A K-Beauty, abreviação de Korean Beauty, deixou de ser uma tendência restrita aos vídeos de skincare e ganhou espaço nas prateleiras brasileiras. A proposta coreana de cuidados com a pele e os cabelos combina rotinas mais elaboradas, atenção à prevenção e fórmulas que apostam em diferentes ativos para atender necessidades específicas.

De olho nesse movimento, a Araujo ampliou o portfólio de beleza com marcas coreanas. Ao todo, são sete novos produtos disponíveis em lojas físicas e nos canais digitais da rede, que passou a reunir opções de cuidados capilares e para a pele.

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Para entender como essa experiência funciona na prática, o Estado de Minas recebeu três produtos da curadoria: o Kerasys Propolis Energy Plus Shampoo, o Kerasys Propolis Shine Treatment e o Medicube Zero Pore Pad 2.0. Os dois primeiros são voltados para cabelos, enquanto o terceiro entra na rotina de cuidados faciais.

Kerasys Propolis Energy Plus Shampoo

A Kerasys é uma marca sul-coreana especializada em cuidados capilares e pertence à Aekyung, grupo coreano que atua no setor desde 1950. A marca foi lançada em 2002 e construiu sua identidade em torno do conceito de “hair clinic”, levando para os cuidados em casa algumas características associadas aos tratamentos profissionais.

O Propolis Energy Plus Shampoo segue essa proposta. Com própolis e mel na composição, ele promete limpeza associada a nutrição e brilho. 

O shampoo Kerasys Propolis Energy Plus é um dos produtos coreanos avaliados na matéria sobre K-BeautyReprodução

O primeiro destaque, porém, não está na fórmula, mas no cheiro. O shampoo tem uma fragrância adocicada e floral, com um toque que lembra mel. É perceptível durante o banho, mas não chega a ser enjoativa. Depois da lavagem, permanece nos fios um perfume sofisticado e relativamente duradouro.

A textura é líquida e cremosa, de densidade média, com aparência translúcida e um leve fundo perolado. A referência ao mel também aparece na consistência, que é fluida, mas tem certa viscosidade.

Pouco produto é suficiente para produzir bastante espuma. Ele se espalha facilmente pelo couro cabeludo e, no enxágue, não deixa aquela sensação de cabelo áspero que alguns shampoos de limpeza mais eficiente podem provocar. Os fios já parecem macios durante a lavagem.

No teste, ele também deu conta de uma situação que costuma ser mais difícil para shampoos suaves: depois de um treino intenso, limpou bem o couro cabeludo sem necessidade de reaplicar. Para cabelos muito oleosos, porém, a segunda lavagem pode continuar sendo necessária.

A fórmula ajuda a explicar essa combinação. O produto usa Sodium Laureth Sulfate como principal agente de limpeza, acompanhado por Cocamidopropyl Betaine e outros tensoativos, o que contribui para uma espuma abundante e uma limpeza eficiente. Também há agentes condicionantes, como dimeticona e um polímero derivado da goma guar, que ajudam a reduzir o embaraço e deixam o fio mais maleável.

Própolis e mel aparecem entre os extratos da composição, acompanhados por ingredientes botânicos como arnica, genciana e mil-folhas. O resultado é mais interessante pelo conjunto do que pela presença isolada de um ingrediente “milagroso”.

Um ponto importante: apesar da proposta nutritiva, não é um shampoo para quem segue Low Poo ou No Poo, já que a fórmula contém sulfato e silicone insolúvel.

Também vale prestar atenção em quem tem couro cabeludo muito sensível ou alergia a produtos de abelha. A composição inclui própolis e mel, além de fragrância e componentes aromáticos como geraniol, linalol e citronelol. Além disso, com esses ingredientes, não é um produto vegano.

Vale a pena?

O xampu custa cerca de R$ 50 e tem 180 ml, o Kerasys não compete diretamente com os produtos mais baratos de supermercado. A base de limpeza, isoladamente, não é revolucionária e pode ser encontrada em produtos nacionais mais acessíveis.

O diferencial está na experiência: a espuma é abundante, o perfume é mais sofisticado e o cabelo não fica rígido depois da lavagem. Para quem quer experimentar uma marca coreana e gosta de shampoos perfumados, o preço entra em uma faixa intermediária.

Para cabelos muito oleosos ou para quem procura uma fórmula sem sulfatos e silicones, há opções mais adequadas.

Há algumas opções de produtos semelhantes no mercado. O Mise En Scène Perfect Serum Shampoo é outro xampu coreano com silicones e óleos nutritivos, como argan e geleia real.Ele custa cerca de R$ 600 reais, com 200 ml. 

O Tsubaki Extra Moist / Premium Repair Shampoo combina agentes de limpeza potentes com extratos botânicos e lipídios hidratantes, como óleo de camélia e geleia real. Com 450 ml, o produto é encontrado no Brasil por R$ 120.  

Entre as opções brasileiras, temos algumas opções que usam mel e própolis na fórmula. É o caso do Probelle Super Bonita Mel e Própolis (R$ 47,90 o kit com xampu e condicionador de um litro cada); o Bio Extratus Mel, Cereal e Colágeno (R$ 45,90 com 250 ml); e o AmaBee Shampoo Natural de Mel e Própolis (R$ 60 com 250 ml).

Kerasys Propolis Shine Treatment

Se o xampu impressiona primeiro pelo perfume, o tratamento chama atenção pela textura. O Propolis Shine Treatment tem consistência bastante densa e um aroma doce que lembra mel fresco e é mais discreto que o do shampoo.

O produto é descrito como uma opção de nutrição e brilho intenso, indicada para cabelos opacos e danificados. Mas, nos testes da reportagem, o desempenho dependeu bastante do estado do cabelo.

Em fios sem química, o resultado foi muito bom. O produto entrega emoliência, brilho e alinhamento sem deixar o cabelo pesado. Depois do enxágue, a fibra fica macia e com aparência mais polida.

Já em cabelos coloridos ou quimicamente tratados, a experiência foi diferente. Apesar de ser um tratamento bastante denso, ele não promove aquele efeito imediato de “desmaiar” o cabelo. Em vez de amolecer completamente o fio, parece encorpá-lo. Para encorpar cabelos mais danificados, foi necessário usar uma quantidade maior do produto, o que prejudica um pouco o rendimento.

O tratamento capilar Kerasys Propolis Shine é um dos itens coreanos testados pela reportagemReprodução

Isso faz sentido quando se olha para a composição. Além dos álcoois graxos, responsáveis pela textura cremosa e pela emoliência, a fórmula reúne agentes condicionantes como Behentrimonium Chloride e Behentrimonium Methosulfate. Há ainda silicones, entre eles dimeticona e amodimeticona, além de queratina, proteína de trigo e pantenol.

É uma combinação que favorece alinhamento, proteção e sensação de fio encorpado. Por isso, o produto parece funcionar melhor como um tratamento de nutrição e reparação leve do que como aquela máscara ultradeslizante que derrete imediatamente um cabelo muito poroso.

Própolis e mel completam a proposta da linha, enquanto proteínas e agentes condicionantes ajudam a melhorar a aparência dos fios.

O tratamento também não é indicado para quem segue Low Poo ou No Poo por causa dos silicones insolúveis nem para veganos, por ter ingredientes de origem animal.

Vale a pena?

O tratamento entrega uma fórmula interessante para a categoria. Ele performa melhor em cabelos sem química ou com danos leves, nos quais o brilho e o alinhamento aparecem com mais facilidade. Para fios muito danificados e que precisam principalmente de desembaraço e emoliência, há máscaras nacionais que podem entregar uma sensação mais imediata e ter rendimento maior.

O ponto positivo é que, mesmo sem produzir o famoso “desmaia cabelo” em qualquer situação, ele deixa os fios visivelmente mais alinhados e brilhantes.

Ele custa cerca de R$ 60 com 180 ml. Existem alguns produtos com propostas parecidas no mercado. Entre os importados, destaque para o Mise En Scène Perfect Serum Treatment (R$ 97 com 180 ml).

No mercado nacional, algumas opções são a máscara capilar Bio Extratus Mel (R$ 50 com 250 g), a máscara de nutrição Lola Cosmetics Morte Súbita (R$ 45 com 450 g) e a máscara de reconstrução Haskell Cavalo Forte (R$ 75 com 300 g). 

Medicube Zero Pore Pad 2.0

O Medicube Zero Pore Pad 2.0 é um daqueles produtos que traduzem bem a praticidade da K-Beauty: em vez de aplicar um tônico líquido com as mãos ou algodão, a fórmula já vem embebida em 70 discos prontos para usar. A proposta é melhorar a aparência dos poros, controlar a oleosidade e deixar a textura da pele mais uniforme. A fórmula reúne diferentes ácidos, incluindo AHA e BHA, além de ingredientes hidratantes e calmantes.

No uso, o cheiro é fresco, levemente cítrico, com uma nota herbal que lembra produtos voltados para limpeza profunda.

Os pads vêm bastante molhados. Isso é ótimo para a aplicação, porque o disco desliza facilmente pelo rosto e sobra produto suficiente para aproveitar na mesma sessão. Por outro lado, é preciso fechar bem o pote. Se a embalagem ficar aberta dentro da nécessaire, o líquido pode vazar e fazer uma pequena bagunça.

O Medicube Zero Pore Pad 2.0, produto de K-Beauty avaliado na matéria, é mostrado em uso para cuidados faciais e refinamento de porosReprodução

O disco tem dois lados: o texturizado, que promove uma esfoliação física suave, e o liso, usado para espalhar o restante da solução.

Nos testes, o efeito mais perceptível apareceu logo nos primeiros usos: a pele fica mais lisa e macia. Também é notável a melhora na aparência dos poros dilatados e nos pontinhos escuros do nariz.

A explicação está, em parte, no ácido salicílico, que é solúvel em óleo e consegue atuar sobre o sebo acumulado nos poros. Já os AHAs, como o ácido lático, promovem esfoliação da superfície da pele, contribuindo para uma aparência mais uniforme e luminosa.

Também houve uma melhora discreta na aparência de linhas finas superficiais e na luminosidade da pele. Não é um efeito de preenchimento, mas de renovação da camada mais superficial: ao remover células mortas, a pele pode ficar visualmente mais lisa e viçosa.

Apesar do resultado, é um produto que exige mais atenção do que parece. Mesmo bem embebido em produto, não é recomendado reutilizar o mesmo pad em outro momento. Depois de passar pelo rosto, o disco entra em contato com sebo, células mortas e impurezas. O melhor aproveitamento para o excesso de produto é continuar a aplicação imediatamente no pescoço, colo ou dorso das mãos e depois descartá-lo.

Outro cuidado importante é o protetor solar. Como a rotina envolve ácidos esfoliantes, a proteção solar durante o dia é indispensável.

Também não é um produto indicado  indiscriminadamente para qualquer pele. Pessoas com pele muito sensível, irritada ou com a barreira comprometida devem ter mais cautela, especialmente porque a composição reúne ácidos, álcool e componentes de fragrância.

Vale a pena?

Por R$ 278,89 por 70 unidades, o Medicube é um produto caro para uma etapa que pode ser substituída por outros esfoliantes ou pads disponíveis no mercado.

O desempenho, por outro lado, é consistente. A pele fica mais lisa, os poros parecem menos evidentes e os pontinhos pretos do nariz melhoraram durante o teste.

Para quem gosta especificamente da experiência de K-Beauty e quer praticidade, ele entrega. Para quem está simplesmente procurando o mesmo tipo de resultado, a diferença de preço faz outras opções merecerem consideração.

Uma opção disponível no mercado com custo mais baixo é o Creamy Pore Refiner, também testado pela reportagem. 

Isso acontece porque os dois produtos têm uma experiência de uso parecida: um disco texturizado faz uma esfoliação física leve enquanto a solução atua sobre a pele. O ácido salicílico também está presente nas duas propostas.

Na prática, portanto, a diferença não apareceu tanto no resultado imediato. A pele ficou igualmente mais lisa e com sensação de limpeza.

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A diferença está principalmente na formulação e no preço. O Medicube tem uma proposta mais carregada de ativos esfoliantes e uma experiência sensorial mais intensa, enquanto a alternativa nacional aposta em uma fórmula mais simples e tende a ser mais acessível (R$ 139,99 com 70 pads).

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