai ao vivo pra dizer que está pronto pra ser presidente. É isso…", escreveu no X (antigo Twitter).
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Em uma segunda publicação, ele escreveu que “um candidato à Presidência precisa provar que decide sozinho nos momentos mais duros” e que o eleitor “não quer um presidente que precise de aval constante de outra liderança”. O presidenciável argumentou que, em um momento de crise, “ninguém pode ter dúvida sobre quem manda” ou imagina que o presidente precise ouvir outra pessoa antes de escolher a forma como agir.
“Esse contraste entre autonomia e dependência pode virar um eixo central do debate. Porque, numa eleição presidencial, liderança não se herda, se demonstra”, argumentou.
Flávio Bolsonaro, 45 anos, leu uma carta do pai ao vivo pra dizer que tá pronto pra ser presidente.
— Ronaldo Caiado (@ronaldocaiado) July 11, 2026
É isso…
… Porque um candidato à Presidência precisa provar que decide sozinho nos momentos mais duros. O eleitor não quer um presidente que precise de aval constante de outra liderança; quer alguém capaz de conduzir o país por conta própria.
— Ronaldo Caiado (@ronaldocaiado) July 11, 2026
Pense numa crise envolvendo Venezuela,…
No mesmo dia, ele comentou sobre a carta em coletiva de imprensa. Para o presidenciável, a apresentação da carta com a nomeação é um “sinal de extrema fragilidade da campanha” e criticou a tentativa de suavizar um racha entre aliados “recorrendo à carta de um pai”.
“Você na Presidência não é porta-voz. Você na Presidência, você é a figura da Presidência. E é desta maneira que o povo espera eleger. Um presidente que tenha essa estatura, a estatura de poder sentar a cadeira da presidência. O fato é que é uma campanha eleitoral. Quem tem que responder, somos nós os perguntados. Nós não podemos ser porta-voz de ninguém”, afirmou o também pré-candidato à Presidência da República.
A crítica de Caiado se soma a outra declaração recente contra a candidatura bolsonarista. Também através das redes sociais, ele escreveu que o barco da candidatura de Flávio Bolsonaro "está afundando" ao comentar sobre uma movimentação dos partidos PP e União Brasil que sinalizam recuo no apoio a candidatura de Flávio.
A divulgação da carta se fez em meio a uma crise na pré-campanha de Flávio, que conta com um desgaste provocado por uma série de acontecimentos, incluindo uma acusação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL Mulher) de tê-la humilhado em uma ligação telefônica e de, juntamente com a cúpula do partido, não ter cumprido acordos pré-estabelecidos. Além disso, integrantes da alta cúpula da legenda e aliados foram alvo de operações da Polícia Federal (PF) e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), ao mesmo tempo em que Flávio tenta protagonismo em meio a ameaças dos Estados Unidos de impor tarifas contra produtos brasileiros.
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Ronaldo Caiado é um dos nomes da direita na corrida presidencial de 2026. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada no início do mês mostra um cenário estimulado de segundo turno em que o goiano pontua 39% das intenções de voto contra o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pontuou 48%, tendo vencido todos os cenários propostos aos entrevistados, inclusive contra Flávio. Já em um cenário estimulado de primeiro turno, ele pontuou 2,9% das intenções de voto, ao passo que Lula lidera com 46,3% das sinalizações e é seguido por Flávio Bolsonaro, com 36,6%.