Papudinha e a pressão por domiciliar
Parlamentares bolsonaristas mineiros passaram a usar a mudança como base para pressionar por prisão domiciliar, com foco na saúde do ex-presidente
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A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, passou a ser explorada politicamente por aliados em Minas Gerais. O discurso adotado é o de perseguição política, sob o argumento de que Bolsonaro não foi encaminhado para prisão domiciliar.
Fato é que a saída da Superintendência da Polícia Federal ocorreu com autorização judicial e resultou em melhora nas condições de custódia. Bolsonaro passou a cumprir a detenção em ambiente menos restritivo, com rotina definida e acompanhamento médico permanente, com assistência disponível 24 horas. Interlocutores admitem, de forma reservada, que a permanência na Papudinha é mais confortável do que na PF.
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Mesmo assim, parlamentares bolsonaristas mineiros passaram a usar a mudança como base para pressionar por prisão domiciliar, com foco na saúde do ex-presidente e críticas ao Supremo Tribunal Federal.
O deputado estadual Bruno Engler (PL-MG) publicou nas redes sociais: “Jair Bolsonaro não tem que ir para a Papudinha, tem que ir pra casa. Prisão domiciliar humanitária já!”. A frase passou a ser reproduzida por aliados.
O ministro Alexandre de Moraes é o centro das críticas. Parlamentares afirmam que Bolsonaro teria sido submetido a condições inadequadas na PF, tese usada para sustentar a narrativa de abuso judicial. No STF, entretanto, a avaliação é de que a transferência ocorreu justamente para garantir condições compatíveis com o perfil do custodiado.
O deputado estadual Caporezzo (PL-MG) adotou a mesma linha. Em vídeos nas redes, afirmou que Bolsonaro não deveria estar preso, classificou a decisão como perseguição política e defendeu prisão domiciliar.
O deputado federal Cabo Junio (PL-MG) elevou o tom. Em publicação, disse que “brincam com a vida de um homem inocente”, acusou ministros de usar Bolsonaro para “abafar escândalos” e afirmou que o país vive uma “ditadura do Judiciário”.
A movimentação é vista como coordenada. Parte da estratégia incluiu falas dos filhos do ex-presidente contra a Polícia Federal. Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro afirmaram que o pai teria sido “torturado” na PF, acusação feita de forma literal e direcionada à custódia policial. O discurso contrasta com posicionamentos anteriores da família, que já relativizou denúncias de tortura no país. Agora, o termo passou a integrar a narrativa política para caracterizar Bolsonaro como vítima.
Outro movimento foi a visita de Michelle Bolsonaro ao ministro Gilmar Mendes. Aliados trataram o encontro como articulação nos bastidores do Supremo, embora não haja informação oficial sobre pedido formal relacionado ao caso. Horas depois, Bolsonaro foi transferido para a Papudinha, onde aguarda análise do pedido de prisão domiciliar por Moraes.
Veto
O presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Juliano Lopes (Podemos), como prefeito em exercício, vetou parcialmente um projeto de lei aprovado em novembro do ano passado. A proposta autoriza a doação de cadáveres e de segmentos amputados do corpo humano para treinamento de cães farejadores. O veto parcial foi publicado no Diário Oficial do Município nesta sexta-feira (16/1).
AGU
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo Lula na Câmara, protocolou um pedido junto à Advocacia-Geral da União (AGU) para que seja apurada a conduta do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em razão de um vídeo divulgado nas redes sociais com críticas ao Pix. Na representação, Correia solicita a instauração de procedimento para investigar possível disseminação de desinformação e fake news relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos.
MBL
O recém-criado partido Missão, do MBL, oficializou a filiação do influenciador Ben Mendes, natural de Contagem, na Grande BH. Conhecido pela atuação como youtuber especializado em direito do consumidor, o influenciador, segundo a legenda, pode ser lançado como candidato ao governo do estado ou ao Senado. “Ao longo dos últimos anos, Ben ganhou projeção ao transformar temas jurídicos complexos em conteúdo prático, ajudando milhões de brasileiros a compreender seus direitos e a enfrentar situações de desrespeito nas relações de consumo. Sua atuação consolidou uma trajetória marcada pela defesa do cidadão comum e pelo enfrentamento de abusos do poder econômico”, diz nota à imprensa.
Na rua
O influenciador Ben Mendes já afirmou, em vídeo publicado nas redes sociais, que pessoas em situação de rua “têm que passar fome”. A declaração voltou a circular após anúncio de candidatura por Minas.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
