Clã Azevedo sofre ameaça em ano decisivo
As ameaças ocorrem quando o grupo alcança seu maior peso institucional. A família reúne hoje um senador, um deputado estadual e o prefeito da principal cidade
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
As ameaças de morte a integrantes do clã Azevedo levaram a família ao centro do radar político em um momento sensível do pré-calendário eleitoral. Vídeos com ataques ao senador Cleitinho Azevedo, ao deputado estadual Eduardo Azevedo e ao prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, motivaram um assessor parlamentar a registrar boletim de ocorrência na Polícia Militar. As gravações circularam nas redes sociais e foram encaminhadas para apuração da Polícia Civil.
Os vídeos contêm ameaças à vida e à integridade física dos três irmãos, além de acusações sem apresentação de provas. O autor, identificado como Wanderson Bernardo Ferreira, menciona policiais militares e integrantes do Grupo Especial de Resposta, afirma ter histórico criminal e desafia autoridades do Judiciário e do Ministério Público. As publicações permaneciam ativas no momento do registro. A PM informou que teve acesso ao conteúdo, mas que o sistema não permite anexar vídeos.
As ameaças ocorrem quando o grupo alcança seu maior peso institucional. A família reúne hoje um senador, um deputado estadual e o prefeito da principal cidade do Centro-Oeste mineiro. Essa combinação torna o clã decisivo para o desenho das eleições de 2026, sobretudo nos próximos dois meses, período considerado chave para a definição de candidaturas majoritárias.
A distribuição dos cargos ajuda a explicar essa influência. Cleitinho atua no Senado pelo Republicanos, Eduardo ocupa cadeira na Assembleia Legislativa pelo PL e Gleidson governa Divinópolis pelo Novo. A presença simultânea nas esferas federal, estadual e municipal garante poder pulverizado, com acesso a agendas distintas, canais institucionais próprios e influência contínua sobre decisões políticas em Minas.
Além disso, o grupo está ancorado nas principais legendas do campo da direita no estado. Republicanos, PL e Novo concentram as maiores estruturas partidárias desse espectro político, com capilaridade no interior, presença nas redes e acesso direto às articulações nacionais. A combinação amplia o alcance da família sobre alianças, palanques e estratégias eleitorais.
O ponto central segue sendo Cleitinho. O senador mantém o plano de disputar o governo de Minas. O interesse é tratado como real por interlocutores próximos, mas o anúncio vem sendo adiado para março, em meio às articulações para uma possível unificação da direita. A avaliação não passa pela viabilidade eleitoral, mas pelo impacto pessoal da decisão. A exposição da família, agora agravada por ameaças diretas, entrou no cálculo. O calendário político avança, mas a escolha segue represada.
A indefinição deixa o tabuleiro suspenso. Uma eventual candidatura de Cleitinho teria efeito imediato sobre alianças no campo da direita e influencia o esforço de unificação defendido pelo vice-governador Mateus Simões. Até aqui, o senador optou pelo silêncio.
Enquanto a decisão não vem, outros movimentos seguem em curso. Gleidson consolidou sua permanência no Novo, em alinhamento com o governo estadual e a direção do partido. Nos bastidores, a expectativa é de que dispute vaga na Câmara dos Deputados este ano, ampliando a presença da família no Congresso. A sinalização ganhou força após a sanção da lei que autorizou a doação do Hospital Regional de Divinópolis à Universidade Federal de São João del-Rei.
O gesto foi lido politicamente. O governador Romeu Zema sancionou o texto em reunião restrita com Eduardo Azevedo, único parlamentar presente. A ausência da deputada Lohanna França, autora do projeto aprovado pela Assembleia, gerou ruído e foi interpretada como disputa por protagonismo em uma das principais pautas da cidade. Ela é a maior rival da família Azevedo em Divinópolis, polo eleitoral dos três irmãos.
Eduardo ocupa posição funcional na Assembleia. Ele transita entre a base do governo Zema e atuação independente. A movimentação é vista como possível ponte política entre Simões e Cleitinho.
A trajetória ajuda a dimensionar o peso atual do grupo. Em menos de uma década, a família saiu do comércio local e da projeção nas redes sociais para ocupar espaços no Legislativo estadual, no Senado e no Executivo municipal. Em 2022, Cleitinho superou 4,2 milhões de votos em Minas.
As ameaças funcionam como ponto de inflexão. Não alteram apenas a rotina de segurança, mas interferem no cálculo político que antecede a disputa pelo governo. A investigação segue na Polícia Civil. A decisão sobre 2026 permanece em aberto. Nos dois casos, o impacto tende a se refletir no cenário estadual nos próximos meses.
Cemig
O governador Romeu Zema (Novo) voltou a defender a privatização da Cemig nesta quinta-feira, durante agenda em Serra da Saudade, no Centro-Oeste de Minas. Ele afirmou que a condução do tema ficará a cargo do vice-governador Mateus Simões (PSD) após a transição no comando do Executivo. Ao comentar o tema, Simões tratou de delimitar a posição formal do governo em relação à empresa, e defendeu que o governo não propôs a venda, mas sua transformação em corporation. Vinculada ao pacote de renegociação da dívida de Minas com a União, a proposta, segundo Simões, poderá ser analisada “no final do ano ou no início do ano que vem”, caso não haja manifestação de interesse do governo federal.
“Não tenho medo”
Na mesma agenda em Serra da Saudade, o governador minimizou os resultados de pesquisas que o colocam com baixo desempenho em simulações de segundo turno para a Presidência. Ele ema descartou adiar ou cancelar o lançamento de sua pré-candidatura. Disse que números iniciais não o preocupam e citou sua campanha de 2018 em Minas como exemplo de virada. Segunda pesquisa da Quaest divulgada na quarta-feira, Zema tem 2% das intenções de voto para presidente.
Orçamento
Ainda nesta quinta-feira, o governador Romeu Zema sancionou a lei do Orçamento do estado para o exercício financeiro de 2026. O texto estima a receita em cerca de R$ 141,7 bilhões e as despesas em aproximadamente R$ 146,9 bilhões, o que projeta um déficit orçamentário de R$ 5,2 bilhões. A sanção foi publicada no Diário do Executivo.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
