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Estado de Minas COVID-19

Pandemia, endemia, epidemia ou surto: entenda a diferença

A COVID-19 começou como um surto em Wuhan, na China, foi classificada como pandemia e agora pode se transformar em endemia


19/01/2022 19:32 - atualizado 26/01/2022 14:36

Arte com dois médicos vestindo roupas de proteção
Epidemiologista da Organização Mundial da Saúde acredita que a COVID-19 se tornará uma doença que reaparece de tempos em tempos (foto: Pixabay)
Em dezembro de 2019, uma doença causada por um novo vírus começou como um surto na cidade de Wuhan, na China, depois se tornou uma epidemia e, em março de 2020, foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como pandemia. A OMS ainda tem outras denominações para medir o avanço de uma doença, como surto e endemia. Mas o que significam todos esses termos?

 

Com o surgimento da variante Ômicron, setores da comunidade científica disseram que isso poderia significar a transição do coronavírus de uma pandemia para uma endemia.

 



Entenda a diferença entre surto, endemia, epidemia e pandemia:

O que é surto

Um surto de uma doença acontece quando há um repentino e inesperado aumento de casos, em uma determinada região, comunidade ou estação do ano. O número de casos pode variar de acordo com o agente que causa a doença. Além disso, também é avaliado o tamanho e tipo de exposição anterior quando se trata de uma doença conhecida. 

Para ser classificado como um surto, esse número sempre ficará acima da expectativa normal e em uma área geográfica limitada.

Geralmente, os surtos são causados por infecções transmitidas de pessoa para pessoa, por animais ou ambientes ou até produtos químicos e materiais radioativos. 
Porém, podem ocorrer também aqueles em que a causa não é clara ou conhecida – estes são chamados de surtos de doenças de etiologia desconhecida. Vale lembrar que, muitas vezes, os comportamentos humanos contribuem para essa disseminação.

Em determinadas cidades do Brasil, a dengue é classificada como um surto, já que são detectados casos em apenas um ou alguns bairros. O aumento de casos de uma determinada doença dentro de uma casa de repouso, por exemplo, também pode ser visto como um surto. 

O que é epidemia

Já a epidemia de uma doença acontece quando existem surtos em várias regiões. Ou seja, quando há muitos casos de uma doença em determinados locais geográficos ou comunidades, e que vão se espalhando para outros lugares além daquele em que foram identificados inicialmente.

As epidemias podem ocorrer em nível municipal, quando existem surtos em vários bairros. Em nível estadual, quando são registrados surtos em diversas cidades e em nível nacional, quando ocorrem em várias regiões do país. 

Para definir quando uma doença pode ser classificada como epidemia, é preciso avaliar o número de casos em relação à população em que há ocorrência. São avaliados o tamanho dessa população e o quanto ela é suscetível à doença.

Outros critérios técnicos como detalhes da região em que os casos foram detectados e o período em que começaram e estão ocorrendo são importantes tanto para a classificação quanto para a descrição da doença.

É importante especificar que doenças sazonais, em que os casos crescem todo ano em uma determinada época ou estação, não são consideradas epidemias. 

Se o surto de dengue citado acima começar a se agravar, passando de um único bairro para vários bairros de uma cidade, ela terá uma epidemia da doença. Neste caso, é preciso intensificar os cuidados para controlá-la e impedir a transmissão para bairros ainda não contaminados.

O que é endemia

A endemia é uma doença de causa e atuação local. Ela se manifesta com frequência em determinada região, mas tem um número de casos esperado – um padrão relativamente estável que prevalece. Se houver alta incidência e persistência de doença, pode ainda ser chamada de hiperendêmica.

As doenças endêmicas são consideradas um dos principais problemas de saúde do mundo e preocupam governantes, em especial os que lideram países tropicais de baixa renda. A malária, doença infecciosa causada por protozoário do gênero Plasmodium, é um exemplo de endemia presente em mais de 100 países, incluindo o Brasil.

Outra questão importante sobre as doenças endêmicas é que elas podem se tornar epidêmicas se não controladas. Isto depende de vários fatores que vão desde mudanças no agente ou hospedeiro até transformações no ambiente. 

Mas, o contrário também pode acontecer, como é o caso do coronavírus. A OMS já declarou que a COVID-19 pode nunca desaparecer, tornando-se uma endemia e podendo impactar regiões específicas do planeta para sempre.

No Norte do Brasil, a Febre Amarela tem atuação frequente. Por isso, também pode ser considerada uma doença endêmica.

O que é pandemia

Uma pandemia é a disseminação mundial de uma doença (epidemia). Ela pode surgir quando um agente infeccioso se espalha ao redor do mundo e a maior parte das pessoas não são imunes a ele.

Em uma escala de gravidade, a pandemia é o pior dos cenários porque ela se estende para várias regiões do planeta. Quando uma doença é classificada como pandemia, não significa, porém, que a situação é irreversível ou que o agente da doença, seja vírus ou qualquer outro patógeno, tenha aumentado seu poder de ameaça.

O que muda são as medidas adotadas pelas autoridades no combate à doença. No caso de uma pandemia, o protocolo de ação deve ser respeitado não só pelos países afetados mas também pelos que ainda não registraram casos do vírus. A abordagem, nessas situações, deve ser um conjunto de ações integradas, em que governo em parceria com a sociedade trabalham juntos na contenção da doença. 

A gripe suína ou gripe A, causada pelo vírus H1N1, passou de epidemia para pandemia em 2009, quando a OMS passou a registrar casos da doença em todos os continentes. A peste bubônica ou peste negra é considerada uma pandemia arrasadora que aconteceu no século XIV e matou de 75 a 200 milhões de pessoas.
 
*Estagiária sob supervisão do subeditor Eduardo Oliveira 


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