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Estado de Minas SEQUELAS

As opções de tratamento para quem teve queda de cabelo pós-COVID

Uma a cada quatro pessoas infectadas pelo coronavírus enfrenta queda de cabelo após a doença


05/08/2022 16:17 - atualizado 05/08/2022 17:00

Homem recebendo injeção no couro cabeludo
Inflitração com medicamentos e vitaminas no couro cabeludo é opção de tratamento a depender do diagnóstico do paciente (foto: byakkaya/Getty Images)


As razões pelas quais a queda de cabelo pós-covid é um problema tão comum ainda não estão totalmente claras, mas a ciência já aponta algumas relações possíveis entre o vírus a eliminação intensa dos fios — quadro pelo qual um em cada quatro infectados pelo Sars-CoV-2 vivenciam.

"Sabemos que infecções virais, de uma forma geral, são capazes de promover a queda de cabelo, condição conhecida como eflúvio telógeno agudo", afirma a dermatologista Jaqueline Zmijevski, de Corumbá, em Mato Grosso, membro da SBLMC (Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia).

 

 

 

Além da covid-19, de acordo com a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), outros quadros que podem desencadear o eflúvio telógeno são febre, infecção aguda, sinusite, pneumonia, gripe, dietas muito restritivas, doenças metabólicas ou infecciosas, cirurgias, especialmente a bariátrica, por conta da perda de sangue e do estresse metabólico, além do estresse emocional.

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No caso da COVID-19, quando o paciente percebe que o quadro persiste sem melhora mesmo após um período de quatro meses após a infecção, é fundamental passar por uma investigação.

"O que temos observado é que muitos pacientes que chegam ao consultório com esse problema agudo já tem um problema de base, como a alopecia areata ou alopecia androgenética, que tinha passado despercebido antes", explica a médica Fabiane Brenner, de Curitiba, coordenadora do Departamento de Cabelos e Unhas da SBD.

Alguns trabalhos científicos indicam que a infecção viral pode ter servido como um gatilho para a manifestação de outras condições, mas ainda não há evidência robusta o suficiente, de acordo com as médicas entrevistadas pela BBC News Brasil, para afirmar a relação.

O eflúvio, considerado a principal razão da queda de cabelo após infecção por COVID-19, é autolimitado, ou seja, tem uma duração predeterminada de dois a quatro meses, caso não haja outra doença associada. Na teoria, não seria preciso tratamento.

"Mas na prática sabemos que a queda incomoda muito e causa apreensão nos pacientes, que têm a sensação que ficarão carecas. Há opções de tratamentos que podem ajudar nessa fase aguda desencadeada pela COVID-19 e também para quem tem problemas de base", indica Vivien Yamada, médica dermatologista de São Paulo, especializada também pela SBD.

Investigação de diagnóstico

Antes de começar um tratamento, é necessário saber a causa da queda dos fios para direcionar melhor a abordagem para cada pessoa.

Por um exame chamado tricoscópio, o especialista examina o couro cabeludo por uma lente com zoom em dermatoscópio e checa características da saúde dos folículos capilares.

"Também é possível fazer o que chamamos de exame da tração. Seguramos cerca de 50 fios e fazemos uma certa pressão. Se cair mais do que três, é indicativo de eflúvio", aponta Yamada.

O profissional de saúde também pode pedir exames para checar níveis de ferro, vitamina B12, hormônios da tireoide, e outros que poderiam ser indicativos de quadros adjacentes.

 

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Um lembrete importante deixado pelas médicas é que não se deve começar a usar qualquer medicamento ou terapia por conta própria.

"O minoxidil, medicamento muito usado para esses casos, pode causar diminuição da pressão arterial, e, por isso, é contraindicado para pacientes que têm quadros como insuficiência cardíaca ou valvular e arritmia. É necessário que pessoas com essas comorbidades passem por avaliação com cardiologista", exemplifica Brenner.

Tratamentos tópicos e por via oral

O minoxidil, citado pela coordenadora da SBD, é o principal medicamento receitado para quem sofre com a queda de cabelo. Ele funciona como um estimulante de crescimento de novos folículos, encurtando o tempo de recuperação dos fios.

Ele pode ser usado de forma tópica, direto no couro cabeludo, ou ingerido em comprimidos.

"São abordagens que ajudam, mas, ainda assim, é necessário explicar sobre o processo para o paciente, já que o meio da crise de queda de fios causa ansiedade. Ele precisa entender o ciclo, saber que a melhora pode não ser tão rápida", afirma Brenner.

Medicamentos anti-inflamatórios e corticoides, que combatem os danos causados por infecções virais, também podem ser receitados, mas sua eficácia depende muito do quadro de cada paciente, e, por isso, não é recomendável usar sem direcionamento médico.

Outra opção bastante receitada é a biotina, um suplemento que melhora a qualidade dos fios. Mas embora possa ser usado como tratamento complementar, as médicas alertam que não há evidência científica de que a substância ajude em casos de eflúvio.

O exsynutriment também tem uma função parecida. "É uma fonte de silício, que 'puxa' a água pra onde a gente tem cretina, ou seja, hidrata a pele e o cabelo. É um suplemento muito bacana, mas não há evidências da sua eficiência para combater eflúvio", explica Yamada.


Homem recebendo injeção no couro cabeludo
Inflitração com medicamentos e vitaminas no couro cabeludo é opção de tratamento a depender do diagnóstico do paciente (foto: byakkaya/Getty Images)

Inflitrações

A microinfusão de medicamentos no couro cabeludo também pode ser utilizada para queda intensa de fios. O procedimento costuma ser usado como complemento.

"Utilizamos microagulhas imersas em medicamentos que realizam pequenos furos de profundidade controlada, fazendo com que os ativos sejam entregues de maneira otimizada, precisa e uniforme. Além disso, as próprias agulhas promovem aumento da vascularização local e liberação de substâncias que ativam a multiplicação celular, o que também favorece crescimento capilar", aponta Zmijevski.

A intradermoterapia, também conhecida por mesoterapia, e o microagulhamento utilizam desse mesmo princípio.

A mistura de substâncias é particular de cada caso, mas pode levar medicamentos anti-inflamatórios, minoxidil, vitaminas e outros.

Em casos em que a alopecia é constatada, as infiltrações podem conter bloqueador hormonal como a finestertida, que inibe a ação do hormônio que age no quadro.

Embora não seja consenso entre todos os médicos, a especialista Jaqueline Zmijevski comenta que o laser de baixa frequência também é uma opção para ajudar no crescimento de novos fios.

"Atua melhorando a vascularização local e consequente aporte de nutrientes, diminui o processo inflamatório ao redor do folículo, minimizando a queda dos fios, caspa, coceira e descamação, além de estimular as mitocôndrias, organelas celulares responsáveis por fornecer energia ao folículo, otimizando a produção de novos fios."

Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/geral-62383439

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